Andrés Sanchez é expulso do quadro de sócios do Corinthians por uso de cartão corporativo em despesas pessoais
O Conselho Deliberativo do Corinthians expulsou o ex-presidente Andrés Sanchez do quadro de associados do clube na noite desta segunda-feira. A reunião ocorreu no Parque São Jorge, na Zona Leste de São Paulo, sob forte esquema de segurança institucional e policial. O motivo da exclusão foi o uso indevido do cartão corporativo da agremiação para o pagamento de despesas pessoais. O parecer que pedia a punição máxima foi elaborado pela Comissão de Ética do órgão. Dos presentes na sessão, 112 conselheiros votaram a favor da cassação do título de sócio, enquanto 49 se posicionaram contra e seis decidiram pela abstenção.
A sessão extraordinária expõe uma ruptura política profunda nos bastidores da instituição alvinegra. O comparecimento registrou 167 integrantes do colegiado, o que representa 58,8% do quórum total habilitado, composto por 84 membros vitalícios ativos e 200 membros trienais. O ex-presidente Mario Gobbi tentou alterar o rito processual no início dos trabalhos ao solicitar que o pleito ocorresse de forma secreta. Ele também questionou se o relatório da Comissão de Ética não deveria contemplar uma suspensão temporária como alternativa à exclusão definitiva. Contudo, o presidente em exercício do Conselho Deliberativo, Leonardo Pantaleão, manteve a determinação de voto aberto com registro nominal.
Detalhes da votação e trâmites para eficácia imediata
A decisão do colegiado corinthiano encerra o rito administrativo interno, sem a necessidade de convocação de uma assembleia-geral para ratificar a punição. A defesa técnica de Andrés Sanchez, composta por três advogados que compareceram ao teatro do Parque São Jorge por volta das 17h30, não se manifestou publicamente após a divulgação do resultado oficial do escrutínio.
O processo de notificação formal ao ex-dirigente já começou a ser estruturado pela mesa diretora do órgão. De acordo com as diretrizes estatutárias, os efeitos da perda do título social passam a valer no momento em que o comunicado for entregue ao ex-mandatário.
- Votos pela expulsão: 112 conselheiros (67,1% do total de presentes)
- Votos contra a expulsão: 49 conselheiros (29,3% do total de presentes)
- Abstenções registradas: 6 conselheiros (3,6% do total de presentes)
- Total de conselheiros votantes: 167 participantes
- Percentual de comparecimento: 58,8% do Conselho Deliberativo
Clima tenso na sede social e manifestações de torcedores
A movimentação nos arredores da sede social do Corinthians começou ainda no período da tarde, com a chegada de integrantes de torcidas organizadas. Faixas com cobranças direcionadas aos conselheiros foram estendidas nas grades da entrada principal, exigindo rigor na votação e punição aos responsáveis por prejuízos financeiros ao clube. Pela manhã, cartazes em defesa de Andrés Sanchez haviam sido colocados no local por aliados políticos, mas acabaram retirados pelos manifestantes contrários à permanência do ex-presidente.
Um caminhão de som foi estacionado na frente do Parque São Jorge para reproduzir hinos tradicionais do time e músicas de protesto voltadas à gestão financeira. A segurança interna do Corinthians trabalhou em conjunto com equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil para cercar as vias de acesso e garantir que os conselheiros entrassem no teatro sem sofrer tentativas de agressão ou intimidação física. Apesar do ambiente de extrema rivalidade política e dos gritos de protesto da torcida, o monitoramento policial informou que não houve registro de confrontos ou tumultos na região.
Autonomia institucional e possibilidade de disputa nos tribunais
A liderança do Conselho Deliberativo ressaltou que o encerramento do caso na esfera do clube é definitivo e soberano. Leonardo Pantaleão explicou na saída do prédio que o estatuto confere total independência ao grupo para julgar a conduta de seus pares e de ex-gestores em casos de desvio de finalidade administrativa.
O ex-presidente possui a prerrogativa constitucional de acionar o Poder Judiciário caso considere que houve cerceamento de defesa ou vício de forma no processo interno. A diretoria corinthiana pontuou que o direito de ação é garantido a qualquer cidadão, mas reiterou que o trâmite esportivo e associativo está esgotado a partir da consolidação desta ata. Andrés Sanchez presidiu o Corinthians em dois períodos diferentes e foi um dos nomes mais influentes do clube nas últimas duas décadas, o que torna a punição um marco histórico na política da equipe de Parque São Jorge.
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