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Miguel Uribe, pré-candidato à presidência da Colômbia, morre após dois meses de luta contra atentado

Miguel Uribe
Miguel Uribe - Foto: Instagram

Em 11 de agosto de 2025, a Colômbia acordou com a trágica notícia da morte do senador e pré-candidato presidencial Miguel Uribe Turbay, de 39 anos, vítima de um atentado a tiros ocorrido em 7 de junho, no bairro Modelia, em Bogotá. Baleado na cabeça e na perna enquanto discursava em um evento de campanha, Uribe permaneceu mais de dois meses em estado crítico na Fundação Santa Fe, onde faleceu devido a complicações de uma hemorragia no sistema nervoso central. O ataque, perpetrado por um adolescente de 15 anos, reacendeu o debate sobre a violência política no país, remetendo a episódios sombrios das décadas de 1980 e 1990. A morte do senador, uma das figuras mais promissoras do Centro Democrático, gerou comoção nacional e internacional, com manifestações de repúdio à violência e pedidos por justiça.

A trajetória de Uribe, marcada por uma ascensão meteórica na política colombiana, foi interrompida brutalmente, levantando questionamentos sobre a segurança de líderes políticos e o impacto na democracia do país. Ele deixa esposa, María Claudia Tarazona, um filho de quatro anos e três enteadas, além de um legado de luta contra a violência e pela defesa de instituições democráticas.

O atentado ocorreu em um momento de crescente polarização política, às vésperas das eleições presidenciais de 2026. Enquanto discursava sobre saúde mental, Uribe foi surpreendido por disparos a curta distância, que o deixaram em estado grave. A rápida resposta das autoridades resultou na prisão do atirador e de outros cinco suspeitos, mas as investigações ainda não esclareceram completamente as motivações por trás do crime.

  • Principais fatos do caso:
    • Atentado ocorreu em 7 de junho de 2025, no bairro Modelia, Bogotá.
    • Uribe foi baleado duas vezes na cabeça e uma na perna.
    • Um menor de 15 anos foi detido como autor material do ataque.
    • Outros cinco adultos são investigados por planejamento e encobrimento.

Detalhes do atentado em Bogotá

O ataque contra Miguel Uribe Turbay aconteceu às 17h23 de 7 de junho, no Parque El Golfito, bairro Modelia, em Fontibón, Bogotá. Enquanto o senador falava a uma multidão em um evento de pré-campanha, um adolescente de 15 anos, camuflado entre os presentes, disparou três vezes contra ele. Dois tiros atingiram a cabeça e um a perna esquerda, causando lesões graves que exigiram intervenção neurocirúrgica imediata. O agressor foi capturado minutos após o ataque, com uma arma de fogo em mãos, e confessou ter agido “por dinheiro” e “pela família”, segundo vídeos que circularam nas redes sociais.

A resposta das autoridades foi rápida. O menor foi levado à Clínica Colombia, onde recebeu atendimento por um ferimento na perna, e cinco adultos foram presos, incluindo Elder José Arteaga Hernández, conhecido como “El Costeño”, apontado como possível coordenador do atentado. A Procuradoria-Geral da Colômbia assumiu a investigação, que ainda busca esclarecer se o crime teve motivações políticas ou ligações com grupos criminosos.

A violência do ataque chocou o país. Imagens mostram Uribe caindo na tarima improvisada, envolto em sangue, enquanto apoiadores tentavam socorrê-lo. A ambulância chegou rapidamente, e ele foi levado à Clínica Medicentro antes de ser transferido para a Fundação Santa Fe, onde passou por várias cirurgias.

  • Elementos do ataque:
    • Local: Parque El Golfito, bairro Modelia, Fontibón.
    • Arma: Pistola de 9 mm, usada por um menor de 15 anos.
    • Contexto: Evento de campanha com apoiadores e esquema de segurança misto.
    • Resposta imediata: Captura do atirador e ativação de alerta vermelha na rede hospitalar.

Trajetória política de Miguel Uribe

Miguel Uribe Turbay nasceu em 28 de janeiro de 1986, em Bogotá, em uma família com forte tradição política. Neto do ex-presidente Julio César Turbay Ayala (1978-1982) e filho da jornalista Diana Turbay, assassinada em 1991 pelo Cartel de Medellín, Uribe cresceu sob a sombra de tragédias e responsabilidades. Formado em Direito pela Universidade de Los Andes e com mestrado em Políticas Públicas por Harvard, ele ingressou na política aos 25 anos, quando foi eleito concejal de Bogotá pelo Partido Liberal, em 2012.

Entre 2016 e 2018, Uribe atuou como secretário de Governo na administração de Enrique Peñalosa, destacando-se pela postura firme contra a criminalidade e pela defesa de políticas públicas voltadas à segurança. Em 2022, tornou-se o senador mais votado da Colômbia pelo Centro Democrático, partido de oposição liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe Vélez. Sua pré-candidatura à presidência em 2026 o colocava como uma das principais vozes contra o governo de Gustavo Petro, com críticas contundentes à política de “paz total” e à segurança pública.

  • Marcos da carreira:
    • 2012-2015: Concejal de Bogotá pelo Partido Liberal.
    • 2016-2018: Secretário de Governo na gestão Peñalosa.
    • 2022: Senador mais votado pelo Centro Democrático.
    • 2025: Pré-candidato à presidência para as eleições de 2026.

