Faixa de Gaza recebe airdrops de Israel após bloqueio de ajuda

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Palestina e Israel Foto: Palestina e Israel - Foto: Adam Radosavljevic/shutterstock.com

Israel anunciou, em 26 de julho de 2025, a retomada de lançamentos aéreos de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, sob forte pressão internacional para aliviar a crise de fome que assola o território. A operação, iniciada na noite de sábado no norte de Gaza, envolve sete paletes com farinha, açúcar e alimentos enlatados, coordenada com organizações internacionais e apoio do Reino Unido e Emirados Árabes Unidos. A medida responde a alertas de desnutrição infantil e risco de fome generalizada, enquanto a Defesa Civil local reporta 40 mortes em bombardeios e disparos no mesmo dia. Corredores humanitários foram estabelecidos para comboios da ONU, mas a UNRWA critica a ineficiência dos airdrops. O bloqueio imposto por Israel desde março intensificou a crise, agravada pela guerra contra o Hamas iniciada em 2023.

A decisão ocorre após críticas de países como França, Alemanha e Reino Unido, que exigem a liberação de rotas terrestres. A interceptação de um barco de ativistas pró-palestinos reforça a tensão na região.

  • Airdrops: Sete paletes com alimentos básicos entregues no sábado.
  • Mortes: 40 civis mortos em bombardeios, segundo Defesa Civil.
  • Apoio internacional: Reino Unido e Emirados Árabes Unidos participam.
  • Crítica da UNRWA: Airdrops são caros e ineficazes contra a fome.

Pressão global e crise humanitária

A retomada dos airdrops reflete a crescente pressão internacional sobre Israel. Em 25 de julho, Paris, Berlim e Londres emitiram um comunicado conjunto exigindo o fim das restrições à ajuda humanitária. A ONU estima que 2,2 milhões de habitantes de Gaza, 90% deles deslocados, dependem de assistência para sobreviver. Desde março de 2025, o bloqueio total imposto por Israel reduziu drasticamente a entrada de alimentos e medicamentos, levando a 133 mortes por desnutrição, incluindo 85 crianças, segundo o Ministério da Saúde local.

A crise se agravou com ataques a civis em pontos de distribuição. Em 26 de julho, três pessoas morreram por disparos israelenses enquanto buscavam ajuda no noroeste da Cidade de Gaza. Testemunhas relatam que milhares se reuniram em um ponto de entrega próximo a um posto militar, onde soldados abriram fogo para dispersar a multidão. O exército israelense investiga os incidentes, mas nega a existência de fome deliberada, atribuindo a responsabilidade pela distribuição à ONU.

Ineficiência dos airdrops e críticas da UNRWA

A UNRWA, agência da ONU para refugiados palestinos, criticou duramente os airdrops, considerando-os uma solução ineficaz. Philippe Lazzarini, diretor da agência, afirmou que os lançamentos são caros, perigosos e insuficientes para reverter a fome. Ele destacou que 6.000 caminhões com suprimentos estão prontos em Jordan e Egito, aguardando liberação para entrada por terra, uma alternativa mais segura e eficiente. Em 2024, airdrops realizados por Jordânia e França resultaram em acidentes, com paletes caindo sobre áreas habitadas, ferindo civis.

A ONU aponta que apenas 250 caminhões entraram em Gaza na semana de 26 de julho, contra 600 por dia durante o cessar-fogo encerrado em março. A falta de segurança para comboios, agravada por ataques a policiais do Hamas que protegiam as entregas, dificulta a distribuição.

  • UNRWA: Airdrops não resolvem a crise de fome.
  • Caminhões: 6.000 aguardam liberação em Jordan e Egito.
  • Incidentes: Paletes já causaram ferimentos em operações anteriores.
  • Restrições: Apenas 250 caminhões entraram na semana.

Interceptação do barco Handala

No mesmo dia, a marinha israelense interceptou o barco Handala, da Flotilha da Liberdade, a 74 km da costa de Gaza. Carregado com medicamentos, alimentos e equipamentos infantis, o navio partiu da Sicília com ativistas pró-palestinos. Durante a abordagem, transmitida ao vivo, os ativistas cantaram “Bella Ciao” enquanto soldados assumiam o controle. Israel justificou a ação, alegando que a entrada não autorizada violava o bloqueio e comprometia esforços humanitários.

