Dólar fecha a R$ 5,4771 com foco em Powell e proteção dos juros altos

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Pilha de Dólar

Pilha de Dólar - Foto: ardasavasciogullari/istock

O dólar à vista fechou em leve alta de 0,08% nesta quinta-feira, 21 de agosto de 2025, cotado a R$ 5,4771, em um dia marcado por pressões externas e internas, mas com o real sustentado pelo elevado diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. A moeda brasileira apresentou desempenho superior à maioria de seus pares globais, beneficiada por estratégias de carry trade, enquanto o mercado aguarda o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole. A estabilidade do real reflete a combinação de um cenário externo volátil, com o dólar ganhando força globalmente, e fatores locais, como o embate comercial entre Brasil e EUA. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a aplicação de leis estrangeiras no Brasil e a manutenção da taxa Selic em 15% também influenciaram o câmbio.

O comportamento do dólar foi contido, com oscilações em uma faixa estreita, entre R$ 5,4667 (-0,11%) e R$ 5,4953 (+0,41%). A força do real é explicada pelo diferencial de juros, que torna a moeda brasileira atrativa para investidores estrangeiros. Enquanto isso, indicadores econômicos dos EUA, como a retomada do crescimento industrial em agosto, reduziram as expectativas de cortes de juros pelo Fed, impactando divisas globais.

  • Fatores que influenciaram o dólar hoje:
    • Retomada do crescimento industrial nos EUA, segundo pesquisa PMI da S&P Global.
    • Redução da probabilidade de corte de juros pelo Fed, de 84% para 70%.
    • Elevado diferencial de juros entre Brasil (Selic a 15%) e EUA.
    • Tensões comerciais entre Brasil e EUA após decisão do STF.

O mercado agora foca no discurso de Powell, que pode trazer sinais sobre a política monetária americana, enquanto o real segue protegido por fatores locais.

Movimentos do mercado e expectativas para Jackson Hole

O dólar global ganhou força após a divulgação de dados econômicos positivos nos EUA. A pesquisa PMI da S&P Global revelou que o setor industrial americano voltou a crescer em agosto, surpreendendo analistas e reduzindo as apostas em cortes iminentes de juros pelo Federal Reserve. O índice do dólar, que mede seu desempenho frente a uma cesta de seis moedas, subiu 0,44%, atingindo 98,660. Esse movimento pressionou divisas emergentes, mas o real se manteve resiliente.

O simpósio de Jackson Hole, que começa nesta sexta-feira, é o principal evento no radar dos investidores. O discurso de Jerome Powell, presidente do Fed, é aguardado por sinais sobre a trajetória dos juros nos EUA. Analistas apontam que Powell pode adotar um tom cauteloso, dado o cenário econômico incerto. “Os investidores querem entender como o Fed enxerga o balanço de riscos na economia americana”, afirmou um analista de mercado.

No Brasil, o Banco Central realizou a venda de 35.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de setembro, mantendo a liquidez no mercado. A operação reforça a estratégia de conter volatilidades, especialmente em um momento de tensões externas.

  • Pontos de atenção para Jackson Hole:
    • Possíveis sinais sobre cortes de juros nos EUA em setembro.
    • Perspectivas para a inflação e o crescimento econômico americano.
    • Impacto nas divisas emergentes, incluindo o real.
Dolar e Investimento – Foto: Lazy_Bear/istockphoto.com

Impacto do diferencial de juros no real

O diferencial de juros entre Brasil e EUA continua sendo um pilar de sustentação para o real. Com a taxa Selic mantida em 15%, o Brasil oferece retornos atrativos para investidores estrangeiros em operações de carry trade, nas quais tomam empréstimos em moedas de juros baixos e investem em ativos de países com juros altos, como o Brasil. Esse mecanismo tem limitado as perdas do real frente ao dólar, mesmo em um cenário de fortalecimento global da moeda americana.

