A Justiça do Rio de Janeiro suspendeu, em decisão liminar, o aumento das tarifas de intercâmbio da Mastercard e determinou que o Itaú pare de recusar transações com cartões de crédito via carteiras digitais, como Apple Pay e Google Pay, sem justificativas técnicas. A medida, publicada em 5 de agosto de 2025, atende a uma ação movida pela Associação Brasileira de Internet (Abranet) e pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor e Trabalhador (Abradecont), que acusam as empresas de práticas anticompetitivas. A decisão visa proteger consumidores e empreendedores, evitando custos adicionais e barreiras no uso de plataformas digitais de pagamento.
A ação judicial destaca que as práticas da Mastercard e do Itaú prejudicam o mercado ao limitar a concorrência e impor ônus aos consumidores. As entidades alegam que as tarifas elevadas da Mastercard, repassadas aos estabelecimentos, encarecem produtos e serviços, enquanto as recusas do Itaú inviabilizam transações digitais essenciais. O juiz Marcelo Lima, da 2ª Vara Empresarial do Rio, considerou os argumentos pertinentes, apontando os consumidores como principais afetados.
- Aumento das tarifas da Mastercard eleva custos para lojistas.
- Recusas do Itaú limitam o uso de carteiras digitais.
- Decisão judicial busca promover concorrência no setor.
O processo reflete uma disputa crescente entre instituições financeiras tradicionais e novas tecnologias de pagamento, que ganham espaço no Brasil.
Reação do mercado às tarifas elevadas
A suspensão do aumento das tarifas de intercâmbio da Mastercard trouxe alívio temporário ao setor varejista. Essas tarifas, cobradas nas transações com cartão, impactam diretamente os custos operacionais de lojistas, que frequentemente repassam o valor aos consumidores. A Abranet destacou que o reajuste da Mastercard poderia inviabilizar economicamente o uso de carteiras digitais, afetando pequenos e médios negócios que dependem dessas plataformas para vendas online.
O juiz Marcelo Lima, em sua decisão, reconheceu a relevância do pedido de suspensão, apontando que os sucessivos aumentos tarifários geram um efeito cascata no mercado. Ele também classificou as negativas de transações por parte do Itaú como uma prática que prejudica diretamente o consumidor final, limitando o acesso a métodos de pagamento modernos.
- Tarifas de intercâmbio: cobradas por operadoras de cartão nas transações.
- Impacto no varejo: lojistas enfrentam custos elevados, repassados aos clientes.
- Carteiras digitais: plataformas como Apple Pay e Samsung Pay ganham popularidade.
- Efeito no consumidor: aumento de preços e barreiras em pagamentos digitais.
A decisão judicial reforça a necessidade de equilíbrio entre as práticas das instituições financeiras e a proteção do consumidor.
Práticas questionadas na Justiça
A ação movida pela Abranet e pela Abradecont questiona a relação das empresas com as carteiras digitais, plataformas que permitem pagamentos via celular, simulando cartões de crédito e débito. As entidades argumentam que as práticas do Itaú e da Mastercard visam restringir a concorrência, concentrando o mercado de pagamentos em poucas mãos. A recusa sistemática de transações por parte do Itaú, segundo as associações, carece de justificativas técnicas sólidas e prejudica o avanço de soluções digitais.
A Mastercard, por sua vez, defende que suas tarifas estão alinhadas com as normas do Banco Central e que a ação judicial representa uma tentativa de litigância predatória. O Itaú alega que suas recusas são baseadas em análises de risco de crédito e critérios técnicos, negando qualquer intenção discriminatória. Contudo, o juiz Marcelo Lima destacou que tais alegações precisam ser comprovadas nos autos, mantendo a suspensão das práticas até uma análise mais aprofundada.
- Objetivo da ação: combater práticas anticompetitivas no setor de pagamentos.
- Argumentos das entidades: aumento de custos e barreiras ao uso de carteiras digitais.
- Defesa das empresas: conformidade com normas e análise de risco.
- Decisão liminar: suspensão imediata das práticas questionadas.
O processo expõe tensões entre bancos tradicionais e o avanço das fintechs, que oferecem alternativas mais acessíveis aos consumidores.
Impacto para consumidores e varejistas
A decisão judicial beneficia diretamente consumidores e varejistas, que enfrentam custos crescentes no uso de cartões e carteiras digitais. Com a suspensão do aumento das tarifas, os estabelecimentos comerciais podem manter preços mais competitivos, enquanto os consumidores ganham maior liberdade para usar plataformas digitais sem restrições injustificadas. A medida também fortalece a posição de carteiras digitais no mercado, que se tornaram essenciais para transações rápidas e seguras.
A Abradecont enfatizou que as práticas da Mastercard e do Itaú afetam especialmente pequenos empreendedores, que dependem de soluções digitais para competir com grandes varejistas. A liminar, portanto, é vista como um passo para garantir maior inclusão financeira e tecnológica no Brasil.
- Benefícios para consumidores: mais opções de pagamento sem custos extras.
- Impacto no varejo: redução de custos operacionais para lojistas.
- Inclusão financeira: fortalecimento de soluções digitais acessíveis.
- Competitividade: pequenos negócios ganham espaço no mercado.
A decisão pode incentivar outras ações judiciais contra práticas semelhantes no setor financeiro.
Contexto do mercado de pagamentos digitais
O mercado de pagamentos digitais no Brasil vive um momento de expansão, com carteiras digitais como Google Pay, Apple Pay e Samsung Pay ganhando popularidade. Essas plataformas permitem transações rápidas e seguras, reduzindo a dependência de cartões físicos. No entanto, o aumento das tarifas de intercâmbio e as restrições impostas por bancos tradicionais criam barreiras para a adoção dessas tecnologias.
Dados recentes apontam que o uso de carteiras digitais cresceu significativamente no Brasil, com milhões de transações realizadas mensalmente. A decisão judicial pode acelerar essa tendência, ao garantir que consumidores e lojistas tenham acesso a essas ferramentas sem custos adicionais ou recusas injustificadas.
- Crescimento das carteiras digitais: aumento de 30% no uso em 2024.
- Popularidade: Google Pay e Apple Pay lideram entre os consumidores.
- Barreiras: tarifas elevadas e recusas limitam expansão.
- Perspectiva: decisão judicial pode impulsionar adoção de tecnologias digitais.
O setor aguarda os próximos passos do processo, que podem redefinir as práticas de grandes instituições financeiras.
Resposta das empresas e próximos passos
O Itaú e a Mastercard já se manifestaram, defendendo a legalidade de suas práticas. O banco reiterou que suas decisões são baseadas em análises técnicas, enquanto a operadora de cartões afirmou estar em conformidade com as regulamentações do Banco Central. Ambas as empresas devem apresentar provas nos autos para sustentar suas alegações, conforme determinado pelo juiz.
A decisão liminar, embora temporária, estabelece um precedente importante para o setor financeiro. Caso a suspensão seja mantida, outras instituições podem enfrentar questionamentos semelhantes, forçando uma revisão de práticas que impactam o consumidor final. O processo também destaca a importância de órgãos reguladores, como o Banco Central, na fiscalização do mercado de pagamentos.
- Defesa do Itaú: análise de risco como justificativa para recusas.
- Posição da Mastercard: conformidade com normas regulatórias.
- Próximos passos: apresentação de provas no processo judicial.
- Precedente: decisão pode influenciar outras ações no setor.
O desfecho do caso será acompanhado de perto por consumidores, varejistas e reguladores.

