A BB Seguridade (BBSE3) anunciou um lucro líquido de R$ 2,2 bilhões no segundo trimestre de 2025, um crescimento de 19,7% em relação ao mesmo período de 2024, conforme relatório divulgado nesta segunda-feira (4). O resultado, que atendeu às expectativas da Bloomberg, foi impulsionado pela forte performance financeira, com destaque para a gestão da holding e o aumento do saldo das aplicações financeiras das empresas do grupo. Apesar do avanço, a companhia enfrentou desafios com a queda na emissão de prêmios da Brasilseg, especialmente nos segmentos agrícola e prestamista, o que levou à revisão das projeções (guidance) para 2025. A notícia reflete a resiliência da empresa em um cenário de volatilidade, mas também aponta preocupações com o desempenho operacional. O lucro robusto foi sustentado por uma melhora significativa no resultado financeiro combinado, que cresceu 69%, beneficiado pela alta da Selic e pela gestão eficiente de ativos. No entanto, os prêmios emitidos pela Brasilseg recuaram, pressionando as perspectivas para o ano.
A companhia destacou que, mesmo em um ambiente desafiador, com ajustes regulatórios e volatilidade de mercado, conseguiu manter uma rentabilidade expressiva, com o retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE) próximo de 90%. A revisão do guidance, no entanto, sinaliza cautela, com projeções mais conservadoras para o crescimento dos prêmios e do resultado operacional.
- Destaques do balanço do 2T25: Lucro líquido de R$ 2,2 bilhões, alta de 19,7% ante 2T24.
- Queda nos prêmios: Brasilseg emitiu R$ 3,7 bilhões, recuo de 0,5% ano a ano.
- Revisão do guidance: Projeções ajustadas para prêmios e resultado operacional.
- Fator financeiro: Resultado financeiro combinado cresceu 69%, puxado pela Selic.
Desempenho financeiro e operacional
O lucro líquido de R$ 2,2 bilhões no 2T25 foi impulsionado principalmente pelo resultado financeiro combinado, que atingiu R$ 464 milhões, um salto de 69% em relação ao 2T24. A alta foi sustentada pela elevação da taxa Selic, que favoreceu as carteiras pós-fixadas, pela redução do custo do passivo da Brasilprev e pela marcação a mercado positiva dos investimentos. A gestão eficiente do saldo médio das aplicações financeiras também contribuiu para o desempenho. No segmento de seguros, a Brasilseg registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 1,26 bilhão, alta de 25,4% ante o 2T24, beneficiada por uma queda de 5,7 pontos percentuais no índice de sinistralidade, que atingiu 27,74%.
Por outro lado, a emissão de prêmios da Brasilseg caiu 0,5% em relação ao 2T24, totalizando R$ 3,7 bilhões, e recuou 7,6% frente ao 1T25. No acumulado do primeiro semestre, a queda foi de 3,4%, bem abaixo do guidance inicial, que previa crescimento de 2% a 7%. A retração foi puxada pelos segmentos agrícola, com tombo de 22,9% devido ao menor volume de vendas e à queda do prêmio médio, e prestamista, que recuou 4,9% por menor demanda no segmento de pessoa jurídica.
- Lucro da Brasilseg: Alta de 25,4%, alcançando R$ 1,26 bilhão.
- Sinistralidade: Queda de 5,7 p.p., para 27,74%, beneficiando o resultado.
- Prêmios agrícolas: Recuo de 22,9%, impactado por vendas e prêmio médio.
- Prêmios prestamista: Queda de 4,9% no segmento de pessoa jurídica.
Revisão do guidance para 2025
A revisão do guidance reflete os desafios enfrentados pela BB Seguridade no 2T25. Inicialmente, a companhia projetava um crescimento de 3% a 8% no resultado operacional não decorrente de juros (ex-holdings), mas o intervalo foi reduzido para 1% a 4%, com o resultado observado no semestre em 7,4%. Nos prêmios emitidos pela Brasilseg, a projeção inicial de alta de 2% a 7% foi ajustada para uma faixa de -4% a 1%, após o desempenho negativo de 3,4% no primeiro semestre. Para as reservas de previdência PGBL e VGBL da Brasilprev, a expectativa passou de 12% a 16% para 9% a 12%, com crescimento de 9,8% no semestre.
A revisão sinaliza uma abordagem mais cautelosa, considerando a volatilidade no mercado e os desafios nos segmentos agrícola e prestamista. Apesar disso, a companhia mantém otimismo com a recuperação gradual dos prêmios, impulsionada pelo seguro prestamista para pessoas físicas, que cresceu 5,5%, e pela expectativa de maior demanda por crédito consignado e seguros agrícolas.