Gestores de mercado destacam que o custo de apostar contra o real é elevado devido aos juros altos. “O diferencial de juros protege o real de pressões mais intensas, apesar dos riscos no radar”, explicou um especialista em câmbio. A manutenção da Selic em patamares elevados, conforme sinalizado pelo Banco Central, reforça essa dinâmica.

Por outro lado, a incerteza global e os riscos domésticos, como o embate comercial com os EUA, mantêm os investidores cautelosos. A percepção de um ambiente político mais tenso no Brasil, agravada por críticas do presidente Lula a banqueiros e à influência americana, também adiciona volatilidade ao mercado.

Tensões comerciais entre Brasil e EUA

A decisão do ministro Flávio Dino, do STF, de impedir que cidadãos brasileiros sejam afetados por leis estrangeiras relacionadas a atos cometidos no Brasil, gerou receios no mercado. A medida, que na prática protege o ministro Alexandre de Moraes de sanções econômicas impostas pelos EUA, intensificou as tensões comerciais entre os dois países. Na terça-feira, o dólar chegou a disparar frente ao real, mas a reação foi contida nos dias seguintes.

Investidores temem que a decisão possa limitar a capacidade do Brasil de negociar a redução da tarifa de 50% imposta pelos EUA. Além disso, há preocupações sobre possíveis impactos nas operações de bancos brasileiros, especialmente aqueles com exposição internacional. “O mercado está precificando um risco maior no Brasil, mas o câmbio não reflete isso plenamente por causa do diferencial de juros”, destacou um gestor de portfólio.

  • Riscos no radar do mercado:
    • Possível retaliação comercial dos EUA contra o Brasil.
    • Impacto nas operações de bancos brasileiros no exterior.
    • Negociações sobre a tarifa de 50% imposta pelos EUA.
    • Percepção de aumento do risco político doméstico.

Desempenho do real frente a outras moedas

O real apresentou um desempenho superior ao de outras moedas emergentes, que sofreram com o fortalecimento global do dólar. Enquanto divisas como o peso mexicano e o rand sul-africano registraram perdas mais expressivas, o real oscilou em uma faixa estreita. A mínima do dia, de R$ 5,4667, foi registrada às 10h36, e a máxima, de R$ 5,4953, logo na abertura do pregão.

A resiliência do real é atribuída não apenas ao diferencial de juros, mas também à atuação do Banco Central no mercado cambial. A venda de contratos de swap cambial ajuda a estabilizar a moeda, especialmente em momentos de maior volatilidade. Além disso, a percepção de que o Brasil mantém fundamentos econômicos sólidos, apesar dos riscos políticos, contribui para a confiança dos investidores.

Cenário econômico e perspectivas para o câmbio

O mercado segue monitorando os desdobramentos do cenário econômico global e doméstico. Nos EUA, os dados recentes de crescimento industrial e a redução das apostas em cortes de juros mantêm o dólar fortalecido. No Brasil, a combinação de juros altos e intervenções do Banco Central oferece suporte ao real, mas os riscos políticos e comerciais podem gerar volatilidade no curto prazo.

O discurso de Jerome Powell em Jackson Hole será crucial para definir as expectativas do mercado. Um tom mais conservador pode reforçar o dólar, enquanto sinais de cortes de juros podem aliviar a pressão sobre moedas emergentes. No Brasil, a manutenção da Selic em níveis elevados deve continuar protegendo o real, mas o desfecho das tensões com os EUA será determinante.

  • Fatores que podem influenciar o câmbio nos próximos dias:
    • Discurso de Jerome Powell em Jackson Hole.
    • Desdobramentos do embate comercial Brasil-EUA.
    • Atuação do Banco Central no mercado cambial.
    • Indicadores econômicos globais, como inflação e crescimento.

O mercado permanece atento, com o real navegando entre a proteção oferecida pelos juros altos e os desafios impostos pelo cenário externo e interno.

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