Bebês reborn viralizam e geram polêmica: entenda a arte e as críticas nas redes sociais

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bebê reborn Foto: bebê reborn - Foto: Sergio Photone/shutterstock.com

Bonecas hiper-realistas, conhecidas como bebês reborn, têm conquistado milhões de visualizações nas redes sociais, mas também atraído críticas e preconceitos, como visto no caso de Y.B., jovem de Janaúba, Minas Gerais, cujo vídeo com o boneco Bento viralizou em abril de 2025 no TikTok. Exibido em 16 de maio, o conteúdo, que simula uma visita ao hospital, alcançou 8 milhões de views, gerando debates acalorados. Criadas artesanalmente com detalhes como pele texturizada e cabelos implantados fio a fio, essas bonecas são parte de um hobby artístico para colecionadoras como Y.B. e Mylla, mas enfrentam comentários negativos que questionam a sanidade de quem as utiliza em “role plays” fictícios. A prática, defendida como expressão criativa, também é vista como terapêutica por especialistas, embora levante discussões sobre papéis de gênero e saúde mental.

A jovem Y.B., de 21 anos, usa os bebês reborn para criar vídeos infantis, enfatizando que tudo é encenação. O fenômeno, que mistura arte e entretenimento, ganhou força com influenciadoras como Nane Reborns e até famosos, como o padre Fábio de Melo.

  • Principais nomes: Y.B., Mylla, Nane Reborns, Sara Gomes.
  • Plataforma de destaque: TikTok, com milhões de visualizações.
  • Polêmica central: Críticas e preconceito contra o hobby.

As bonecas, produzidas por artesãs chamadas “cegonhas”, tornaram-se um mercado crescente, mas dividem opiniões entre admiração e estranhamento.

Processo criativo das bonecas reborn

A criação de um bebê reborn é um trabalho artesanal minucioso, que exige técnica e paciência. Sara Gomes, de 55 anos, comerciante e artista reborn desde 2002, explica que o processo começa com um kit de vinil ou silicone, composto por partes como cabeça, braços e pernas. Cada boneca é personalizada conforme o pedido do cliente, definindo tom de pele, sexo e idade aparente. A pintura, feita com camadas de tinta e técnicas de sombreamento, reproduz detalhes realistas, como veias, unhas e vincos, enquanto cabelos são implantados fio a fio.

O realismo das bonecas é o que mais atrai colecionadores, mas também gera críticas. Para Sara, o trabalho é uma forma de arte que reflete sua paixão por bonecas desde a infância, influenciada pela fábrica de bonecas de louça de sua família. O processo pode levar semanas, dependendo da complexidade, e o custo varia de R$ 500 a R$ 5 mil por boneca.

  • Materiais usados: Vinil ou silicone, tintas especiais, olhos de vidro.
  • Etapas principais: Limpeza, pintura, implantação de cabelo, montagem.
  • Tempo de produção: De 1 a 4 semanas por boneca.
  • Custo médio: R$ 500 a R$ 5 mil, conforme personalização.

Impacto nas redes sociais e polêmicas

O vídeo de Y.B. levando o boneco Bento ao hospital, gravado durante uma visita real a uma amiga na maternidade, exemplifica o estilo “role play” que domina o conteúdo reborn no TikTok. Com 120 mil seguidores, a jovem de Janaúba usa inteligência artificial para criar efeitos, como Bento “piscando”, reforçando a ficção. Mylla, de Imperatriz, Maranhão, com 173 mil seguidores, também aposta em narrativas fictícias, voltadas para crianças e colecionadores. Ambas enfrentam comentários como “isso é loucura” ou “precisa de tratamento”, mas defendem o caráter lúdico do hobby.

A polêmica cresceu com a viralização de conteúdos, que atraem tanto admiradores quanto detratores. Enquanto alguns elogiam a criatividade, outros veem os vídeos como uma representação exagerada da maternidade, gerando debates sobre saúde mental. A influenciadora Nane Reborns, com 240 mil seguidores no TikTok, reforça que o hobby é uma forma de expressão artística, não uma tentativa de substituir a realidade.

