Protesto Recife: carroceiros paralisa Viaduto Capitão Temudo e trava Recife

Protesto de carroceiros em Recife

Protesto de carroceiros em Recife - Foto: Reprodução/ TV Globo

Na manhã desta segunda-feira, 18 de agosto de 2025, carroceiros realizaram protestos simultâneos em diversos pontos do Recife, causando engarrafamentos extensos e paralisando o trânsito em vias cruciais da capital pernambucana. Manifestantes atearam fogo a entulhos e interditaram a descida do Viaduto Capitão Temudo, no sentido Boa Viagem, na Zona Sul, além de bloquearem as avenidas Norte e Abdias de Carvalho. A ação, que começou por volta das 6h30, é uma resposta à Lei Municipal nº 17.918/2013, que proíbe a circulação de veículos de tração animal, gerando revolta entre os trabalhadores da categoria. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram filas de carros, ônibus e motos parados, com fumaça visível à distância. O Corpo de Bombeiros foi acionado para conter as chamas, enquanto a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) orientou motoristas a evitarem as áreas afetadas. A manifestação reflete a tensão entre a categoria e a prefeitura, que busca implementar a retirada gradual das carroças.

Os protestos não se limitaram ao Viaduto Capitão Temudo. Outros pontos da cidade, como a Avenida Norte, na Encruzilhada, e a Avenida Abdias de Carvalho, nos Torrões, também foram bloqueados, intensificando o caos no trânsito. A CTTU informou que o fluxo na direção da Zona Sul foi o mais prejudicado, com congestionamentos que se estenderam até a Avenida Agamenon Magalhães. Motoristas relataram atrasos significativos, e a fumaça gerada pelas barricadas incendiadas comprometeu a visibilidade em alguns trechos.

  • Locais afetados: Viaduto Capitão Temudo, Avenida Norte e Avenida Abdias de Carvalho.
  • Horário de início: Aproximadamente 6h30, com pico de engarrafamento às 7h.
  • Motivação: Oposição à proibição de veículos de tração animal.
  • Impacto: Trânsito parado por horas, com filas extensas em vias principais.

Reivindicações dos carroceiros

Os manifestantes, em sua maioria trabalhadores informais que dependem das carroças para o sustento, protestam contra a aplicação da Lei nº 17.918/2013, sancionada há 12 anos, mas intensificada recentemente com a criação do Programa Gradual de Retirada dos Veículos de Tração Animal. A legislação proíbe a circulação de carroças puxadas por animais e a condução de cargas por equinos em áreas urbanas, prevendo a substituição por veículos não poluentes. Segundo os carroceiros, a medida ameaça seu meio de vida, já que muitos não têm acesso a alternativas de trabalho. Um representante da categoria, Ronald Amorim, destacou que a falta de diálogo com a prefeitura agrava a situação. “Eles entram nas nossas casas, levam os cavalos e destroem as carroças. É o nosso sustento”, afirmou.

A Rede Brasil Pela Tração Animal, em publicação nas redes sociais, reforçou que as vias de diálogo com a gestão municipal foram buscadas, mas não resultaram em soluções concretas. A categoria alega que a lei é arbitrária e não oferece alternativas viáveis, como programas de capacitação ou indenizações justas. Além disso, os carroceiros temem que os animais sejam enviados para abatedouros, o que consideram uma consequência cruel da legislação.

Medidas da prefeitura e censo em curso

A Prefeitura do Recife, por meio de nota, informou que está realizando um censo para mapear os condutores de veículos de tração animal e os animais utilizados, com prazo final em 30 de junho de 2025. O objetivo é identificar os trabalhadores e oferecer suporte para sua reinserção no mercado de trabalho. Durante o cadastramento, os animais recebem microchips de identificação, e as carroças são marcadas com adesivos, mas não apreendidas. A gestão municipal destaca que, a partir de agosto, os condutores cadastrados serão convocados para comprovar as informações e poderão receber indenizações pela entrega voluntária das carroças e animais, além de acesso a programas de qualificação profissional.

  • Benefícios prometidos: Indenização, capacitação profissional e vagas em limpeza urbana.
  • Prazo do censo: Até 30 de junho de 2025.
  • Objetivo: Mapear trabalhadores e animais para transição de atividade.
  • Próximos passos: Convocação em agosto para validação de dados.

A prefeitura nega a apreensão arbitrária de animais, afirmando que recolhimentos ocorrem apenas em casos de maus-tratos, conforme previsto na Lei nº 9.605/1998. No entanto, os carroceiros contestam essa afirmação, relatando episódios de apreensões sem justificativa clara, como no bairro dos Coelhos, onde uma carroça foi destruída durante uma operação.

