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Carne bovina vira luxo nos EUA após tarifas de Trump atingirem Brasil

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Foto: carnes - Alex Segre/shutterstock.com
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Os preços da carne bovina nos Estados Unidos atingiram níveis recordes após a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelo presidente Donald Trump, em vigor desde 1º de agosto de 2025. Brasileiros residentes no país relataram dificuldades para comprar carne, com bandejas chegando a custar US$ 69 em supermercados. A medida, que visa proteger a economia americana, impacta diretamente as exportações brasileiras, principal fonte de carne bovina para os EUA, e eleva os custos para consumidores. O Brasil, maior exportador de carne para o mercado americano, enfrenta perdas estimadas em US$ 1 bilhão, enquanto os preços internos no país podem cair devido ao aumento da oferta. A alta nos EUA reflete a redução do rebanho local e a dependência de importações, agravadas pelas novas tarifas.

A situação gerou indignação entre brasileiros nos EUA, que compartilharam nas redes sociais o choque com os preços. Uma bandeja de frango com osso custa US$ 12,28, enquanto a carne bovina para bife ultrapassa US$ 50. A crise também reacende debates sobre o impacto das políticas protecionistas de Trump no comércio global e na vida cotidiana.

  • Preços recordes: Carne bovina chegou a US$ 69 por bandeja em alguns mercados.
  • Impacto no Brasil: Exportações podem cair, com prejuízo de até US$ 1 bilhão.
  • Reação dos consumidores: Brasileiros nos EUA relatam dificuldade para comprar carne.

Preços da carne nos supermercados americanos

A disparada nos preços da carne nos Estados Unidos pegou consumidores de surpresa. Em vídeos compartilhados nas redes sociais, brasileiros mostraram bandejas de carne bovina custando até US$ 69, um valor considerado exorbitante. Antes das tarifas, o preço médio de uma bandeja semelhante variava entre US$ 16 e US$ 17. A carne moída, usada amplamente em hambúrgueres, subiu 10% no primeiro semestre de 2025, atingindo US$ 6,12 por libra (cerca de 450 gramas), segundo o Bureau of Labor Statistics.

O aumento reflete a combinação de fatores locais e externos. A redução do rebanho bovino americano, o menor desde 1951 com 86,7 milhões de cabeças, já pressionava os preços antes das tarifas. Com a taxação de 50% sobre a carne brasileira, que representava 22% das importações americanas em 2024, os custos dispararam. Consumidores relatam que até cortes mais simples, como frango sem osso, agora custam US$ 20 por bandeja.

  • Carne moída: Alta de 10%, custando US$ 6,12 por libra em junho de 2025.
  • Frango: Bandejas com osso a US$ 12,28; sem osso, US$ 20.
  • Bife: Preços ultrapassam US$ 50 por bandeja em alguns mercados.
  • Rebanho americano: Menor nível em 70 anos, com 86,7 milhões de cabeças.

Impacto nas exportações brasileiras

O Brasil, maior exportador de carne bovina para os EUA, enviou 229 mil toneladas em 2024, sendo 60% destinadas à produção de hambúrgueres. A expectativa para 2025 era alcançar 400 mil toneladas, mas as tarifas de Trump, que elevam a taxação total para 76,4% (somando os 26,4% já existentes), tornaram as vendas praticamente inviáveis. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) estima prejuízos de até US$ 1 bilhão para o setor.

Frigoríficos brasileiros, como os de Mato Grosso do Sul, já suspenderam a produção destinada aos EUA. Em 2024, o estado exportou US$ 215 milhões em carne para o mercado americano. A interrupção reflete a incerteza causada pelas tarifas, com 30 mil toneladas de carne nos portos ou a caminho dos EUA, avaliadas em US$ 160 milhões, potencialmente afetadas.

Reações dos brasileiros nos EUA

A comunidade brasileira nos Estados Unidos expressou frustração com a alta dos preços. Em vídeos nas redes sociais, uma moradora descreveu a carne como “artigo de luxo”, comparando a situação aos altos preços no Brasil. Outros relataram evitar compras de bandejas maiores, optando por quantidades menores para uma única refeição. “Não tive coragem de pagar US$ 45 por uma bandeja”, disse uma brasileira.

  • Reação nas redes: Vídeos viralizam com reclamações sobre preços da carne.
  • Comparação com Brasil: Consumidores dizem que carne está “só para milionários”.
  • Estratégia de compra: Brasileiros optam por bandejas menores para reduzir gastos.
  • Impacto psicológico: Alta de preços gera sensação de crise entre imigrantes.

