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Trump revoluciona aposentadorias com criptomoedas e ativos alternativos

Donald Trump
Foto: Donald Trump - Foto: Jonah Elkowitz / Shutterstock.com

Donald Trump assinou, em 7 de agosto de 2025, uma ordem executiva em Washington que permite a inclusão de criptomoedas, private equity e outros ativos alternativos em contas de aposentadoria nos Estados Unidos, como os planos 401(k). A medida, anunciada na Casa Branca, busca diversificar investimentos e oferecer maior segurança financeira aos aposentados, flexibilizando um setor historicamente conservador. Avaliado em US$ 12,5 trilhões, o mercado de planos 401(k) agora se abre para opções mais especulativas, como Bitcoin e fundos de investimento privado, após intensa pressão de gestoras e empresas do setor cripto. A iniciativa visa aliviar encargos regulatórios e ampliar oportunidades para mais de 90 milhões de trabalhadores americanos, mas levanta debates sobre os riscos de ativos voláteis em poupanças de longo prazo.

A ordem orienta a Securities and Exchange Commission (SEC) a criar normas que facilitem a integração desses ativos nos planos de aposentadoria. Antes do anúncio, o mercado reagiu com otimismo: o Bitcoin subiu 2%, ultrapassando US$ 117.400, enquanto Ether e XRP registraram altas de 4% e 2%, respectivamente. Ações de empresas como Coinbase e Robinhood também tiveram valorização significativa.

A decisão marca uma mudança significativa na política de investimentos para aposentadorias, que tradicionalmente priorizam ativos de baixo risco, como ações e títulos. A seguir, os principais pontos da ordem executiva:

  • Permite investimentos em criptomoedas, private equity e imóveis.
  • Busca retornos competitivos e maior diversificação.
  • Afeta diretamente os planos 401(k), patrocinados por empregadores.
  • Reduz barreiras regulatórias para gestoras de ativos.

Mudança histórica no mercado de aposentadorias

A inclusão de ativos alternativos nos planos 401(k) representa uma transformação no mercado de aposentadorias dos EUA. Até então, esses planos, que permitem contribuições salariais antes da tributação, limitavam-se a fundos de ações, títulos ou produtos indexados. A ordem de Trump, assinada em 7 de agosto, rompe com essa tradição, oferecendo aos trabalhadores acesso a investimentos antes restritos a grandes investidores ou fundos de pensão públicos. A Casa Branca destacou que mais de 90 milhões de americanos participam desses planos, mas a maioria não tinha acesso a ativos de maior retorno potencial.

A medida responde a um lobby intenso de gestoras como BlackRock e KKR, que enxergam nos planos 401(k) um mercado de US$ 9 trilhões a US$ 12,5 trilhões. Essas empresas argumentam que ativos alternativos, como imóveis e infraestrutura, podem proteger investidores em momentos de volatilidade. Larry Fink, presidente da BlackRock, defendeu a iniciativa, afirmando que ativos privados são legais, benéficos e cada vez mais transparentes.

Por outro lado, especialistas alertam para os riscos. Criptomoedas, por exemplo, são conhecidas por sua alta volatilidade, com o Bitcoin registrando variações de preço de até 20% em curtos períodos. A falta de liquidez em private equity também preocupa, já que esses investimentos podem travar o capital por anos.

Reações do mercado financeiro

O anúncio da ordem executiva gerou impacto imediato no mercado financeiro. Antes mesmo da assinatura, o setor cripto já mostrava sinais de euforia. A Coinbase, maior corretora de criptomoedas de capital aberto, viu suas ações subirem mais de 2% no pregão de 7 de agosto. Empresas como Robinhood e Strategy registraram altas de 5% e 4%, respectivamente.

No mercado de criptoativos, as principais moedas digitais reagiram positivamente:

  • Bitcoin: Alta de 2%, negociado acima de US$ 117.400.
  • Ether: Crescimento de 4%, refletindo confiança no Ethereum.
  • XRP: Valorização de 2%, impulsionada por expectativas de adoção.
  • Ações de corretoras: Coinbase, Robinhood e Strategy com ganhos expressivos.

