Bolsa sobe 2,4% e dólar cai 1% após Powell sinalizar corte de juros nos EUA

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Economia gráfico financeiro

Economia gráfico financeiro - Foto: IherPhoto/istock

A Bolsa de Valores brasileira disparou 2,4% e o dólar caiu 1,02% nesta sexta-feira, 22 de agosto de 2025, em São Paulo, após o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sinalizar um possível corte nas taxas de juros dos Estados Unidos na reunião de setembro. O Ibovespa, principal índice da B3, atingiu 137.740 pontos, enquanto a moeda americana foi cotada a R$ 5,4218, refletindo o otimismo global com a política monetária americana. As declarações de Powell, feitas durante o simpósio de Jackson Hole, alimentaram expectativas de juros mais baixos, reduzindo a atratividade do dólar e impulsionando mercados emergentes como o Brasil. A ausência de eventos econômicos relevantes no cenário doméstico direcionou as atenções dos investidores para os Estados Unidos, apesar de tensões políticas locais e críticas do presidente americano Donald Trump ao Fed.

O discurso de Powell foi aguardado com grande expectativa, sendo sua última participação no simpósio antes do fim de seu mandato em maio de 2026. Ele destacou a possibilidade de ajustes na política monetária devido ao enfraquecimento do mercado de trabalho americano, embora tenha alertado para riscos inflacionários decorrentes de tarifas comerciais. No Brasil, o movimento foi amplificado pelo diferencial de juros, que torna ativos brasileiros mais atrativos com a perspectiva de taxas menores nos EUA.

  • Fatores globais: A sinalização de corte de juros pelo Fed animou bolsas globais, com Wall Street registrando altas expressivas.
  • Impacto local: O Ibovespa reverteu perdas semanais, enquanto o dólar acumula queda de 11,36% no ano.
  • Cenário político: Tensões entre Brasil e EUA, incluindo indiciamentos de Jair e Eduardo Bolsonaro, não ofuscaram o otimismo.

Reação dos mercados globais

O discurso de Powell em Jackson Hole desencadeou um rali nas bolsas mundiais. Em Nova York, o Dow Jones subiu 1,90%, o S&P 500 avançou 1,56% e o Nasdaq registrou alta de 1,88% por volta das 11h50, horário de Brasília. A perspectiva de juros mais baixos nos EUA reduz os rendimentos dos Treasuries, incentivando investidores a buscar ativos de maior risco, como ações de mercados emergentes. No Brasil, o Ibovespa, que abriu o dia com ganhos tímidos de 0,8%, acelerou para 2,22% após as declarações, alcançando 137.503 pontos, segundo dados da B3. O dólar, que iniciou o dia em leve alta, inverteu a tendência e aprofundou a queda, atingindo a mínima de R$ 5,417.

A reação imediata reflete a confiança do mercado em um ciclo de cortes de juros a partir de setembro, com 91% dos operadores precificando uma redução de 0,25 ponto percentual, conforme a ferramenta CME FedWatch. No entanto, Powell manteve um tom cauteloso, destacando que os riscos inflacionários persistem devido às tarifas impostas pelo governo Trump. Essa incerteza exige monitoramento contínuo dos dados econômicos americanos, como inflação e emprego, que serão divulgados antes da próxima reunião do Fed.

  • Dow Jones: Alta de 1,90%, alcançando 45.638 pontos.
  • S&P 500: Avanço de 1,56%, próximo de máximas históricas.
  • Nasdaq: Crescimento de 1,88%, impulsionado por tecnologia.
  • Ibovespa: Salto de 2,22%, revertendo perdas semanais.

Política monetária americana

Jerome Powell, em seu discurso, reforçou que o mercado de trabalho americano enfrenta desafios, com a criação de vagas desacelerando para 35.000 por mês nos últimos três meses, contra 168.000 em 2024. Ele descreveu o equilíbrio atual como “curioso”, decorrente de uma oferta e demanda enfraquecidas. Essa situação eleva os riscos de desemprego, justificando a possibilidade de um corte de juros para estimular a economia. Contudo, Powell alertou que tarifas comerciais podem pressionar a inflação, que está em 2,7% ao ano, acima da meta de 2%.

A fala de Powell foi interpretada como dovish, ou seja, mais inclinada a uma política expansionista, o que surpreendeu parte do mercado. Analistas esperavam maior cautela devido às pressões inflacionárias das tarifas de Trump. A probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 16 e 17 de setembro subiu de 75% para 90%, segundo a plataforma FedWatch. A sinalização também reduz a pressão sobre o dólar, que caiu frente a moedas emergentes como o real, o peso mexicano e o rand sul-africano.

  • Taxa de juros atual: Entre 4,25% e 4,50% ao ano.
  • Inflação nos EUA: 2,7% em julho, estável em relação a junho.
  • Corte esperado: 0,25 ponto percentual em setembro.
  • Reuniões do Fed em 2025: Setembro, outubro e dezembro.

