Ancelotti arma oito mudanças na escalação do Brasil contra Bolívia para estreia de Samuel Lino em El AltoPor Carolina Costa
11 min de leitura
![]() |
O técnico Carlo Ancelotti ajusta a formação da seleção brasileira com oito mudanças para o confronto decisivo contra a Bolívia, marcado para esta terça-feira, 9 de setembro de 2025, às 20h30, no Estádio Hernando Siles, em El Alto, a 4.150 metros de altitude, pelas Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo de 2026. A partida representa o encerramento da campanha brasileira na competição, com o time já classificado para o Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá, mas buscando melhorar o aproveitamento atual de 54%, o pior desde o formato atual das qualificatórias, iniciado em 1996. Samuel Lino, atacante do Flamengo, surge como a principal novidade, treinado entre os titulares e pronto para sua estreia absoluta pela Amarelinha, ao lado de Luiz Henrique e Richarlison no setor ofensivo. Ancelotti opta por essa renovação para avaliar opções futuras, considerando o desgaste dos jogadores após o triunfo por 3 a 0 sobre o Chile, na última quinta, no Maracanã, e o fator altitude, que exige adaptações táticas e físicas. A Bolívia, em oitavo lugar com 17 pontos, precisa da vitória e de um tropeço da Venezuela para sonhar com a repescagem, tornando o jogo imprevisível apesar da superioridade técnica brasileira. A transmissão ocorre pela Globo, SporTV e ge.globo, com a delegação partindo de Teresópolis na tarde desta segunda para Santa Cruz de la Sierra, subindo para El Alto apenas horas antes do apito inicial, estratégia para minimizar os efeitos do oxigênio rarefeito.

A decisão de Ancelotti reflete uma abordagem cautelosa, baseada em consultas a ex-jogadores e treinadores experientes em altitude, incluindo seu filho Davide, que enfrentou condições semelhantes com o Botafogo na Libertadores.
- Manutenção de Alisson no gol garante estabilidade defensiva, com o goleiro do Liverpool invicto nos três jogos sob o comando italiano.
- Wesley se firma na lateral direita após atuações sólidas, enquanto Bruno Guimarães permanece como âncora no meio-campo para ditar o ritmo.
- As trocas visam frescor físico, priorizando atletas com maior resistência para suportar o ar rarefeito.
Essa estrutura permite ao Brasil controlar a posse de bola sem excessos de intensidade, diferentemente do duelo contra o Chile, onde a pressão alta funcionou em nível do mar.
Estratégias adaptadas à altitude boliviana
Carlo Ancelotti enfatiza a necessidade de alterar o padrão de jogo para lidar com os 4.150 metros de El Alto, onde a bola viaja mais rápido e o esforço físico se multiplica. Em coletiva antes do treino final em Teresópolis, o italiano revelou que buscou orientações de fisiatras e jogadores com histórico na região, admitindo ser uma novidade em sua carreira extensa, exceto por uma experiência em 1986 na Copa do México, a 2.200 metros. A preparação inclui simulações de cenários com menor intensidade, focando em transições rápidas e bolas paradas para explorar a estatura de zagueiros como Fabrício Bruno e Alexsandro. Andrey Santos, do Chelsea, assume a vaga de Casemiro, suspenso por cartões, trazendo dinamismo ao lado de Lucas Paquetá, que retorna após absolvição em investigações passadas e brilhou com um gol contra o Chile. No ataque, Samuel Lino ganha espaço pela velocidade e dribles afiados, demonstrados em treinos onde aplicou um belo corte sobre Vitinho para marcar contra Hugo Souza. Luiz Henrique, do Zenit, e Richarlison, do Tottenham, completam o trio ofensivo, com o último testado como referência física para segurar a bola em momentos de pressão boliviana. A Bolívia, sob Antonio Carlos Zago, aposta em contra-ataques velozes e na adaptação local, tendo empatado três e vencido um dos últimos jogos em casa. Ancelotti planeja um início controlado, evitando corridas longas que desgastam mais na altitude, e priorizando cruzamentos baixos para evitar erros defensivos comuns em chutes de fora da área.
O equilíbrio tático surge como chave, com Paquetá atuando como articulador central para conectar meio e ataque, enquanto Andrey Santos reforça a marcação contra o meio boliviano agressivo.
A viagem estratégica para Santa Cruz de la Sierra, ao nível do mar, permite recuperação noturna antes da subida rápida, uma tática usada em visitas anteriores à Bolívia, onde o Brasil venceu quatro dos últimos seis duelos, mas sofreu em 2017 com uma derrota por 2 a 0.