A interceptação gerou protestos de organizações internacionais, que acusam Israel de bloquear ajuda essencial. A Flotilha da Liberdade, ativa desde 2010, já enfrentou repressões semelhantes, incluindo um ataque em 2010 que resultou em 10 mortes. O incidente reforça a tensão em torno do acesso humanitário ao território.

  • Handala: Navio com ajuda médica e alimentar interceptado.
  • Ativistas: Cantaram “Bella Ciao” durante abordagem militar.
  • Flotilha da Liberdade: Histórico de confrontos desde 2010.
  • Bloqueio: Israel alega violação de segurança marítima.
israel guerra
Jash Y Shah/Shutterstock.com

Contexto da guerra e suas consequências

A guerra em Gaza, iniciada após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou 1.219 pessoas, continua a devastar o território. A ofensiva israelense, em resposta, causou 59.733 mortes, majoritariamente civis, segundo o Ministério da Saúde local, considerado confiável pela ONU. A infraestrutura de Gaza foi reduzida a escombros, com 82% do território sob ordens de deslocamento ou zonas militarizadas, afetando 684.000 pessoas desde o fim do cessar-fogo em março de 2025.

A crise humanitária se intensifica com a escassez de alimentos e medicamentos. A ONU relata que 112 crianças foram internadas por desnutrição grave entre janeiro e maio, com estoques de suplementos alimentares quase esgotados. A militarização dos pontos de distribuição, geridos pela Gaza Humanitarian Foundation, apoiada por Israel, gerou caos, com 1.060 mortes e 7.200 feridos em tentativas de acesso à ajuda desde maio.

  • Guerra: Iniciada em outubro de 2023, com 59.733 mortes.
  • Deslocamento: 684.000 pessoas realocadas desde março.
  • Desnutrição: 112 crianças internadas em 2025.
  • Distribuição: 1.060 mortes em pontos de ajuda desde maio.

Esforços internacionais e críticas

O Reino Unido anunciou apoio aos airdrops e a evacuação de crianças para tratamento médico, enquanto os Emirados Árabes Unidos retomaram os lançamentos imediatamente. A Jordânia, que realizou airdrops em 2024, também planeja novas operações. No entanto, a ONU insiste que apenas a abertura de rotas terrestres pode atender às necessidades de Gaza. Lazzarini destacou que a fome é “fabricada” e exige vontade política para ser resolvida.

Países como França e Alemanha criticam o modelo de distribuição militarizado de Israel, que coloca civis em risco. A criação da Gaza Humanitarian Foundation, apoiada por Israel e EUA, é vista como ineficaz, com relatos de disparos contra civis em pontos de entrega. A pressão por um cessar-fogo cresce, mas negociações em Doha, mediadas pelos EUA, fracassaram recentemente, sem previsão de retomada.

  • Reino Unido: Apoia airdrops e evacuação de crianças.
  • Emirados: Retoma lançamentos aéreos imediatamente.
  • ONU: Exige abertura de rotas terrestres para ajuda.
  • Cessar-fogo: Negociações em Doha sem avanços.

Reações e demandas por soluções terrestres

A retomada dos airdrops foi recebida com ceticismo por organizações humanitárias. Mais de 100 ONGs alertaram para a “fome em massa” em Gaza, enquanto Hamas classificou os airdrops como uma medida “simbólica” para encobrir a crise. A Defesa Civil local relatou cenas de desespero, com civis arriscando a vida por comida. Um residente de Gaza descreveu a situação como “morrer para buscar alimento para os filhos”.

A ONU reforça que a ajuda por terra é a única solução viável, com 6.000 caminhões prontos para entrega. A falta de combustível, bloqueado desde março, ameaça colapsar serviços de saúde e saneamento. Enquanto os airdrops oferecem alívio temporário, a crise humanitária exige medidas mais robustas para evitar uma catástrofe maior.

  • ONGs: Alertam para fome em massa entre 2,2 milhões de habitantes.
  • Hamas: Chama airdrops de “simbólicos” e insuficientes.
  • Combustível: Bloqueio desde março ameaça saúde e saneamento.
  • Solução: ONU defende ajuda por terra como única eficaz.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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