A indignação também se reflete em debates sobre a política de Trump. Muitos brasileiros veem as tarifas como uma medida que prejudica não apenas o Brasil, mas também os consumidores americanos, que enfrentam inflação alimentar recorde. A carne bovina, essencial na dieta americana, especialmente para hambúrgueres, tornou-se um símbolo da crise.

Carnes
Carnes – Foto: Vinh HN/istock

Efeitos no mercado interno brasileiro

Com a redução das exportações para os EUA, frigoríficos brasileiros buscam redirecionar a produção para o mercado interno ou outros países, como China e Chile. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que a arroba do boi gordo caiu 7,8% entre junho e julho de 2025, chegando a R$ 299,70. Essa queda pode beneficiar o consumidor brasileiro com preços mais acessíveis no curto prazo.

No entanto, especialistas alertam que o impacto não será imediato. O varejo tende a segurar preços, e a sazonalidade do consumo, com menor demanda no inverno, pode limitar reduções. “Os preços devem estabilizar entre setembro e outubro”, afirma Lygia Pimentel, da AgriFatto. A China, que absorve 44% das exportações brasileiras, pode compensar parte das perdas, mas novos mercados, como Japão e Coreia do Sul, exigem negociações complexas.

Cenário da pecuária nos EUA

A crise nos EUA é agravada pela queda histórica na oferta de gado. O rebanho americano, reduzido por secas prolongadas e altos custos de alimentação, não consegue atender à demanda interna. Cerca de 4% do gado abatido nos EUA vem do México, mas a suspensão das importações mexicanas devido à mosca-da-bicheira intensificou a escassez. A carne brasileira, especialmente cortes dianteiros usados em hambúrgueres, era essencial para suprir essa lacuna.

Com as tarifas, países como Austrália e Argentina podem ganhar espaço, mas a preços mais altos. Em maio de 2025, a carne brasileira custava US$ 6.143 por tonelada, contra US$ 7.169 da Austrália e US$ 6.733 da Argentina. Com a tarifa de 50%, o preço brasileiro pode chegar a US$ 8.415 por tonelada, perdendo competitividade.

  • Rebanho americano: 86,7 milhões de cabeças, menor nível desde 1951.
  • Importações mexicanas: Suspensas devido à infestação de mosca-da-bicheira.
  • Concorrência: Austrália e Argentina oferecem carne a preços mais altos.
  • Inflação alimentar: Alta de 9% nos preços da carne bovina em 2025.

Estratégias do setor brasileiro

O governo brasileiro estuda medidas para mitigar os impactos, como a Lei de Reciprocidade Econômica, que permite retaliar com tarifas equivalentes. Outra estratégia é acelerar negociações com mercados asiáticos e do Oriente Médio. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, anunciou esforços para abrir novos destinos, como Vietnã, que retomou compras em 2025.

Frigoríficos como JBS e Minerva planejam redirecionar exportações a partir de unidades em outros países, como Austrália e Uruguai, para manter o acesso ao mercado americano. No entanto, a logística e os custos adicionais tornam a transição desafiadora. Roberto Perosa, presidente da ABIEC, destaca a importância da diplomacia para reverter as tarifas, enfatizando o papel da carne brasileira na segurança alimentar dos EUA.

Impacto nos consumidores americanos

A alta dos preços da carne afeta diretamente a dieta americana, onde 80% da carne bovina é usada em hambúrgueres. O aumento no custo do Big Mac, ícone do fast-food, já é previsto por analistas. A inflação alimentar, que subiu 9% em 2025, pressiona ainda mais os consumidores. A dependência de importações, aliada à redução do rebanho, torna improvável uma solução rápida para a crise.

  • Hambúrgueres: 80% da carne bovina americana é usada em sua produção.
  • Big Mac: Preços devem subir devido à dependência da carne brasileira.
  • Inflação: Alta de 9% nos preços de alimentos em 2025.
  • Demanda: Consumidores mantêm preferência por carne bovina, apesar dos preços.

A situação gerou críticas à política de Trump, com analistas apontando um “efeito bumerangue” que prejudica os próprios americanos. A carne, antes acessível, agora é vista como item de luxo, especialmente para comunidades imigrantes, como a brasileira.

Busca por novos mercados

O Brasil intensifica esforços para diversificar os destinos de suas exportações. A China, principal compradora, absorveu 641,1 mil toneladas em 2025, mas sua capacidade de expansão é limitada. Países como Chile, que importou 58,9 mil toneladas, e México, com 52 mil toneladas, mostram potencial. O Vietnã, que retomou compras, pode ser uma alternativa, mas ajustes sanitários e logísticos são necessários.

A abertura de mercados como Japão e Coreia do Sul, ainda fechados para a carne brasileira, é uma prioridade. Especialistas destacam que, apesar das dificuldades, a qualidade e o preço competitivo da carne brasileira favorecem a busca por novos compradores.

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