  • Plataformas principais: TikTok, Instagram, com milhões de views.
  • Estilo de conteúdo: Role play fictício, voltado para crianças e fãs.
  • Críticas comuns: Preconceito contra adultas com bonecas.
  • Defesa das criadoras: Foco na arte e no entretenimento.
bebê reborn
bebê reborn – Foto: Davaiphotography/Shutterstock.com

Aspectos terapêuticos e psicológicos

A psicóloga Larissa Fonseca destaca que brincar com bonecas, como os bebês reborn, ativa áreas do cérebro ligadas à criatividade e ao relaxamento. Para muitas colecionadoras, o hobby serve como uma pausa lúdica na vida adulta, com benefícios terapêuticos, desde que não comprometa a rotina. A psicanalista Fabiana Guntovitch complementa que a prática pode ajudar a elaborar questões emocionais, como perdas, funcionando como um objeto transicional. No entanto, ambas alertam que o uso excessivo, com isolamento ou dependência emocional, pode indicar problemas.

Sara Gomes relata casos de clientes que superaram depressão ao interagir com as bonecas, que resgatam memórias de infância. Y.B. e Mylla enfatizam que não tratam os bonecos como reais, mas como ferramentas criativas. A sociedade, porém, ainda resiste ao hobby, especialmente quando praticado por mulheres, devido a estereótipos de gênero que associam bonecas à infância ou à maternidade.

  • Benefícios psicológicos: Criatividade, relaxamento, elaboração de emoções.
  • Riscos potenciais: Isolamento ou dependência emocional excessiva.
  • Relatos positivos: Clientes com depressão relatam melhora.
  • Preconceito de gênero: Resistência maior contra mulheres adultas.

Mercado e popularidade crescente

O mercado de bebês reborn tem crescido no Brasil, com artesãs como Sara atendendo encomendas de crianças e adultos. A popularidade aumentou com a exposição nas redes sociais, onde influenciadoras monetizam conteúdos e firmam parcerias com “cegonhas”. O preço elevado das bonecas reflete o trabalho artesanal, mas não impede a adesão de colecionadores, incluindo famosos como Nicole Bahls, que “adotou” duas bonecas, e o padre Fábio de Melo, que destacou a inclusão com um boneco representando síndrome de Down.

A cultura reborn também ganhou espaço na mídia, como no filme Uma Família Feliz, estrelado por Grazi Massafera, onde a protagonista produz bonecas reborn. Eventos como o “Dia da Cegonha Reborn”, aprovado no Rio de Janeiro, reforçam a relevância cultural do movimento, que combina arte, colecionismo e expressão pessoal.

  • Crescimento do mercado: Aumento de encomendas e parcerias online.
  • Preço das bonecas: De R$ 500 a R$ 5 mil por unidade.
  • Famosos envolvidos: Nicole Bahls, Fábio de Melo, Grazi Massafera.
  • Eventos culturais: Dia da Cegonha Reborn no RJ.

Reações do público e estereótipos de gênero

A resistência ao universo reborn reflete estereótipos de gênero, segundo Fabiana Guntovitch. Enquanto hobbies masculinos, como colecionar carrinhos, são aceitos, mulheres enfrentam críticas por brincar com bonecas. Comentários negativos, como os recebidos por Mylla, incluindo ameaças, destacam o preconceito contra adultas que adotam o hobby. Y.B. ignora as críticas, focando no engajamento positivo, que inclui crianças e colecionadores.

A sociedade associa bonecas à infância ou à maternidade, gerando desconforto quando adultas assumem o papel de “cuidadoras” fictícias. Para Fonseca, o estranhamento também vem da imitação de afetos maternos com um objeto inanimado, o que desafia normas sociais. Apesar disso, a comunidade reborn cresce, com eventos e grupos online fortalecendo o senso de pertencimento.

  • Críticas recebidas: Comentários sobre sanidade e ameaças.
  • Estereótipos de gênero: Resistência a hobbies femininos na vida adulta.
  • Comunidade reborn: Grupos online e eventos presenciais.
  • Engajamento positivo: Crianças e colecionadores apoiam o movimento.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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