Reações à morte de Uribe

A morte de Miguel Uribe Turbay gerou uma onda de comoção em toda a Colômbia. O ex-presidente Álvaro Uribe Vélez publicou uma mensagem emocionada: “O mal tudo destrói, mataram a esperança. Que a luta de Miguel seja luz que ilumine o caminho correto da Colômbia.” A senadora María Fernanda Cabal também lamentou: “Colombia perde um homem íntegro, com todas as capacidades para construir um país melhor.”

O presidente Gustavo Petro condenou o atentado logo após o ocorrido, ordenando investigações e afirmando que o ataque era um golpe à democracia. O governo colombiano, por meio de um comunicado, classificou o ato como “inaceitável” e anunciou uma recompensa de até 3 bilhões de pesos por informações que levem aos responsáveis. No âmbito internacional, o Itamaraty expressou solidariedade, enquanto o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, condenou veementemente o ataque.

Milhares de colombianos saíram às ruas em 15 de junho, em cidades como Bogotá e Cartagena, para protestar contra a violência política. Vigílias e cadeias de oração marcaram os dias seguintes ao atentado, com apoiadores reunidos em frente à Fundação Santa Fe.

  • Declarações marcantes:
    • Álvaro Uribe Vélez: “Mataram a esperança.”
    • María Fernanda Cabal: “Colombia perde um homem íntegro.”
    • Governo colombiano: “Um ataque à democracia e à liberdade de pensamento.”
    • Itamaraty: “O Brasil condena firmemente o ataque.”

A luta pela vida na Fundação Santa Fe

Após o atentado, Miguel Uribe foi internado na Unidade de Cuidados Intensivos da Fundação Santa Fe, onde passou por múltiplas cirurgias neurocirúrgicas. A primeira intervenção, realizada na noite de 7 de junho, buscou estabilizar o quadro causado pelos disparos na cabeça. Nos dias seguintes, os médicos reportaram uma leve melhora, com redução do edema cerebral e estabilização hemodinâmica, o que trouxe esperanças à família e aos apoiadores.

No entanto, a situação permaneceu crítica. Em 9 de agosto, Uribe sofreu uma hemorragia intracraniana que exigiu nova cirurgia de emergência. Apesar dos esforços da equipe liderada pelo renomado neurocirurgião Fernando Hakim, o senador não resistiu às complicações. A Fundação Santa Fe informou que, nas últimas 48 horas, o quadro se agravou devido a um edema cerebral persistente, culminando em seu falecimento na madrugada de 11 de agosto.

  • Procedimentos médicos:
    • 7 de junho: Neurocirurgia de emergência para conter danos cerebrais.
    • Julho: Traqueostomía e gastrostomía para suporte prolongado.
    • 9 de agosto: Cirurgia de urgência por hemorragia intracraniana.
    • 11 de agosto: Óbito confirmado após complicações neurológicas.

Impacto na política colombiana

A morte de Uribe Turbay reacendeu o temor de uma nova onda de violência política na Colômbia, um país marcado por assassinatos de líderes como Luis Carlos Galán (1989), Bernardo Jaramillo Ossa (1990) e Carlos Pizarro Leongómez (1990). O atentado contra Uribe, aliado à fuga de um menor envolvido no caso de um centro de proteção do Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (ICBF), levantou críticas sobre a segurança de figuras públicas e a eficácia das investigações.

A polarização política, intensificada pela proximidade das eleições de 2026, também ganhou destaque. O Centro Democrático acusou o governo Petro de negligência na proteção de opositores, enquanto o presidente respondeu que a segurança de Uribe foi “estranhamente” reduzida no dia do ataque. A sociedade colombiana, em luto, clama por união contra a violência que ameaça a democracia.

  • Casos históricos de violência política:
    • 1989: Assassinato de Luis Carlos Galán, candidato presidencial.
    • 1990: Assassinatos de Bernardo Jaramillo Ossa e Carlos Pizarro Leongómez.
    • Anos 1990: Tentativas de assassinato contra Álvaro Uribe Vélez.
    • 2025: Atentado contra Miguel Uribe Turbay.

Investigação em andamento

A Procuradoria-Geral da Colômbia segue investigando o atentado, com seis pessoas detidas, incluindo o menor de 15 anos que disparou contra Uribe. Um segundo menor, de 17 anos, envolvido na planejamento do ataque, fugiu de um centro do ICBF em julho, gerando críticas à segurança do sistema de proteção. A hipótese de motivação política não foi descartada, mas também se considera a possibilidade de envolvimento de grupos criminosos.

A captura de Elder José Arteaga Hernández, apontado como coordenador do crime, é vista como um avanço, mas a falta de clareza sobre os mandantes mantém a investigação em aberto. O governo colombiano prometeu intensificar os esforços para esclarecer o caso e evitar novos episódios de violência.

  • Situação atual da investigação:
    • Seis detidos, incluindo o atirador de 15 anos.
    • Elder José Arteaga Hernández, “El Costeño”, suspeito de coordenar o ataque.
    • Menor de 17 anos foragido após escapar de centro de proteção.
    • Recompensa de 3 bilhões de pesos por informações.
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