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Bruno Henrique nega manipulação em julgamento no STJD por cartão de 2023’Jamais cometi as infrações de que sou acusado’

Bruno Henrique Flamengo
Foto: Bruno Henrique Flamengo - Foto: Celso Pupo / Shutterstock.com

Bruno Henrique, atacante do Flamengo, enfrentou nesta quinta-feira, 4 de setembro de 2025, um julgamento crucial no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), no Rio de Janeiro, acusado de forçar um cartão amarelo em uma partida contra o Santos, em novembro de 2023, pelo Campeonato Brasileiro, para beneficiar apostadores. O jogador participou por videoconferência, direto da Bahia, onde aproveita folga, e negou as acusações, afirmando: “Jamais cometi as infrações de que sou acusado”. O caso, que também tramita na Justiça Comum, envolve o irmão do atleta, Wander Nunes Pinto Júnior, e outros associados, com base em investigações da Polícia Federal iniciadas em 2023. A denúncia aponta mensagens e movimentações financeiras suspeitas, levantando debates sobre a integridade no futebol brasileiro. A sessão, iniciada às 9h, foi transmitida ao vivo, e o desfecho pode resultar em até dois anos de suspensão.

A investigação ganhou força após casas de apostas, como Betano e KTO, detectarem padrões anormais em apostas no cartão amarelo de Bruno Henrique durante o jogo no Estádio Mané Garrincha. O atleta, que estava pendurado com dois cartões, recebeu o amarelo nos minutos finais e, posteriormente, um vermelho por reclamação. A defesa, liderada por advogados como Michel Assef Filho, argumenta que o lance foi normal e que a prática de forçar cartões é comum no futebol, sem intenção de beneficiar apostadores. Além disso, o Flamengo defende a prescrição do caso, alegando que o prazo para denúncia expirou.

  • Principais pontos da denúncia:
    • Suspeita de manipulação em apostas no cartão amarelo contra o Santos.
    • Envolvimento de familiares e amigos do jogador em apostas suspeitas.
    • Punição máxima pode incluir suspensão de até 720 dias e multas.

Início do julgamento no STJD

O julgamento no STJD começou às 9h, com Bruno Henrique participando remotamente. A Primeira Comissão Disciplinar analisou a denúncia da Procuradoria, que enquadra o jogador nos artigos 243 e 243-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), relacionados a condutas prejudiciais à equipe e à ética esportiva. A sessão foi marcada por embates entre a Procuradoria e a defesa, especialmente sobre a questão da prescrição. A defesa argumentou que o inquérito, aberto em maio de 2025, ultrapassou o prazo de 60 dias previsto no CBJD, enquanto a Procuradoria sustentou que novas provas da Polícia Federal, apresentadas em junho, reiniciaram a contagem.

A maioria dos auditores, por três votos a dois, decidiu pela validade do processo, rejeitando a preliminar de prescrição. Durante a sessão, um vídeo de Douglas Ribeiro Pina Barcelos, amigo do irmão de Bruno Henrique, foi apresentado, no qual ele admite ter conhecimento prévio do cartão. Barcelos fechou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) em abril de 2025, pagando multa e prestando serviços comunitários. A defesa, por sua vez, questionou a ausência do árbitro Rodrigo Rafael Klein, que apitou o jogo, para esclarecer o lance.

Provas e depoimentos

A investigação da Polícia Federal, iniciada em agosto de 2023, revelou mensagens entre Bruno Henrique e seu irmão, Wander, sugerindo planejamento para o cartão amarelo. As conversas, extraídas de celulares apreendidos na Operação Spot-Fixing, em novembro de 2024, indicam que Wander apostou R$ 3 mil, com retorno de R$ 12 mil, e compartilhou a informação com outros, como sua esposa, Ludymilla Araújo Lima, e uma prima do jogador, Poliana Ester Nunes Cardoso. Apesar de envolverem familiares, essas pessoas não foram denunciadas pelo STJD, que foca em Bruno Henrique e quatro associados.

Testemunhas ouvidas incluíram o delegado Daniel Cola, responsável pela investigação, e Pedro Lacaz, da casa de apostas KTO, que detalhou as movimentações financeiras atípicas. As provas digitais, como mensagens de WhatsApp, reforçam a denúncia, mas a defesa contesta sua validade, alegando que o contexto do lance não indica dolo.

