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Maiores torcidas: Flamengo e Corinthians lideram, São Paulo e Rio seguem

Torcida do Flamengo
Foto: Torcida do Flamengo - Foto: Adriano Fontes / CRF

O Flamengo mantém sua posição como o clube com a maior torcida do Brasil, com 21,8% de preferência, seguido pelo trio de ferro paulista — Corinthians (11,9%), Palmeiras (6,5%) e São Paulo (6,4%) —, segundo pesquisa recente do O Globo/Ipec-Ipsos, realizada entre 5 e 9 de junho de 2025. A força das torcidas cariocas e paulistas reflete fatores históricos, políticos e econômicos que moldaram o futebol brasileiro desde o início do século XX. No Rio de Janeiro, antiga capital federal, a transmissão de jogos por rádio e TV ampliou a popularidade do Flamengo, enquanto em São Paulo o poderio financeiro consolidou Corinthians, Palmeiras e São Paulo. Este cenário, aliado a estratégias de marketing e identificação popular, explica a hegemonia desses clubes. A pesquisa, feita em 132 municípios, entrevistou 2.000 pessoas e revelou o impacto de mudanças sociais e midiáticas na formação das torcidas.

A consolidação das torcidas no Brasil é um fenômeno que mistura paixão, história e contexto social. O Flamengo, por exemplo, soube capitalizar o período do Estado Novo (1937-1945) para se projetar nacionalmente. Já os clubes paulistas se beneficiaram do crescimento econômico de São Paulo, especialmente a partir dos anos 1950. Outros estados, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, mostram dinâmicas regionais distintas, com torcidas expressivas, mas menos alcance nacional.

  • Fatores históricos: O profissionalismo no futebol, decretado na década de 1930, abriu espaço para a popularização do esporte.
  • Mídia e alcance: Transmissões por rádio e TV expandiram a visibilidade de clubes cariocas.
  • Identidade popular: Clubes como Flamengo e Corinthians construíram narrativas de “time do povo”.
  • Poder econômico: São Paulo se destacou pelo crescimento financeiro e infraestrutura dos clubes.
Torcida Flamengo
Torcida Flamengo – Foto: Delmiro Junior / Shutterstock.com

Raízes históricas do Flamengo

O Flamengo, fundado em 1895 na Zona Sul do Rio, começou como um clube de elite, assim como Fluminense e Botafogo. Contudo, sua transformação em “clube do povo” ganhou força na década de 1930, durante o Estado Novo. Presidentes como José Bastos Padilha e Gilberto Cardoso apostaram em jogadores negros como Leônidas da Silva e Domingos da Guia, ídolos da Copa de 1938, para criar identificação com camadas populares. A estratégia foi reforçada por Mário Filho, no Jornal dos Sports, que promoveu concursos de torcidas e exaltou a paixão rubro-negra.

A transmissão de jogos pelo rádio, a partir dos anos 1930, levou o Flamengo a regiões distantes, como o Nordeste e o Centro-Oeste, onde a falta de clubes locais abriu espaço para sua popularização. Na década de 1980, a geração de Zico consolidou essa hegemonia, com títulos nacionais e internacionais. Hoje, a torcida rubro-negra se mantém estável, com leve queda de 0,6% desde 2022, dentro da margem de erro de 1,8%, segundo a pesquisa O Globo/Ipec-Ipsos.

Força do trio de ferro paulista

Em São Paulo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo construíram torcidas robustas, apoiadas no poder econômico da maior cidade do país. O Corinthians, com 11,9% de preferência, sofreu queda de 3,6% desde 2022, saindo da margem de erro de 1,4%. Ainda assim, mantém o segundo lugar. Sua origem, em 1910, está ligada às classes trabalhadoras, o que gerou forte identificação popular.

O Palmeiras, terceiro com 6,5%, ultrapassou o São Paulo (6,4%) em 2025, beneficiado por uma gestão financeira moderna e títulos recentes, como o Brasileirão de 2022. O São Paulo, apesar da queda de 8,2% para 6,4%, mantém relevância com sua história de conquistas nos anos 1990 e 2000.

  • Corinthians: Identidade operária e títulos como o Mundial de 2000.
  • Palmeiras: Gestão profissional e infraestrutura moderna, como o Allianz Parque.
  • São Paulo: Tradição de títulos internacionais e forte base na capital.
  • Desafios recentes: Queda de engajamento devido a gestões criticadas.

