Protesto de motoboys no Recife cobra segurança e combate a roubos na RMRPor Luís Henrique Costa
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Centenas de motociclistas, incluindo entregadores por aplicativo, iniciaram uma série de protestos na manhã desta quarta-feira, 20 de agosto de 2025, no Recife e na Região Metropolitana (RMR), Pernambuco. A mobilização, que teve início no Campo do Coque, área central da capital, busca chamar a atenção para a falta de segurança no trânsito e o aumento de assaltos sofridos pela categoria. Organizados por grupos independentes, os manifestantes planejam bloquear vias estratégicas, como a BR-101 e a Avenida Abdias de Carvalho, para pressionar por medidas efetivas contra a violência. A Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) mobilizou 152 agentes e viaturas desde as primeiras horas do dia para garantir a ordem pública. O movimento reflete a insatisfação de trabalhadores que enfrentam riscos diários, como roubos de motos e celulares, além de apreensões de veículos por estacionamento irregular.
A concentração no Campo do Coque reuniu motoboys de diversas cidades da RMR, como Olinda e Jaboatão dos Guararapes. A manifestação, que começou por volta das 6h30, também deve ocorrer em pontos como o Centro de Convenções e o bairro da Imbiribeira. A categoria destaca a urgência de ações para coibir a criminalidade, que tem afetado diretamente seu sustento.
- Principais reivindicações: segurança no trânsito e redução de assaltos.
- Locais de protesto: Campo do Coque, BR-101, Avenida Abdias de Carvalho, entre outros.
- Participação: mais de dez grupos independentes de motociclistas.
- Horários previstos: das 6h30 às 10h e das 16h30 às 20h30.

Reivindicações da categoria
Os motociclistas apontam a violência como o principal obstáculo em seu dia a dia. Roubos de motocicletas, bicicletas e celulares são frequentes, especialmente no período noturno, segundo relatos de trabalhadores. Um entregador, que preferiu não se identificar, informou que mais de 20 motos foram apreendidas em uma única semana por estacionamento em locais proibidos, o que agrava a situação financeira da categoria.
A falta de segurança no trânsito também é uma preocupação central. Acidentes envolvendo motociclistas têm crescido, e os trabalhadores cobram medidas como melhor sinalização e fiscalização para proteger a categoria. Além disso, a ausência de diálogo com empresas de aplicativos e autoridades locais intensifica a insatisfação.
- Roubos recorrentes: motos, bicicletas e celulares são alvos constantes.
- Apreensões de veículos: mais de 20 motos confiscadas em uma semana.
- Trânsito perigoso: aumento de acidentes envolvendo motociclistas.
- Falta de diálogo: ausência de negociações com empresas e poder público.
Resposta da Polícia Militar
A Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) elaborou um plano operacional para acompanhar os protestos. Desde as primeiras horas da manhã, 152 agentes foram posicionados em pontos estratégicos, como o Campo do Coque e a área em frente ao Classic Hall, em Olinda. Pelo menos oito viaturas e motos foram vistas no bairro de Salgadinho, reforçando a segurança na região.
A Secretaria de Defesa Social (SDS) informou que o objetivo é garantir a ordem pública e evitar transtornos maiores no trânsito. A mobilização policial visa monitorar possíveis bloqueios de vias, como a BR-101 e a Avenida Agamenon Magalhães, que podem impactar a circulação na RMR. Apesar da presença ostensiva, não houve registros de confrontos até o momento.
Locais e horários dos atos
Os protestos estão planejados para ocorrer em dois turnos, das 6h30 às 10h e das 16h30 às 20h30, em diversos pontos do Recife e da RMR. A organização dos atos, feita por meio de mensagens em grupos de WhatsApp, indica bloqueios em locais como:
- BR-101, na altura do Ceasa e da Coca-Cola, em Jaboatão dos Guararapes.
- Avenida Abdias de Carvalho, no Recife.
- Centro de Convenções, na divisa entre Recife e Olinda.
- Bairros da Imbiribeira, Boa Viagem e Derby.
A estratégia dos manifestantes inclui obstruir vias estratégicas para chamar a atenção das autoridades. Em áudios divulgados nas redes sociais, há orientações para que os motociclistas descaracterizem as placas das motos, usando fita adesiva ou outros materiais, para evitar multas ou identificações.
Histórico de mobilizações na RMR
Protestos de trabalhadores na RMR não são novidade. Na segunda-feira, 18 de agosto, carroceiros realizaram atos simultâneos em pontos como a Avenida Agamenon Magalhães e a PE-15, em Olinda, contra a proibição de veículos de tração animal. Esses atos causaram engarrafamentos significativos, com pneus incendiados e vias bloqueadas.
Os motoboys, por sua vez, têm um histórico de mobilizações. Em março de 2025, entregadores por aplicativo protestaram na Avenida Bernardo Vieira de Melo, em Jaboatão dos Guararapes, e na Avenida Agamenon Magalhães, no Recife, reivindicando melhores condições de trabalho. A repetição dos atos reflete a insatisfação contínua da categoria com a falta de respostas efetivas.
- Protestos de carroceiros: 18 de agosto, com bloqueios em seis pontos da RMR.
- Mobilização de motoboys: atos em março de 2025, em Jaboatão e Recife.
- Impacto no trânsito: engarrafamentos e desvios em vias principais.
Reação das autoridades e empresas
A Secretaria de Defesa Social (SDS) reforçou que a PMPE está preparada para atuar de forma preventiva, mas não detalhou medidas específicas para atender às demandas dos motociclistas. A Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) informou que agentes estão monitorando o trânsito para minimizar transtornos, orientando motoristas em caso de bloqueios.
Empresas de aplicativos, como Uber e iFood, ainda não se pronunciaram oficialmente sobre os protestos. A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa essas empresas, destacou em comunicado anterior que a renda média dos entregadores cresceu 5% acima da inflação entre 2023 e 2024, atingindo R$ 31,33 por hora trabalhada. No entanto, a entidade não abordou diretamente as questões de segurança levantadas pelos trabalhadores.
Impacto no trânsito e na população
Os protestos devem causar transtornos no trânsito da RMR, especialmente em vias de grande circulação, como a BR-101 e a Avenida Agamenon Magalhães. Moradores de áreas próximas aos pontos de manifestação, como Santo Amaro e Boa Viagem, já relatam dificuldades de locomoção em dias de atos semelhantes.
A CTTU recomenda que motoristas busquem rotas alternativas e acompanhem atualizações em tempo real. Passageiros de transporte público também podem ser afetados, como ocorreu em protestos recentes, quando coletivos ficaram parados e usuários precisaram caminhar até seus destinos.
- Vias afetadas: BR-101, Avenida Abdias de Carvalho, Avenida Agamenon Magalhães.
- Recomendações: CTTU sugere rotas alternativas e monitoramento em tempo real.
- Impacto em usuários: atrasos em transporte público e engarrafamentos.
Organização e desafios dos manifestantes
A mobilização é coordenada por grupos independentes, sem o apoio do Sindicato dos Trabalhadores, Empregados e Autônomos de Moto e Bicicleta por Aplicativo do Estado de Pernambuco (Seambape). A Associação dos Trabalhadores e Trabalhadoras por Aplicativo de Pernambuco (Attape) confirmou a participação nos atos, mas enfatizou que a organização é descentralizada.
Um dos desafios enfrentados pelos manifestantes é a falta de diálogo com as autoridades. Apesar das promessas de reforço na segurança, os motoboys afirmam que as ações práticas são insuficientes. A descaracterização de placas, mencionada em áudios, também levanta preocupações sobre possíveis conflitos com a polícia durante os protestos.







