De contratação recorde a saída sob pressão do Vasco: João Victor rumo à Rússia para o CSKA MoscouPor Thiago Lemos
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O zagueiro João Victor, de 27 anos, está de saída do Vasco da Gama após uma passagem marcada por altas expectativas, polêmicas e críticas da torcida. Contratado em 2024 por 6 milhões de euros (cerca de R$ 32 milhões), a maior transação da história do clube, o jogador foi negociado com o CSKA Moscou, da Rússia, por aproximadamente 4,5 milhões de euros (R$ 28 milhões). A transferência, anunciada em 13 de agosto de 2025, reflete o desgaste do atleta com a torcida e a diretoria, além de uma decisão pessoal do jogador, motivada por atritos e pressões. A venda ocorre em meio à janela de transferências, com o Vasco já buscando um substituto para reforçar a defesa. A negociação também alivia o clube de obrigações financeiras, como bônus atrelados à permanência na Série A.
A trajetória de João Victor em São Januário começou com grande otimismo, impulsionado pelo seu desempenho anterior no Corinthians e pela promessa de fortalecer a defesa vascaína. No entanto, o jogador enfrentou dificuldades para se firmar, alternando momentos de titularidade com lesões e expulsões. Em 2025, a relação com a torcida se deteriorou, culminando em vaias constantes e protestos. A saída para o futebol russo marca o fim de um ciclo conturbado, com o Vasco mirando novos horizontes para a temporada.
- Investimento inicial: 6 milhões de euros, com bônus que poderiam elevar o custo a 8 milhões.
- Desempenho em campo: 75 jogos, 3 gols e 3 assistências em quase dois anos.
- Negociação atual: 4,5 milhões de euros, com 25% retidos pelo Vasco em futura venda.
- Impacto financeiro: Evita pagamento de 1 milhão de euros em bônus ao Benfica.
O desfecho da passagem de João Victor reflete tanto os desafios do jogador em atender às expectativas quanto a estratégia do Vasco para reestruturar o elenco. A diretoria, agora sob o comando de Pedrinho, foca em contratações que combinem desempenho e equilíbrio financeiro.
Trajetória de João Victor no Vasco
João Victor chegou ao Vasco em janeiro de 2024 como a principal aposta da gestão de Alexandre Mattos, então diretor da SAF vascaína. A contratação, vinda do Benfica, de Portugal, foi celebrada como um marco, com o clube desembolsando 6 milhões de euros, valor que poderia chegar a 8 milhões com bônus atrelados à permanência na Série A. A expectativa era que o zagueiro, com passagem destacada pelo Corinthians, trouxesse solidez defensiva e liderança.
No entanto, a adaptação foi lenta. Sob o comando de Ramón Díaz, João Victor enfrentou dificuldades táticas e técnicas, alternando entre a titularidade e o banco de reservas. Em entrevista ao canal “Mario Coelho Vasco”, o jogador chegou a afirmar que a saída de Díaz foi “a melhor escolha”, evidenciando tensões internas. A titularidade veio com Rafael Paiva, mas uma lesão em 2024 interrompeu sua sequência, abalando a confiança da torcida.
O zagueiro disputou 75 partidas pelo Vasco, com três gols e três assistências. Apesar de números razoáveis, suas cinco expulsões em menos de dois anos, incluindo uma em 2025 contra o CSA pela Copa do Brasil, pesaram contra sua imagem. As falhas defensivas e o temperamento explosivo intensificaram as críticas, transformando-o no principal alvo de insatisfação dos torcedores.
Vasco não queria vender João Victor, mas o jogador pediu para sair quando recebeu a proposta do CSKA.
— Planeta do Futebol 🌎 (@futebol_info) August 13, 2025
O zagueiro alegou pressão e críticas que vinha sofrendo. A família pesou na escolha.
A oferta do clube russo gira em torno de 5 milhões de euros (R$ 31,5 milhões).
🗞… pic.twitter.com/FL58k5KbuZ
Relação conturbada com a torcida
A relação de João Victor com os vascaínos foi marcada por altos e baixos. Inicialmente visto como uma solução para a defesa, o jogador perdeu apoio devido a erros em campo e episódios extracampo. Em fevereiro de 2025, após um empate sem gols contra o Sampaio Corrêa pelo Campeonato Carioca, ele discutiu com torcedores, o que azedou ainda mais o clima.
Um protesto organizado por torcidas no CT Moacyr Barbosa, em julho de 2025, marcou o ápice da crise. João Victor foi alvo de críticas diretas, com torcedores questionando seu comprometimento. Em um episódio lamentável, sua família recebeu ameaças, o que influenciou sua decisão de deixar o clube. Nos últimos jogos, como o empate contra o Atlético-MG em 10 de agosto, o zagueiro foi vaiado a cada toque na bola, evidenciando a ruptura com as arquibancadas.
- Episódios marcantes: Discussão com torcedores após empate no Carioca.
