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Banco do Brasil enfrenta queda na bolsa com julgamento de Bolsonaro e sanções dos EUA

Banco do Brasil
Foto: Banco do Brasil - Foto: Roberval / Shutterstock.com

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) registraram queda significativa na bolsa de valores nesta terça-feira, 2 de setembro de 2025, em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A baixa, que chegou a superar 4% no início do pregão, reflete as incertezas do mercado financeiro diante da possibilidade de novas sanções dos Estados Unidos, baseadas na Lei Magnitsky Global, que já impactou o ministro Alexandre de Moraes. A tensão ocorre porque o Banco do Brasil, como instituição estatal, é visto como vulnerável a penalidades internacionais, especialmente por ser o principal banco onde servidores públicos, incluindo Moraes, recebem salários. O julgamento, que avalia acusações de tentativa de golpe de Estado, intensifica o embate político e econômico entre Brasil e EUA, afetando diretamente o desempenho das ações do banco na B3.

O cenário é agravado pela percepção de que uma eventual condenação de Bolsonaro pode desencadear medidas mais duras por parte da Casa Branca, incluindo sanções adicionais a autoridades brasileiras e instituições como o Banco do Brasil. A consultoria Eurasia destacou que o governo de Donald Trump considera o processo no STF uma acusação antidemocrática, o que eleva a possibilidade de restrições financeiras mais amplas. Enquanto isso, decisões recentes do STF, como a de Flávio Dino, que proíbe a aplicação de sanções estrangeiras sem aval da Corte, colocam os bancos brasileiros em uma encruzilhada jurídica e operacional.

  • Risco de sanções: Bancos com operações nos EUA temem multas por descumprir a Lei Magnitsky.
  • Impacto na bolsa: Ações do Banco do Brasil caíram até 4% na sessão de 2 de setembro.
  • Contexto político: O julgamento de Bolsonaro é visto como catalisador de tensões internacionais.
  • Decisão do STF: Flávio Dino determina que sanções estrangeiras precisam de homologação judicial.
Banco do Brasil (BBAS3) gráfico
Banco do Brasil (BBAS3) gráfico – Foto: Piotr Swat / Shutterstock.com

Pressão no mercado financeiro

O desempenho das ações do Banco do Brasil reflete um momento de alta volatilidade no mercado financeiro brasileiro. Na manhã de 2 de setembro, os papéis do banco (BBAS3) registraram baixa de 2,75%, cotados a R$ 20,51, enquanto outros grandes bancos, como Bradesco e Itaú, também apresentaram quedas, embora menos expressivas. O Santander, por outro lado, teve leve alta, sugerindo que o mercado vê o Banco do Brasil como o mais exposto às tensões atuais. Analistas apontam que a natureza estatal do banco, que concentra contas de servidores públicos, incluindo membros do Judiciário, aumenta sua vulnerabilidade a sanções internacionais.

A Eurasia, em relatório recente, destacou que a Casa Branca já impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros em retaliação ao julgamento no STF. A possibilidade de sanções adicionais, incluindo restrições ao Banco do Brasil, foi mencionada pela imprensa internacional, embora sem confirmação oficial. “O mercado está precificando o risco de um conflito maior entre Brasil e Estados Unidos, especialmente no setor financeiro”, afirma Alison Correia, analista da Dom Investimentos.

  • Tarifa de 50%: Medida já aplicada pelos EUA contra produtos brasileiros.
  • Vulnerabilidade estatal: Banco do Brasil é visto como alvo principal por sua ligação com o governo.
  • Volatilidade na B3: Queda das ações reflete incertezas sobre o futuro das relações bilaterais.

A Lei Magnitsky e o Banco do Brasil

A Lei Magnitsky Global, aprovada em 2016 nos Estados Unidos, permite sanções contra indivíduos acusados de violações de direitos humanos ou corrupção, com impactos que vão além do território americano. No caso do ministro Alexandre de Moraes, sancionado em 30 de julho de 2025, a medida resultou no cancelamento de cartões de crédito de bandeiras americanas, como Visa e Mastercard. O Banco do Brasil, em resposta, ofereceu ao ministro um cartão da bandeira Elo, de controle nacional, para contornar as restrições.

A decisão do STF, proferida por Flávio Dino em 18 de agosto, de proibir a aplicação de sanções estrangeiras sem homologação judicial, gerou um impasse para instituições financeiras. Bancos brasileiros com operações nos EUA, como Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e BTG Pactual, enfrentam o risco de penalidades caso mantenham relações comerciais com pessoas sancionadas. Por outro lado, cumprir as sanções americanas pode levar a multas ou sanções no Brasil, conforme alertou Moraes em entrevista à Reuters.