Dinâmicas regionais fora do eixo

Fora do eixo Rio-São Paulo, clubes como Cruzeiro e Atlético-MG, ambos com 2,3% de torcida, mostram equilíbrio em Minas Gerais. O Atlético-MG nasceu como um clube menos elitista, atraindo a capital, enquanto o Cruzeiro, ligado à colônia italiana, cresceu no interior, ganhando o apelido de “China Azul”.

No Rio Grande do Sul, Grêmio (3%) e Internacional (1,7%) refletem um forte sentimento de pertencimento local. A região Sul é a mais “fiel” do país, com torcedores menos inclinados a apoiar clubes de outros estados.

  • Minas Gerais: Equilíbrio entre Cruzeiro e Atlético-MG, com influência regional distinta.
  • Rio Grande do Sul: Forte identidade local limita alcance nacional.
  • Outros estados: Bahia (2,2%) cresce, impulsionado por gestão do grupo City.

Papel da mídia e do marketing

A mídia foi crucial para a consolidação das torcidas. No Rio, o Jornal dos Sports e as transmissões radiofônicas dos anos 1930 e 1940 projetaram o Flamengo. Em São Paulo, a cobertura televisiva a partir dos anos 1970 ampliou a visibilidade do trio de ferro. Hoje, redes sociais e streaming reforçam o engajamento, mas também aumentam a concorrência com clubes internacionais, como Real Madrid e Barcelona, que atraem 30,4% e 16% dos torcedores brasileiros, respectivamente.

O marketing também desempenha um papel central. Clubes como Flamengo e Palmeiras investem em campanhas que reforçam identidades populares, enquanto Corinthians e São Paulo enfrentam críticas por gestões menos modernas.

Influência econômica e social

O futebol move bilhões na economia brasileira. No Rio, os quatro grandes clubes geraram R$ 1,9 bilhão em 2023, segundo estudo da prefeitura carioca. Bares, restaurantes e comércio local se beneficiam em dias de jogos. Em São Paulo, a força econômica da cidade sustenta estádios modernos e patrocínios robustos.

  • Impacto econômico: Jogos movimentam comércio e serviços locais.
  • Identidade social: Torcidas criam senso de pertencimento e comunidade.
  • Gestão moderna: Clubes como Flamengo e Palmeiras se destacam por profissionalismo.

Regionalismo e identidade

O regionalismo molda as torcidas fora do eixo Rio-São Paulo. Em Minas, a rivalidade entre Cruzeiro e Atlético-MG reflete divisões geográficas, com o Cruzeiro forte no interior e o Atlético na capital. No Nordeste, o Bahia cresce com a gestão do grupo City, enquanto no Sul, Grêmio e Internacional dominam por uma forte identidade gaúcha.

A pesquisa O Globo/Ipec-Ipsos mostra que a Zona da Mata mineira tem influência carioca, enquanto o Sul de Minas se aproxima de São Paulo. Esses padrões regionais explicam por que clubes como Flamengo têm alcance nacional, enquanto outros, como Grêmio, são mais regionais.

Desafios para manter torcidas

A queda de Corinthians e São Paulo na pesquisa reflete desafios de gestão. O Corinthians perdeu 3,6% de torcedores desde 2022, enquanto o São Paulo caiu 1,8%. Críticas a administrações pouco transparentes e resultados ruins em campo afastam fãs, especialmente jovens, que se voltam para clubes internacionais.

  • Gestão criticada: Corinthians e São Paulo sofrem com administração ineficiente.
  • Concorrência global: Clubes europeus atraem jovens torcedores brasileiros.
  • Renovação: Investir em categorias de base e marketing é essencial.

Futuro das torcidas brasileiras

A consolidação das torcidas depende de estratégias modernas. Flamengo e Palmeiras lideram por investir em infraestrutura e marketing digital. Clubes como Bahia e Botafogo, com gestões profissionais, mostram crescimento. A pesquisa AtlasIntel de 2025 indica que 45,1% dos torcedores apoiam o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF), que pode atrair investimentos e ampliar bases de fãs.

A influência de clubes estrangeiros, impulsionada por streaming, desafia os brasileiros. Para competir, os clubes precisam reforçar laços com torcedores, investir em experiências nos estádios e explorar novas mídias.