A pesquisa anual da Fenabrave, realizada desde 2003, expôs um cenário desafiador para BYD, Chevrolet e Renault, que receberam as piores avaliações de satisfação de suas redes de concessionárias no Brasil em 2025. Nomeada “Voz do Concessionário”, a pesquisa ouviu lojistas sobre rentabilidade, suporte financeiro e comunicação com as montadoras, revelando insatisfação significativa com essas três marcas. Divulgada em agosto, a análise mostra BMW, Toyota e GWM no topo do ranking, enquanto as marcas mal avaliadas enfrentam críticas em aspectos como lucratividade e perspectiva de crescimento. O estudo, conduzido de forma sigilosa, busca captar a percepção real dos comerciantes, sem interferência das fabricantes, em um momento de intensas transformações no setor automotivo brasileiro.
A relação entre montadoras e concessionárias é um pilar essencial para o sucesso no mercado automotivo, impactando desde a venda até o pós-venda. A pesquisa da Fenabrave destacou que a insatisfação não é apenas pontual, mas reflete desafios estruturais enfrentados por algumas marcas.
- Principais pontos avaliados: Rentabilidade, suporte financeiro, comunicação e perspectiva de crescimento.
- Metodologia sigilosa: Garante respostas sinceras dos lojistas, sem pressão das montadoras.
- Marcas no topo: BMW, Toyota e GWM se destacaram pela boa relação com suas redes.
O cenário apresentado pela pesquisa reflete a competitividade do mercado brasileiro, onde a satisfação dos concessionários pode influenciar diretamente a experiência do consumidor final.
Avaliação de lucratividade gera críticas
A lucratividade das concessionárias foi um dos pontos mais sensíveis da pesquisa. Jaguar Land Rover, Kia e Renault receberam as piores notas nesse quesito, com índices de 47,5%, 48,1% e 50,5%, respectivamente. A General Motors, empatada com a Renault, também foi mal avaliada, com 50,5%. A BYD, com 54,9%, ficou na 18ª posição, enquanto a Audi, outra marca premium, marcou 54,4%. Esses números indicam que os lojistas enfrentam dificuldades para obter margens financeiras satisfatórias com essas marcas.
A baixa lucratividade está associada a fatores como margens reduzidas nas vendas, custos operacionais elevados e falta de suporte financeiro adequado por parte das montadoras. Para os concessionários, a rentabilidade é crucial para manter a saúde financeira das lojas, especialmente em um mercado competitivo. A pesquisa apontou que marcas como BMW e Toyota, por outro lado, oferecem condições mais favoráveis, com políticas comerciais que asseguram maior equilíbrio financeiro.
- Jaguar Land Rover: 47,5% de satisfação em lucratividade.
- Kia: 48,1%, segunda pior no quesito.
- Renault e GM: Ambas com 50,5%, empatadas na terceira posição.
- BYD: 54,9%, refletindo desafios na relação com lojistas.
A insatisfação com a lucratividade pode impactar a motivação das concessionárias em promover certas marcas, afetando a qualidade do atendimento ao cliente.
Respostas das montadoras às críticas
As marcas citadas na pesquisa reagiram de forma distinta aos resultados. A General Motors contestou a validade do estudo, afirmando que ele não reflete a realidade de sua relação com os concessionários. A empresa destacou seu compromisso com a transparência e o diálogo, reforçando a parceria de 100 anos com sua rede no Brasil. Já a Renault defendeu seu relacionamento com os lojistas, mencionando um trabalho contínuo de melhoria e a recente ampliação de sua gama de produtos, como o lançamento do SUV Kardian e o futuro Boreal. A BYD, por sua vez, não respondeu às perguntas enviadas pela imprensa até a publicação da pesquisa, mas prometeu se manifestar posteriormente.
A ausência de resposta imediata da BYD pode indicar dificuldades em lidar com as críticas, especialmente considerando sua rápida expansão no mercado brasileiro. A marca chinesa, que superou Renault e Nissan em vendas em 2025, enfrenta o desafio de consolidar sua rede de concessionárias enquanto mantém a competitividade.
- GM: Rejeita resultados e enfatiza diálogo com a rede.
- Renault: Destaca evolução contínua e novos lançamentos.
- BYD: Sem resposta oficial, mas sob pressão para melhorar relação com lojistas.
As respostas das montadoras mostram a complexidade de gerenciar expectativas em um mercado em transformação, com a chegada de novos players e tecnologias.