- Protestos: Ação de torcidas organizadas no CT em julho de 2025.
- Vaias constantes: Intensas no jogo contra o Atlético-MG, em São Januário.
- Expulsões: Cinco cartões vermelhos, recorde negativo em 2024.
Apesar do apoio público de Fernando Diniz, que destacou o desejo do jogador de se redimir, a pressão tornou sua permanência insustentável. A saída para o CSKA Moscou foi vista como uma solução para todas as partes.
Negociação com o CSKA Moscou
A transferência de João Victor para o CSKA Moscou foi concretizada após semanas de negociações. O clube russo ofereceu 4,5 milhões de euros (cerca de R$ 28 milhões), com o Vasco mantendo 25% dos direitos econômicos em caso de venda futura. A proposta inicial, de 4 milhões de euros, foi ajustada após pressão da diretoria vascaína, que buscava minimizar o prejuízo em relação ao investimento inicial.
A venda alivia as finanças do clube, especialmente por evitar o pagamento de 1 milhão de euros em bônus ao Benfica, caso o Vasco permaneça na Série A em 2025. O jogador, por sua vez, aceitou prontamente a oferta, atraído pelos valores salariais e pela chance de recomeçar em um novo mercado. O contrato com o CSKA terá duração de três anos, com possibilidade de renovação.
O Vasco já planeja o uso dos recursos da transferência. A diretoria negocia com o zagueiro colombiano Carlos Cuesta, do Galatasaray, por cerca de 5 milhões de euros. A contratação é vista como uma tentativa de suprir a saída de João Victor com um jogador de características semelhantes, como força física e boa saída de bola.
- Valor da venda: 4,5 milhões de euros, com 25% retidos pelo Vasco.
- Contrato no CSKA: Três anos, com salários atrativos.
- Substituto: Carlos Cuesta, do Galatasaray, é o principal alvo.
- Impacto financeiro: Alívio de bônus e salários altos de João Victor.
Gestão e planejamento para 2025
A saída de João Victor reflete a nova abordagem da gestão de Pedrinho, que assumiu a presidência do Vasco com críticas à administração anterior da SAF, liderada pela 777 Partners. O alto investimento em jogadores como João Victor, Adson e Sforza, que custaram juntos mais de R$ 100 milhões, foi apontado como exemplo de má gestão financeira. Pedrinho destacou a “folha salarial superfaturada” e a dificuldade de negociar atletas com contratos elevados.
Para 2025, o Vasco busca um elenco mais equilibrado, com contratações pontuais. Além de Carlos Cuesta, o clube analisa nomes para reforçar o meio-campo e o ataque, visando a disputa da Copa Sul-Americana e a consolidação na Série A. A manutenção de Fernando Diniz no comando técnico é outro pilar do planejamento, com o treinador defendendo uma reformulação gradual do elenco.
A venda de João Victor, embora represente um prejuízo financeiro em relação ao valor investido, é vista como uma oportunidade para corrigir rumos. O clube espera que a chegada de novos jogadores, aliada à base formada por nomes como Léo Jardim, Lucas Piton e Vegetti, fortaleça o time para os desafios da temporada.
- Gestão de Pedrinho: Críticas aos gastos da era 777 Partners.
- Planejamento: Foco em contratações pontuais e equilíbrio financeiro.
- Elenco atual: Base mantida com jogadores como Vegetti e Piton.
- Metas para 2025: Consolidação na Série A e bom desempenho na Sul-Americana.
Legado de João Victor em São Januário
A passagem de João Victor pelo Vasco deixa lições para o clube e seus torcedores. Apesar do talento técnico, sua trajetória foi marcada por dificuldades de adaptação, problemas disciplinares e uma relação frágil com a torcida. As cinco expulsões em menos de dois anos, incluindo o recorde de zagueiro mais expulso do mundo em 2024, segundo a IFFHS, pesaram contra sua permanência.
Por outro lado, o jogador teve momentos de destaque, como a sequência de 14 jogos como titular em 2025, antes da crise com os torcedores. Sua versatilidade, atuando como zagueiro e até lateral-direito, foi elogiada por Diniz, que lamentou a saída, mas reconheceu a decisão pessoal do atleta. A transferência para o CSKA Moscou oferece a João Victor a chance de recomeçar, enquanto o Vasco busca reconstruir sua defesa.
O caso também levanta debates sobre o modelo de contratações do clube. A pressão por resultados imediatos e os altos investimentos em jogadores nem sempre garantem sucesso, como evidencia o ciclo de João Victor. Para os torcedores, a saída do zagueiro representa o fim de uma fase de expectativas frustradas, com a esperança de que novos reforços tragam estabilidade.
- Recorde negativo: Zagueiro mais expulso do mundo em 2024 (IFFHS).
- Versatilidade: Atuou como zagueiro e lateral-direito.
- Apoio de Diniz: Técnico defendeu o jogador até o fim.
- Lições: Necessidade de contratações mais equilibradas.







