A bolsa de valores dos Estados Unidos apresentou um desempenho misto na terça-feira, 19 de agosto de 2025, com o Dow Jones Industrial Average alcançando uma nova máxima histórica, impulsionado por ganhos expressivos da Home Depot, que subiu 3,7% após manter sua projeção anual. Enquanto isso, o Nasdaq Composite enfrentou dificuldades, caindo 1,1%, pressionado por perdas em gigantes de tecnologia, como a Nvidia, que caiu 2%. O S&P 500 também recuou, com uma queda de 0,3%. O movimento ocorreu em um cenário de expectativa por dados econômicos e pela fala do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole, que pode sinalizar cortes de juros em setembro. Investidores também aguardam resultados de grandes varejistas, como Walmart e Target, para avaliar a saúde do consumidor americano em meio a incertezas inflacionárias e mudanças na política comercial.
O Dow Jones, índice composto por 30 ações blue-chip, subiu 103 pontos, atingindo 45.207,39 durante a sessão, superando o recorde anterior de 45.014,04, registrado em 4 de dezembro de 2024. A força do índice veio principalmente da Home Depot, que, apesar de resultados trimestrais abaixo das expectativas, trouxe confiança ao mercado ao manter sua perspectiva de crescimento de 2,8% nas vendas anuais. Por outro lado, o Nasdaq enfrentou pressão significativa devido à fraqueza no setor de semicondutores, com nomes como Advanced Micro Devices (AMD) e Broadcom caindo mais de 4% e 2%, respectivamente.
- Destaques do mercado na terça-feira:
- Dow Jones: Alta de 0,3%, atingindo novo recorde intradiário.
- Nasdaq Composite: Queda de 1,1%, liderada por perdas em tecnologia.
- S&P 500: Recuo de 0,3%, refletindo pressão em ações de chips.
- Home Depot: Aumento de 3,7%, sustentando o Dow.
- Nvidia: Declínio de 2%, impactando o Nasdaq.
O mercado agora volta suas atenções para eventos que podem definir os rumos da política monetária e do consumo nos Estados Unidos. A expectativa por sinais claros sobre a política do Federal Reserve e os resultados do varejo dominam as discussões entre investidores.
Home Depot sustenta otimismo no Dow Jones
A Home Depot foi o grande destaque do Dow Jones na sessão de terça-feira, com suas ações subindo cerca de 4% após a divulgação de resultados do segundo trimestre. Apesar de lucros e receitas abaixo das projeções de Wall Street, com ganhos ajustados de US$ 4,68 por ação contra US$ 4,71 esperados e vendas de US$ 45,28 bilhões superando levemente as estimativas, a empresa manteve sua previsão de crescimento anual. A companhia destacou uma melhora no desempenho de vendas comparáveis, que passaram de 0,3% em maio para 3,3% em julho, sinalizando resiliência na demanda por projetos de melhoria residencial.
O CEO da Home Depot, Ted Decker, enfatizou que o impulso observado no final do último ano continuou no primeiro semestre de 2025, com consumidores focando em projetos menores. Esse otimismo ajudou a contrabalançar preocupações com a inflação e incertezas comerciais, especialmente com as tarifas impostas pelo governo Trump, que afetam o setor varejista. A manutenção da projeção anual foi vista como um sinal de confiança na economia, elevando as ações da empresa e sustentando o Dow.
- Resultados da Home Depot:
- Lucro ajustado: US$ 4,68 por ação, abaixo dos US$ 4,71 esperados.
- Receita: US$ 45,28 bilhões, acima das estimativas.
- Crescimento de vendas comparáveis: 1%, contra queda de 3,3% em 2024.
- Projeção anual: Crescimento de 2,8% nas vendas totais.
Pressão no setor de tecnologia pesa no Nasdaq
O Nasdaq Composite enfrentou uma sessão desafiadora, com a queda de 1,1% liderada pelo setor de semicondutores. A Nvidia, uma das maiores empresas de tecnologia e líder no mercado de chips para inteligência artificial, viu suas ações caírem 2%, apesar de um leve aumento de 0,1% no pré-mercado. Outras empresas do setor, como Advanced Micro Devices e Broadcom, registraram perdas ainda mais significativas, com quedas superiores a 4% e 2%, respectivamente. O ETF VanEck Semiconductor, que acompanha o desempenho do setor, recuou 1%, refletindo a fraqueza generalizada.
A pressão sobre as ações de tecnologia veio em um momento de incerteza sobre o impacto das políticas comerciais do governo Trump, especialmente as tarifas que podem encarecer componentes eletrônicos. Além disso, a proximidade do relatório de lucros da Nvidia, previsto para 28 de agosto, aumentou a cautela entre investidores. A empresa, que tem sido um motor do crescimento do Nasdaq, enfrenta expectativas elevadas após resultados consistentes de superação de estimativas nos últimos trimestres.
- Desempenho do setor de chips:
- Nvidia: Queda de 2%, com expectativa para lucros no final de agosto.
- Advanced Micro Devices: Recuo superior a 4%.
- Broadcom: Declínio de mais de 2%.
- ETF VanEck Semiconductor: Perda de 1%.
- Fator de pressão: Incertezas sobre tarifas e lucros futuros.