  • Elementos centrais das provas:
    • Mensagens entre Bruno Henrique e Wander sobre o cartão.
    • Apostas de R$ 3 mil com lucro de R$ 12 mil por familiares.
    • Depoimento de Douglas Barcelos confirmando conhecimento prévio.
    • Relatórios de casas de apostas apontando movimentações atípicas.

Estratégia da defesa

A defesa de Bruno Henrique, representada por advogados como Ricardo Pieri Nunes e Michel Assef Filho, vice-presidente do Flamengo, adotou uma abordagem multifacetada. Além de questionar a prescrição, eles argumentam que o cartão amarelo foi aplicado em um lance sem gravidade, classificado como “normal” em relatórios iniciais do STJD, que arquivou o caso em 2024. A reabertura, em maio de 2025, ocorreu após novas evidências da Polícia Federal, mas a defesa insiste que a prática de forçar cartões é comum no futebol brasileiro e não configura manipulação.

Michel Assef Filho destacou que o status “pendurado” do jogador era público, o que explicaria o volume de apostas. Ele também criticou a falta de depoimento do árbitro, que poderia esclarecer a natureza do lance. A estratégia busca desqualificar as provas digitais e reforçar a ausência de intenção maliciosa, enfatizando a carreira consolidada de Bruno Henrique, capitão e ídolo do Flamengo.

Repercussão no Flamengo

O Flamengo mantém apoio irrestrito ao jogador, que segue atuando normalmente, como na goleada de 8 a 0 contra o Vitória, onde marcou um gol. O clube monitora o caso de perto, ciente de que uma suspensão pode impactar o planejamento para competições como o Brasileirão, a Libertadores e o Super Mundial de Clubes. A torcida, dividida, expressa confiança no atleta, mas cobra transparência no esporte.

O caso também reacende discussões sobre a regulamentação das apostas esportivas no Brasil, que movimenta cerca de R$ 100 bilhões anuais, segundo a Lei 14.790/2023. A CBF e a Conmebol intensificaram parcerias com empresas como a Sportradar para monitorar movimentações suspeitas, com mais de 50 alertas globais de manipulação por ano.

  • Medidas do Flamengo e do futebol brasileiro:
    • Apoio público ao jogador, mantendo-o como titular.
    • Monitoramento em tempo real por CBF e Sportradar.
    • Treinamentos obrigatórios sobre ética em apostas.
    • Bloqueio de contas suspeitas em casas de apostas.

Processo na Justiça Comum

Paralelamente, Bruno Henrique responde na 7ª Vara Criminal de Brasília por fraude em competição esportiva, com pena prevista de dois a seis anos de prisão. Em julho de 2025, o juiz Fernando Brandini Barbagalo aceitou a denúncia do MPDFT, mas rejeitou a acusação de estelionato por falta de elementos. A defesa tentou anular a investigação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), questionando a competência da Justiça do Distrito Federal, mas desistiu do recurso em 28 de agosto de 2025, focando no julgamento do STJD.

A investigação criminal, iniciada após alertas de casas de apostas, culminou na Operação Spot-Fixing, com mandados de busca em cidades como Rio de Janeiro e Belo Horizonte. As provas incluem mensagens e movimentações financeiras, mas a defesa sustenta que os lucros, estimados em R$ 11 mil, são insignificantes frente ao salário do jogador.

Debate sobre apostas no futebol

O caso de Bruno Henrique expõe vulnerabilidades no mercado de apostas esportivas, que cresceu exponencialmente no Brasil. A Lei 14.790/2023 regula o setor, mas fraudes continuam desafiando a integridade do esporte. Casos semelhantes, como o do lateral Igor Cariús, julgado em 2022, mostram a atenção crescente da Justiça e da CBF a esquemas de manipulação.

Empresas como Betano relataram prejuízos de R$ 2 milhões em 2024 devido a apostas suspeitas, levando ao uso de algoritmos avançados de detecção. O julgamento no STJD pode estabelecer precedentes para punições futuras, reforçando a necessidade de educação e transparência no futebol.

  • Ações contra fraudes em apostas:
    • Algoritmos da Sportradar analisam 1 milhão de eventos anuais.
    • Parcerias entre CBF, Conmebol e Polícia Federal.
    • Criação de treinamentos éticos para atletas.
    • Monitoramento global pela International Betting Integrity Association.