Marcas líderes e seus diferenciais
No topo do ranking, BMW, Toyota e GWM se destacaram por práticas que fortalecem a relação com suas concessionárias. A BMW foi elogiada pela comunicação eficiente e suporte financeiro, enquanto a Toyota se beneficiou de sua reputação de confiabilidade e políticas comerciais consistentes. A GWM, uma marca chinesa em ascensão, surpreendeu ao figurar entre as líderes, reflexo de sua estratégia agressiva de expansão e apoio às concessionárias.
Essas marcas investem em treinamento, suporte logístico e políticas de incentivo que aumentam a confiança dos lojistas. A Toyota, por exemplo, tem uma rede de 279 concessionárias no Brasil, conhecida por sua eficiência no pós-venda, enquanto a GWM aposta em veículos eletrificados para atrair consumidores e lojistas.
- BMW: Comunicação clara e suporte financeiro robusto.
- Toyota: Reputação consolidada e eficiência no pós-venda.
- GWM: Estratégia agressiva com foco em veículos eletrificados.
- Diferencial comum: Políticas que garantem rentabilidade e confiança.
O sucesso dessas marcas reforça a importância de uma relação sólida com a rede de concessionárias para manter a competitividade no mercado.
Perspectiva de crescimento preocupa lojistas
Outro ponto crítico da pesquisa foi a perspectiva de crescimento das concessionárias nos próximos 12 meses. General Motors e Jaguar Land Rover receberam as piores avaliações nesse quesito, indicando pessimismo entre os lojistas sobre o futuro de suas operações com essas marcas. A GM, apesar de ter renovado modelos como Onix, Onix Plus e Tracker, enfrenta dificuldades em transmitir confiança sobre o crescimento futuro.
A BYD, embora tenha registrado forte crescimento em vendas, com 29.722 unidades emplacadas de janeiro a abril de 2025, ainda precisa fortalecer sua rede para acompanhar a expansão. A marca chinesa enfrenta o desafio de equilibrar a introdução de novos modelos, como o Song Plus DM-i, com a satisfação de seus concessionários.
- GM: Baixa confiança no crescimento futuro, apesar de renovações.
- Jaguar Land Rover: Pessimismo associado à renovação de produtos.
- BYD: Crescimento em vendas, mas desafios na gestão da rede.
A perspectiva de crescimento é um indicador crucial, pois influencia os investimentos das concessionárias em infraestrutura e treinamento.
Transformações no mercado automotivo
O mercado automotivo brasileiro está em transformação, com a ascensão de veículos eletrificados e a entrada de novas marcas. A pesquisa da Fenabrave reflete esse momento de transição, onde montadoras tradicionais enfrentam concorrência de marcas chinesas como BYD e GWM. A eletrificação, em particular, tem impulsionado mudanças, com 54.683 unidades de veículos eletrificados vendidas no Brasil até abril de 2025, segundo a Associação Brasileira de Veículos Elétricos.
Marcas como a BYD, que lidera entre os elétricos com modelos como o Dolphin Mini, precisam investir na capacitação de suas redes para lidar com tecnologias inovadoras. A insatisfação dos concessionários pode ser um obstáculo para a consolidação dessas marcas no mercado.
- Eletrificação em alta: 54.683 unidades vendidas até abril de 2025.
- Desafio das marcas: Capacitar concessionárias para novas tecnologias.
- Concorrência acirrada: Marcas chinesas ganham espaço frente às tradicionais.
- Impacto no consumidor: Qualidade do atendimento pode ser afetada.
A pesquisa da Fenabrave serve como um alerta para as montadoras ajustarem suas estratégias e fortalecerem a relação com suas redes.
Estratégias para reverter a insatisfação
As marcas mal avaliadas têm caminhos para melhorar sua relação com os concessionários. Investir em comunicação transparente, oferecer suporte financeiro mais robusto e capacitar as redes para lidar com novos produtos são medidas essenciais. A Renault, por exemplo, aposta na ampliação de sua gama para recuperar a confiança dos lojistas, enquanto a GM precisa alinhar suas estratégias com as expectativas da rede.
A BYD, por sua vez, pode se beneficiar de sua experiência global para implementar boas práticas no Brasil. A marca chinesa, que já é líder em veículos eletrificados, precisa priorizar o treinamento de suas concessionárias para garantir um atendimento de qualidade.
- Comunicação transparente: Essencial para alinhar expectativas.
- Suporte financeiro: Reduz pressão sobre margens dos lojistas.
- Capacitação técnica: Fundamental para tecnologias como eletrificação.
- Foco no pós-venda: Melhora experiência do cliente final.
As montadoras que conseguirem alinhar suas estratégias com as necessidades dos concessionários terão vantagem em um mercado cada vez mais competitivo.