Outras gigantes da tecnologia, como Tesla, Meta Platforms e Netflix, também registraram perdas, contribuindo para o desempenho negativo do Nasdaq. A queda reflete uma rotação de investidores para setores mais defensivos, como o varejo, em meio a preocupações com valuations elevadas no setor tecnológico.
Expectativa por Jackson Hole e política monetária
Os mercados estão em compasso de espera pelo simpósio econômico de Jackson Hole, que começou na quinta-feira, 21 de agosto, e se estende até sábado. A fala do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, marcada para sexta-feira, é aguardada com grande expectativa, já que pode oferecer pistas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos. O mercado de futuros de fundos federais indica uma probabilidade de 83% para um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros na reunião de setembro, segundo a ferramenta FedWatch da CME.
A possibilidade de um corte de juros ganhou força após dados econômicos mistos, com o índice de preços ao consumidor (CPI) de julho mostrando inflação estável em 2,7%, enquanto o núcleo do CPI subiu para 3,1%. Esses números, aliados a sinais de suavização no mercado de trabalho, reforçam a narrativa de que o Fed pode iniciar um ciclo de flexibilização monetária. No entanto, Powell deve adotar um tom cauteloso, mantendo-se dependente de dados econômicos, como o próximo relatório de empregos e o CPI de agosto.
- Fatores em foco no simpósio de Jackson Hole:
- Discurso de Jerome Powell: Sinalização sobre cortes de juros.
- Probabilidade de corte: 83% para 0,25 ponto em setembro.
- Dados econômicos: CPI estável em 2,7%, núcleo em 3,1%.
- Tema do evento: “Mercados de trabalho em transição”.
Impacto das tarifas e perspectivas do varejo
As tarifas impostas pelo governo Trump continuam a gerar incertezas, especialmente no setor varejista, que enfrenta custos mais altos em cadeias de suprimentos. A Home Depot, apesar de seu otimismo, destacou que as tarifas podem impactar os preços ao consumidor, o que torna os próximos relatórios de lucros de varejistas como Walmart, Target e Lowe’s cruciais para entender a resiliência do consumidor americano. Esses resultados, esperados ao longo da semana, oferecerão insights sobre o comportamento de consumo em um ambiente de inflação mista.
Além disso, o mercado imobiliário mostrou sinais positivos, com inícios de construções privadas em julho atingindo uma taxa anual ajustada sazonalmente de 1,428 milhão, superando as estimativas de 1,29 milhão. No entanto, as permissões para construção caíram 2,8%, indicando cautela no setor. Esses dados reforçam a importância de empresas como Home Depot, que se beneficiam da demanda por materiais de construção.
- Indicadores econômicos recentes:
- Inícios de construções: 1,428 milhão, acima das expectativas.
- Permissões de construção: 1,354 milhão, abaixo do esperado.
- Impacto das tarifas: Aumento de custos no varejo.
- Relatórios aguardados: Walmart, Target e Lowe’s.
Viking Therapeutics enfrenta forte queda
Enquanto o Dow Jones celebrava ganhos, a Viking Therapeutics enfrentou um dia difícil, com suas ações despencando mais de 42% após dados desapontadores de testes de sua pílula contra obesidade, VK2735. A empresa, que já foi vista como um alvo promissor para aquisições no setor farmacêutico, perdeu cerca de US$ 1,3 bilhão em valor de mercado, caindo para US$ 2,7 bilhões. Os resultados colocam a Viking em desvantagem frente a concorrentes como Eli Lilly e Novo Nordisk, que avançam no desenvolvimento de medicamentos para obesidade e diabetes.
A queda da Viking reflete a volatilidade no setor de biotecnologia, onde expectativas elevadas para novos tratamentos podem levar a movimentos bruscos nas ações. Investidores agora questionam o potencial de curto prazo da empresa, enquanto acompanham os próximos passos no desenvolvimento de sua pílula.
- Detalhes da queda da Viking:
- Perda de valor de mercado: De US$ 4 bilhões para US$ 2,7 bilhões.
- Motivo: Dados de testes de pílula contra obesidade VK2735.
- Concorrentes: Eli Lilly e Novo Nordisk lideram o setor.
- Impacto: Menor atratividade para aquisições.
Movimentos do mercado e perspectivas futuras
O desempenho misto do mercado na terça-feira reflete a complexidade do cenário econômico atual, com investidores navegando entre sinais de força no varejo e incertezas no setor de tecnologia. A força do Dow Jones, impulsionada por empresas como Home Depot e Caterpillar, que subiu 1,8% após um upgrade da Evercore ISI, contrasta com a fraqueza do Nasdaq, pressionado por valuations elevadas e preocupações com tarifas. O S&P 500, que ficou a poucos pontos de seu recorde na segunda-feira, permanece sensível a movimentos em tecnologia e ao sentimento geral do mercado.
A semana promete ser crucial, com o simpósio de Jackson Hole e os relatórios de lucros do varejo moldando as expectativas para o restante do ano. A possibilidade de cortes de juros e a evolução das políticas comerciais continuarão a influenciar as decisões dos investidores, que buscam equilibrar otimismo com cautela em um mercado próximo de máximas históricas.

