Italiano Giorgio Armani morre aos 91 anos e deixa legado na moda e no cinema
Morreu nesta quinta-feira, 4 de setembro de 2025, aos 91 anos, o estilista italiano Giorgio Armani, ícone global da moda minimalista e da alfaiataria moderna. O designer, natural de Piacenza, no norte da Itália, faleceu em Milão, onde construiu um império fashion que revolucionou o guarda-roupa masculino e feminino. Conhecido por sua estética discreta e elegante, Armani fundou sua marca homônima em 1975 e marcou a indústria com coleções que priorizavam conforto e sofisticação. Sua morte foi confirmada por assessores próximos, que não divulgaram a causa. O legado de Armani, que inclui colaborações com o cinema e campanhas publicitárias icônicas, deixa uma lacuna no mundo da moda. Ele transformou a percepção do casual chique e inspirou gerações de estilistas.
O impacto de Armani na moda transcende décadas. Sua abordagem inovadora, que desconstruiu o terno masculino, trouxe uma nova visão para a alfaiataria, com tecidos leves e cortes que valorizavam o corpo. Além disso, sua influência no cinema, com destaque para o filme Gigolô Americano (1980), consolidou sua relevância cultural.
- Revolucionou a alfaiataria com ternos desconstruídos.
- Colaborou com mais de 250 produções cinematográficas.
- Fundou a marca Giorgio Armani aos 41 anos, em 1975.
- Foi o segundo estilista na capa da revista Time, em 1982.
O mundo da moda lamenta a perda de um visionário que combinava pragmatismo e criatividade.
Início de uma trajetória singular
Giorgio Armani não seguiu um caminho convencional para a moda. Nascido em 11 de julho de 1934, em Piacenza, ele começou a carreira estudando Medicina, fascinado pela anatomia humana. No entanto, abandonou o curso e, após servir o Exército italiano, ingressou no setor como comprador na loja de departamentos La Rinascente, em Milão. Essa experiência abriu portas para sua entrada no design, quando foi contratado por Nino Cerruti para criar coleções masculinas. Sua visão única começou a ganhar forma, culminando na fundação da Giorgio Armani, incentivada por seu companheiro Sergio Galeotti, em 1975.
A marca nasceu em um momento de efervescência cultural, e Armani soube captar o desejo por uma moda mais fluida e confortável. Ele eliminou os excessos dos ternos tradicionais, como forros pesados e enchimentos, criando peças que equilibravam elegância e praticidade. Esse conceito, que ele chamava de “pragmático”, tornou-se sua assinatura.
- Primeira experiência na moda foi na La Rinascente.
- Trabalhou com Nino Cerruti antes de fundar sua marca.
- Lançou a Giorgio Armani com apoio de Sergio Galeotti.
Revolução na alfaiataria masculina
A desconstrução do terno foi o marco que colocou Armani no mapa da moda global. Nos anos 1970 e 1980, a alfaiataria masculina era rígida, com cortes que priorizavam formalidade em detrimento do conforto. Armani mudou isso ao introduzir tecidos mais leves, como linho e lã fria, e ao reduzir a estrutura interna das peças. O resultado foi um visual moderno, que se adaptava ao corpo e permitia maior liberdade de movimento.
Essa inovação não passou despercebida. Homens de diferentes idades e profissões adotaram o “terno Armani” como símbolo de sofisticação despojada. A estética minimalista, com cores neutras como cinza, bege e azul-marinho, tornou-se um padrão de elegância atemporal. Sua abordagem também abriu espaço para a moda masculina dialogar com a cultura pop, especialmente no cinema.
- Introduziu tecidos leves e cortes fluidos na alfaiataria.
- Popularizou o conceito de casual chique.
- Influenciou a moda masculina global nos anos 1980.
- Ternos se tornaram símbolo de status e modernidade.