- Resultado operacional: Projeção ajustada de 3%-8% para 1%-4%.
- Prêmios da Brasilseg: Expectativa revisada de 2%-7% para -4% a 1%.
- Reservas da Brasilprev: Projeção reduzida de 12%-16% para 9%-12%.
- Fatores de recuperação: Crescimento no seguro prestamista e demanda agrícola.
Resultados por segmento
No segmento de previdência, a Brasilprev registrou lucro líquido de R$ 356 milhões, alta de 19,8% em relação ao 2T24, impulsionada pela redução do custo do passivo e pela melhora no resultado financeiro. No entanto, as contribuições para planos de previdência caíram 20% em relação ao 1T24, totalizando R$ 13,4 bilhões, o que reflete uma captação líquida negativa de R$ 1,5 bilhão no 1T25. A BB Seguridade espera uma retomada gradual, apoiada por ajustes na estratégia comercial e na oferta de produtos.
Na capitalização, a Brasilcap teve alta de 4,7% no lucro, alcançando R$ 54 milhões, com destaque para o produto Ourocap 30 Anos, que impulsionou a arrecadação em 24,1%. O crescimento foi sustentado pelo aumento nas receitas de cota de carregamento. Já na corretagem, a BB Corretora reportou lucro líquido de 11,2% maior, beneficiada por uma alta de 5,6% nas receitas de corretagem e de 54,3% no resultado financeiro.
- Brasilprev: Lucro de R$ 356 milhões, alta de 19,8% ante 2T24.
- Brasilcap: Lucro de R$ 54 milhões, com alta de 24,1% na arrecadação.
- BB Corretora: Crescimento de 11,2% no lucro, puxado por receitas.
- Ourocap 30 Anos: Produto destaque com forte desempenho na captação.
Perspectivas e dividendos
A BB Seguridade mantém sua reputação como uma das principais pagadoras de dividendos do mercado brasileiro, com um dividend yield estimado de 11,05% nos últimos 12 meses. Para o 1S25, a companhia anunciou a distribuição de R$ 3,77 bilhões em dividendos, equivalente a R$ 1,94 por ação, com data de corte em 14 de agosto e pagamento em 26 de agosto. Esse montante representa um yield de 5,8% apenas para o semestre, reforçando o apelo da empresa para investidores focados em renda.
Apesar dos desafios com os prêmios, analistas seguem otimistas. A Genial Investimentos reiterou a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 46,00, projetando um lucro de R$ 9,04 bilhões para 2025, alta de 10,9%. A Monte Bravo e a Goldman Sachs também mantêm recomendação de compra, com preços-alvo de R$ 43,00, destacando a resiliência da companhia em cenários de juros altos e seu perfil defensivo.
- Dividendos anunciados: R$ 3,77 bilhões, ou R$ 1,94 por ação.
- Dividend yield: 5,8% no 1S25 e 11,05% nos últimos 12 meses.
- Recomendações: Genial, Monte Bravo e Goldman Sachs mantêm compra.
- Preço-alvo médio: R$ 44,00, com upside de cerca de 30%.
Mercado e contexto setorial
O setor de seguros no Brasil enfrenta um cenário de alta competitividade e ajustes regulatórios, mas a BB Seguridade se destaca por sua integração com o Banco do Brasil e pela solidez financeira. A queda nos prêmios agrícolas reflete um momento de menor demanda por crédito rural, enquanto o segmento prestamista sofre com a retração no crédito para pessoas jurídicas. No entanto, a empresa aposta em uma recuperação gradual, apoiada pela expansão do crédito consignado e pela maior conscientização sobre riscos climáticos, que podem impulsionar os seguros agrícolas.
A manutenção da Selic em patamares elevados segue como um fator positivo, beneficiando as carteiras pós-fixadas da companhia. Além disso, a BB Seguridade investe em tecnologia e novos produtos, como seguros para áreas de conservação e equipamentos não financiados, visando diversificar sua base de receitas. O cenário macroeconômico, com volatilidade nos mercados globais, reforça a atratividade da empresa como ativo defensivo.
- Setor de seguros: Alta competitividade e ajustes regulatórios.
- Selic elevada: Beneficia carteiras pós-fixadas da companhia.
- Novos produtos: Foco em seguros para conservação e equipamentos.
- Cenário macro: Volatilidade global reforça perfil defensivo.