Protesto de carroceiros em Recife causa engarrafamento quilométrico – Foto: Reprodução/ TV Globo

Impactos no trânsito e ações de contenção

O protesto causou transtornos significativos para motoristas e usuários do transporte público. Na Avenida Agamenon Magalhães, uma das principais vias da cidade, filas de veículos se formaram, e muitos motoristas precisaram buscar rotas alternativas. A CTTU recomendou evitar o Viaduto Capitão Temudo e outras vias bloqueadas, mas a falta de opções viáveis agravou o congestionamento. O Corpo de Bombeiros, acionado às 6h30, enviou viaturas para apagar as chamas nos pontos de protesto, conseguindo liberar parcialmente a Avenida Norte por volta das 8h.

Os engarrafamentos impactaram diretamente a rotina de trabalhadores e estudantes. Um motorista de ônibus, Paulo Cordeiro, que passava pela Avenida Agamenon Magalhães, relatou sua solidariedade à causa dos carroceiros. “Eles são pais de família, precisam do trabalho. A prefeitura deveria legalizar e orientar, não proibir”, disse. Apesar do apoio de alguns, a paralisação gerou críticas de motoristas que enfrentaram atrasos de até duas horas.

Histórico de protestos no Recife

Os carroceiros já realizaram manifestações semelhantes em outros momentos, como em 16 de junho de 2025, quando bloquearam diversas vias, incluindo a BR-101 e as avenidas João de Barros e Agamenon Magalhães. Na ocasião, a mobilização ocorreu às vésperas de uma audiência pública na Câmara Municipal do Recife, que discutiu os impactos da lei de tração animal. A repetição dos atos demonstra a insatisfação contínua da categoria com as políticas municipais.

  • Protesto de junho: Bloqueios em seis pontos, incluindo BR-101 e Avenida Norte.
  • Reivindicação principal: Suspensão da proibição de carroças.
  • Resposta da prefeitura: Censo e promessa de alternativas de renda.
  • Resultado: Trânsito liberado após ação do Corpo de Bombeiros e CTTU.

A manifestação de junho também envolveu barricadas incendiadas, e a resposta das autoridades foi semelhante, com atuação do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar para garantir a segurança e a liberação das vias. A audiência pública, realizada no mesmo dia, buscou discutir soluções, mas os carroceiros afirmam que as promessas de diálogo não se concretizaram.

Alternativas propostas e críticas

A Prefeitura do Recife propõe a substituição das carroças por veículos não poluentes, como triciclos elétricos, além de programas de capacitação profissional e vagas na limpeza urbana. No entanto, os carroceiros apontam que essas alternativas não são acessíveis para todos, especialmente para trabalhadores com baixa escolaridade. “Muitos de nós não sabem ler ou escrever. Como vamos nos capacitar tão rápido?”, questionou um manifestante anônimo durante o protesto no Viaduto Capitão Temudo.

Além disso, a categoria critica a falta de clareza sobre as indenizações. A prefeitura informou que os valores serão definidos após o censo, mas os carroceiros temem que sejam insuficientes para compensar a perda de sua principal fonte de renda. Outro ponto de tensão é o destino dos animais, já que muitos trabalhadores consideram os cavalos parte da família e rejeitam a ideia de entregá-los.

Repercussão e diálogo futuro

A manifestação desta segunda-feira reacendeu o debate sobre a regulamentação do trabalho dos carroceiros no Recife. Enquanto a prefeitura defende a modernização do transporte e a proteção animal, os trabalhadores exigem soluções que respeitem sua realidade socioeconômica. A Rede Brasil Pela Tração Animal anunciou que novos protestos podem ocorrer caso o diálogo com a gestão municipal não avance.

A situação também ganhou atenção nas redes sociais, onde imagens das barricadas em chamas e do trânsito parado circularam amplamente. Usuários expressaram opiniões divididas: alguns apoiaram os carroceiros, enquanto outros criticaram os transtornos causados. A CTTU informou que monitora as vias e trabalha para minimizar os impactos, mas não divulgou um prazo para a normalização total do trânsito.

  • Reações nas redes: Apoio e críticas dividem opiniões.
  • Expectativa: Possibilidade de novos protestos nos próximos dias.
  • Ação da CTTU: Monitoramento contínuo e orientação aos motoristas.
  • Posicionamento da prefeitura: Manutenção do censo e diálogo aberto.

O protesto expõe um conflito complexo entre modernização urbana, bem-estar animal e garantia de direitos trabalhistas. A resolução do impasse depende de negociações que equilibrem as demandas da categoria com as metas da administração municipal. Enquanto isso, os moradores do Recife enfrentam os impactos diretos das manifestações, que transformaram a manhã de segunda-feira em um desafio para a mobilidade urbana.

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