Impacto no cinema e na cultura pop
O trabalho de Armani no cinema foi um divisor de águas. Sua colaboração com Gigolô Americano (1980), estrelado por Richard Gere, marcou a década. As roupas desenhadas para o filme, com ternos elegantes e camisas descontraídas, capturaram o espírito de uma nova masculinidade. A produção não apenas alavancou a carreira de Gere, mas também colocou Armani no radar de Hollywood.
Ao longo dos anos, ele vestiu atores em mais de 250 filmes, incluindo Os Intocáveis (1987) e Beleza Roubada (1996). Sua habilidade em traduzir narrativas cinematográficas em figurinos reforçou sua reputação como um estilista versátil. No tapete vermelho, estrelas como Julia Roberts e Leonardo DiCaprio frequentemente escolhiam suas criações, consolidando sua influência.
- Gigolô Americano marcou a moda dos anos 1980.
- Colaborou com diretores como Brian de Palma e Bernardo Bertolucci.
- Vestiu celebridades em eventos como o Oscar e o Met Gala.
- Suas criações eram sinônimo de elegância no cinema.
Expansão do império Armani
A criação da Emporio Armani, em 1981, ampliou o alcance da marca. Voltada para um público mais jovem, a linha trouxe a mesma sofisticação, mas com preços mais acessíveis. A Emporio Armani se tornou um destaque nas semanas de moda de Milão, atraindo uma nova geração de consumidores. Além disso, Armani diversificou seu portfólio com linhas de underwear, acessórios e perfumes, que se tornaram best-sellers globais.
As campanhas publicitárias da marca, especialmente as de roupas íntimas, ganharam notoriedade. Estrelas do esporte, como David Beckham e Cristiano Ronaldo, posaram para anúncios que viralizaram, reforçando a imagem de sensualidade e poder associada à marca. Armani escolhia seus garotos-propaganda com base em personalidade, não apenas em aparência, o que dava autenticidade às campanhas.
- Emporio Armani atraiu público jovem e dinâmico.
- Linhas de underwear e perfumes expandiram a marca.
- Campanhas com Beckham e Ronaldo viralizaram.
- Foco em personalidade elevou o impacto das propagandas.
Vida reservada e legado duradouro
Apesar de sua fama, Giorgio Armani mantinha uma vida discreta. Conhecido como “Signore Armani” por seus funcionários e amigos, ele evitava os holofotes fora do trabalho. Passava o tempo livre com a família, especialmente com a sobrinha Roberta, e em seu barco, onde relaxava longe da mídia. Sua discrição contrastava com a exuberância de outros estilistas, como Gianni Versace, com quem teve uma rivalidade notória.
Armani também era conhecido por declarações polêmicas, como a feita ao The Sunday Times Magazine, que gerou críticas nas redes sociais. No entanto, ele preferia focar em seu trabalho, evitando escândalos. Sua marca, avaliada em bilhões de euros, continua sendo uma das mais influentes do mundo, com lojas em mais de 60 países.
- Mantinha vida privada longe dos tabloides.
- Rivalidade com Versace marcou os anos 1990.
- Marca Armani está presente em mais de 60 países.
- Deixou um legado de elegância e inovação.
Influência na moda feminina
Embora tenha começado com a moda masculina, Armani também transformou o guarda-roupa feminino. Suas coleções para mulheres, lançadas nos anos 1980, trouxeram a mesma filosofia minimalista: peças versáteis, com cortes precisos e cores sóbrias. Ele acreditava que as mulheres, assim como os homens, buscavam praticidade sem abrir mão da elegância.
Suas criações femininas eram marcadas por blazers estruturados, calças de alfaiataria e vestidos fluidos, que se tornaram favoritos no ambiente corporativo e em eventos formais. A abordagem “menos é mais” de Armani influenciou estilistas contemporâneos e permanece relevante em coleções atuais.
- Priorizou cortes precisos e cores neutras para mulheres.
- Blazers femininos se tornaram ícones corporativos.
- Influenciou a moda feminina com minimalismo.
Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.