Impactos no Brasil

No cenário doméstico, a perspectiva de juros menores nos EUA fortalece o real e atrai capital estrangeiro para o Brasil, onde a taxa Selic permanece elevada, em 10,5% ao ano. Isso aumenta o diferencial de juros, tornando ativos brasileiros, como ações e títulos, mais atrativos. O Ibovespa, que acumulava queda de 1,34% na semana, reverteu a trajetória e caminha para fechar com ganho semanal de 0,8%. O dólar, por sua vez, acumula queda de 2,20% no mês e 11,36% no ano, consolidando o real como uma das moedas emergentes mais valorizadas.

O mercado brasileiro também reagiu à nomeação de Bruno Moretti como novo presidente do conselho de administração da Petrobras, após a renúncia de Pietro Mendes. A mudança foi bem recebida, embora o foco principal tenha sido o cenário externo. As tensões políticas envolvendo o indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado não impactaram diretamente os mercados, mas seguem no radar dos investidores, especialmente devido ao embate com o governo americano.

  • Selic atual: 10,5% ao ano, favorecendo o carry trade.
  • Petrobras: Bruno Moretti assume conselho de administração.
  • Dólar no ano: Queda de 11,36% frente ao real.
  • Ibovespa no ano: Alta de 11,83%.
Dolar – Foto: Julia Tsokur/Shuterstock.com

Foco no simpósio de Jackson Hole

O simpósio de Jackson Hole, realizado anualmente no Wyoming, é um dos eventos mais aguardados pelos mercados financeiros. Em 2025, a edição ganhou ainda mais relevância por ser a última participação de Powell como presidente do Fed. Sua fala confirmou as expectativas de um ajuste monetário, mas sem comprometer a luta contra a inflação. O evento, que reúne banqueiros centrais de todo o mundo, também discutiu os impactos das tarifas comerciais de Trump, que podem gerar estagflação, combinando inflação alta e crescimento econômico lento.

No ano passado, Powell usou o mesmo evento para sinalizar cortes de juros, o que levou a uma desvalorização global do dólar. Em 2025, o mercado já precificava dois cortes até dezembro, mas a confirmação de um tom mais expansionista elevou o otimismo. Analistas destacam que os próximos relatórios de emprego e inflação, a serem divulgados antes da reunião do Fed, serão cruciais para confirmar o corte.

  • Jackson Hole 2024: Powell anunciou cortes, desvalorizando o dólar.
  • Edição 2025: Última participação de Powell como presidente do Fed.
  • Próximos passos: Relatórios de emprego e inflação definirão decisão.
  • Risco de estagflação: Tarifas de Trump preocupam analistas.

Tensões políticas e o mercado

As tensões entre Brasil e Estados Unidos, intensificadas pelo indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro, tiveram impacto limitado nos mercados. A Polícia Federal apontou que os dois tentaram pressionar autoridades brasileiras e influenciar o governo americano, com mensagens indicando preocupação de Eduardo em não irritar Trump. Apesar disso, o otimismo com os cortes de juros prevaleceu, com investidores focando na política monetária americana.

No Brasil, o mercado também monitorou a divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) pelo IBGE, que traça um panorama socioeconômico do país. Os dados, que avaliam infraestrutura e acesso a serviços essenciais, não geraram impactos significativos na bolsa ou no câmbio, mas reforçam a importância de indicadores domésticos para o planejamento econômico.

  • Indiciamento: Jair e Eduardo Bolsonaro por tentativa de golpe.
  • PF: Mensagens sugerem tentativa de manipular governo dos EUA.
  • Pnad 2024: Dados socioeconômicos sem impacto direto nos mercados.
  • Foco externo: Política monetária dos EUA domina as atenções.

Cenário global e perspectivas

As bolsas asiáticas registraram ganhos expressivos, com o índice de Xangai subindo 1,45% e o CSI300 avançando 2,1%, impulsionados pelo otimismo no setor de tecnologia e inteligência artificial. Na Europa, os resultados foram mistos, com o Financial Times de Londres subindo 0,23% e o CAC-40 da França caindo 0,44%. A reação global reflete a influência de Powell, cuja sinalização de corte de juros reduz a pressão sobre moedas emergentes e estimula fluxos de capital para mercados como o Brasil.

A queda do dólar frente ao real, peso mexicano e outras moedas emergentes evidencia o impacto da política monetária americana. No Brasil, analistas preveem que o dólar fraco e os juros baixos nos EUA podem levar a revisões nas projeções da Selic, com possível corte no futuro. O cenário favorece o carry trade, onde investidores tomam empréstimos em moedas de juros baixos para investir em países com taxas mais altas, como o Brasil.

  • Xangai: Alta de 1,45%, maior nível desde agosto de 2015.
  • Europa: Resultados mistos, com Londres em alta e Paris em queda.
  • Carry trade: Juros altos no Brasil atraem capital estrangeiro.
  • Selic: Possível revisão nas projeções com dólar fraco.
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