  • Bloqueio de ativos: A Lei Magnitsky proíbe transações com cidadãos ou empresas americanas.
  • Cartão Elo: Solução oferecida pelo Banco do Brasil para contornar restrições.
  • Impasse jurídico: Bancos temem punições tanto dos EUA quanto do STF.
  • Operações internacionais: Instituições com filiais nos EUA estão mais expostas.

Julgamento de Bolsonaro e tensões internacionais

O julgamento de Jair Bolsonaro, iniciado pela Primeira Turma do STF, analisa denúncias de tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A sessão, que deve se estender por duas semanas, é vista como um divisor de águas nas relações entre Brasil e Estados Unidos. O governo de Donald Trump, por meio de declarações do secretário de Estado Marco Rubio, classificou o processo como uma perseguição política, intensificando a pressão sobre autoridades brasileiras.

A inclusão de Moraes na lista de sancionados pela Lei Magnitsky foi motivada, segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, por supostas detenções arbitrárias e violações de direitos humanos. A medida gerou reações no Brasil, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o STF expressando solidariedade ao ministro. A Eurasia alerta que uma condenação de Bolsonaro pode levar a sanções adicionais, incluindo restrições a outros membros do Judiciário ou até ao Banco do Brasil, devido à sua relevância no sistema financeiro público.

  • Acusações dos EUA: Moraes é apontado por censura e prisões abusivas.
  • Reação brasileira: Lula e STF condenam interferência externa no Judiciário.
  • Julgamento em curso: Processo contra Bolsonaro pode durar até meados de setembro.
  • Risco de escalada: Sanções adicionais podem atingir outras autoridades ou instituições.

Reações do mercado e estratégias dos bancos

A queda nas ações do Banco do Brasil não é um evento isolado. Em 19 de agosto, os principais bancos brasileiros perderam R$ 41,9 bilhões em valor de mercado, conforme noticiado pelo Estadão, devido às incertezas geradas pela decisão de Flávio Dino. O mercado financeiro teme que bancos com operações nos EUA sejam forçados a escolher entre cumprir as sanções americanas ou enfrentar penalidades no Brasil.

Alguns bancos avaliam estratégias para mitigar os riscos, como o uso de cooperativas de crédito ou contas em instituições que operam apenas no Brasil, como a Caixa Econômica Federal, que, por ser uma autarquia, está menos exposta a sanções internacionais. No entanto, essas soluções são vistas como paliativas, já que o sistema financeiro global é altamente interconectado. “Os bancos estão em uma posição delicada, com pressões de ambos os lados”, explica um executivo do setor ouvido pela Gazeta do Povo.

  • Perda de valor: Bancos brasileiros sofreram impacto de R$ 41,9 bilhões em agosto.
  • Soluções alternativas: Cooperativas de crédito e bancos locais são considerados.
  • Interconexão global: Sistema financeiro dificulta escapar das sanções dos EUA.
  • Decisão estratégica: Bancos avaliam custos de cumprir ou descumprir sanções.

Histórico de sanções e precedentes

A Lei Magnitsky já foi aplicada em diversos casos globais, com efeitos significativos. Um estudo da Universidade Nacional da Austrália, que analisou sanções entre 2017 e 2020, mostrou que apenas dois de 20 sancionados foram retirados da lista, com restrições que duraram até sete anos. No caso do senador dominicano Félix Bautista, sancionado em 2017, bancos de vários países encerraram contas de sua família e empresas para evitar penalidades.

No Brasil, o precedente mais próximo envolveu o Banco do Brasil, multado há cerca de 15 anos por permitir que uma pessoa sancionada utilizasse uma conta em sua agência nos EUA. Esse histórico reforça a cautela do mercado em relação às sanções atuais. Especialistas, como Guilherme Casarões, da FGV, destacam que bancos estrangeiros tendem a adotar posturas conservadoras, encerrando relações com sancionados para evitar riscos.

  • Estudo australiano: Sanções Magnitsky raramente são revertidas.
  • Caso dominicano: Bancos globais cortaram laços com sancionado e família.
  • Precedente do BB: Multa nos EUA por conta de sancionado há 15 anos.
  • Postura conservadora: Bancos evitam riscos para manter acesso ao sistema financeiro global.