A valorização reflete o entusiasmo de investidores com a possibilidade de acessar o varejo por meio dos planos 401(k). Empresas de criptomoedas, que há anos buscam legitimidade no mercado financeiro tradicional, veem na medida uma oportunidade de expansão.

president Trump
president Trump – Foto: noamgalai / Shutterstock.com

Pressões e interesses por trás da medida

A ordem executiva não surgiu do vácuo. Nos últimos meses, grupos de private equity e empresas de criptoativos intensificaram esforços em Washington para influenciar a administração Trump. O mercado de aposentadorias, com seu potencial de US$ 12,5 trilhões, é um alvo estratégico para essas indústrias. A pressão incluiu reuniões com autoridades e campanhas para destacar os benefícios da diversificação de investimentos.

A BlackRock, uma das maiores gestoras de ativos do mundo, foi uma das vozes mais ativas. Em sua carta anual, Larry Fink argumentou que ativos alternativos podem oferecer retornos superiores e proteção contra quedas de mercado. A KKR, outra gigante do setor, também apoia a medida, enxergando uma chance de expandir sua participação nos planos de aposentadoria.

No entanto, críticos apontam possíveis conflitos de interesse. A proximidade de Trump com figuras do setor cripto, como sua parceria com a plataforma World Liberty Financial e o lançamento da memecoin “Trump” em janeiro de 2025, levanta questionamentos. Alguns analistas sugerem que a medida pode beneficiar diretamente aliados do presidente, enquanto expõe trabalhadores a riscos financeiros elevados.

Riscos e críticas à flexibilização

Embora a ordem executiva seja apresentada como uma forma de democratizar investimentos, há preocupações significativas. Criptomoedas, por exemplo, são ativos de alto risco, com histórico de quedas abruptas. Em 2022, o Bitcoin perdeu mais de 60% de seu valor em poucos meses, impactando investidores despreparados. Private equity, por sua vez, exige compromissos de longo prazo, o que pode limitar o acesso dos trabalhadores aos seus fundos em momentos de necessidade.

Especialistas em finanças pessoais alertam para os seguintes riscos:

  • Volatilidade: Criptomoedas podem sofrer variações extremas de preço.
  • Liquidez: Ativos como private equity têm baixa liquidez, dificultando saques.
  • Custos: Taxas de administração de fundos alternativos são elevadas.
  • Risco regulatório: A SEC ainda precisa definir normas claras para esses investimentos.

Organizações de defesa do consumidor também questionam a medida. Grupos como Accountable.US destacaram que a inclusão de ativos especulativos pode expor trabalhadores a perdas significativas, enquanto gestoras e corretoras lucram com taxas elevadas.

O papel da SEC e os próximos passos

A ordem executiva delega à SEC a tarefa de criar regulamentações que facilitem a inclusão de ativos alternativos nos planos 401(k). A agência, responsável por proteger investidores, enfrentará o desafio de equilibrar inovação com segurança financeira. A expectativa é que as normas sejam publicadas nos próximos meses, com consultas públicas e revisões antes da implementação plena.

A SEC terá que abordar questões como:

  • Limites de alocação: Quanto dos planos 401(k) poderá ser investido em ativos alternativos?
  • Transparência: Como garantir que trabalhadores compreendam os riscos?
  • Fiscalização: Como monitorar a atuação de gestoras e corretoras?

A agência também enfrentará pressão de investidores institucionais e do público. Enquanto gestoras defendem a flexibilização, trabalhadores e sindicatos exigem garantias contra perdas. A implementação das normas será crucial para determinar o impacto da medida a longo prazo.

Implicações para o futuro das aposentadorias

A decisão de Trump pode redefinir o cenário das aposentadorias nos EUA. Ao abrir espaço para ativos alternativos, o governo busca atrair uma nova geração de investidores, que já demonstra interesse em criptomoedas. Pesquisas indicam que 40% dos americanos entre 18 e 34 anos possuem algum tipo de criptoativo, um número que cresce anualmente.

Por outro lado, a medida pode aumentar a desigualdade financeira. Investidores com maior educação financeira podem se beneficiar, enquanto trabalhadores menos experientes correm o risco de perdas significativas. A falta de clareza sobre como a SEC regulamentará esses investimentos mantém o mercado em compasso de espera.

A iniciativa também reflete a visão de Trump de desregulamentação. Durante seu segundo mandato, o presidente assinou diversas ordens executivas voltadas para reduzir barreiras regulatórias, como a que combate a discriminação política por bancos e a criação de uma reserva estratégica de Bitcoin. A inclusão de criptomoedas em planos de aposentadoria reforça essa agenda, mas seu sucesso dependerá da capacidade de equilibrar inovação com proteção ao trabalhador.