Novas caras no setor defensivo
Fabrício Bruno, zagueiro do Flamengo, e Alexsandro, do Lille, formam a dupla de zaga escolhida por Ancelotti para substituir Marquinhos e Gabriel Magalhães, preservados após o esforço contra o Chile. Bruno, convocado pela segunda vez, traz solidez aérea e leitura de jogo, essencial em bolas altas que ganham imprevisibilidade na altitude. Alexsandro, com experiência europeia, complementa com velocidade para cobrir laterais expostos. Na esquerda, Caio Henrique, do Monaco, assume a titularidade sobre Douglas Santos, testado em variações durante os treinos de domingo, onde Ancelotti alternou posições para confundir marcações. Wesley, do Corinthians, mantém a direita com cruzamentos precisos, vistos em sua assistência contra o Equador em junho. Essa linha defensiva, combinada com Alisson, visa neutralizar o ataque boliviano, liderado por Marcelo Martins Moreno, artilheiro histórico com 31 gols pela seleção, mas com 37 anos e menos mobilidade. Ancelotti elogiou a coesão do grupo em atividades fechadas, onde testou cenários de pressão inicial dos donos da casa, comuns em El Alto para explorar o cansaço visitante nos primeiros 20 minutos. A ausência de Kaio Jorge, cortado por lesão muscular e substituído por Andreas Pereira, do Fulham, reforça o foco em versatilidade, com o meia podendo entrar para adicionar criatividade no segundo tempo. Historicamente, o Brasil sofreu apenas três gols em El Alto desde 2010, mas Ancelotti alerta para chutes de média distância, que viajam mais longe no ar rarefeito.
A renovação defensiva permite observar opções para a Copa de 2026, com Bruno e Alexsandro competindo por vagas fixas em um elenco que prioriza juventude e resistência.
Treinos com portões fechados revelaram ênfase em compactação, reduzindo espaços para infiltrações bolivianas, que exploram o fator casa com posse agressiva nos flancos.
Samuel Lino e o ataque renovado
Samuel Lino, de 25 anos, realiza o sonho de estrear pela seleção em um palco tão desafiador quanto El Alto, após ser convocado às pressas para substituir Matheus Cunha, lesionado no Manchester United. O atacante rubro-negro, que acumula 12 gols e quatro assistências em 34 jogos pelo Flamengo desde julho, impressionou nos treinos com dribles e finalizações, como o golaço de fora da área contra Hugo Souza. Ao lado de Richarlison, que retorna ao Brasil após bom início na Premier League com o Tottenham, e Luiz Henrique, revelação do Fluminense agora no Zenit, Lino forma um trio móvel projetado para explorar contra-ataques curtos, ideais na altitude. Richarlison, com sua presença física, segura a bola para infiltrações, enquanto Luiz Henrique, de 23 anos, traz velocidade pelos lados, lembrando sua entrada decisiva contra o Chile com uma assistência. Ancelotti, em sua segunda data Fifa, usa o jogo para avaliar esses nomes, já que o Brasil, com 28 pontos, não corre risco de perda de posição. A Bolívia, que empatou sem gols com o Peru na rodada anterior, depende de sua torcida ensurdecedora para pressionar, mas enfrenta um Brasil invicto sob o italiano, com dois empates e uma vitória, sem gols sofridos. Lino, criado em São Bernardo do Campo e revelado no São Bernardo antes de brilhar no Gil Vicente e Atlético de Madrid, vê na amarelinha a chance de se firmar, especialmente após empréstimo ao Valencia com oito gols na La Liga. O ataque testado prioriza trocas de posição para desestabilizar a marcação zonal boliviana, com Paquetá lançando bolas longas que beneficiam a rapidez de Lino.
Richarlison elogiou a humildade do estreante em conversas no CT, destacando como a experiência europeia de Lino ajuda na adaptação rápida ao grupo.
- Velocidade de Lino nos contra-ataques explora flancos bolivianos vulneráveis.
- Assistências de Luiz Henrique somam cinco na Zenit, prometendo criatividade.
- Finalizações de Richarlison, com 14 gols pelo Tottenham, pressionam a defesa alta da Bolívia.
Meio-campo com dinamismo jovem
Andrey Santos e Lucas Paquetá assumem o motor do time, com Bruno Guimarães como pivô fixo, formando um trio que equilibra marcação e criação em meio à altitude. Andrey, de 20 anos e emprestado ao Nottingham Forest pelo Chelsea, estreia como titular após bom desempenho no sub-20 e entrada contra o Chile, onde recuperou quatro bolas em 20 minutos. Sua energia compensa a suspensão de Casemiro, permitindo transições rápidas sem expor a defesa. Paquetá, do West Ham, com 55 jogos pela seleção e 11 gols, atua como cérebro, após marcar no Maracanã e voltar fortalecido de polêmicas passadas. Guimarães, do Newcastle, é o único remanescente do time base, com 70% de passes certos contra o Chile e liderança em desarmes. Essa configuração visa conter o meio boliviano, com Henry Vaca e Fernando Saucedo buscando espaços verticais, enquanto o Brasil domina a posse em 60% dos duelos recentes. Ancelotti, consultando ex-técnicos como Tite para dicas sobre altitude, ajusta o ritmo para picos curtos de intensidade, evitando fadiga acumulada. Jean Lucas, do Bahia, e Vitinho, do Botafogo, foram testados como opções no banco, ampliando as alternativas para o segundo tempo, quando a altitude pesa mais. O Brasil criou nove chances claras nos últimos três jogos sob Ancelotti, cedendo apenas uma, mostrando evolução que deve se repetir em El Alto.
Paquetá, com visão periférica afiada, conecta o meio ao ataque, lançando Lino em profundidade durante simulações.
A juventude do setor, média de 24 anos, contrasta com a experiência boliviana, mas Ancelotti confia na adaptação rápida para manter o zero no placar.
Logística e histórico em confrontos andinos
A delegação brasileira embarca às 14h desta segunda para Santa Cruz de la Sierra, pernoitando em condições normais antes da subida de 1.500 km para El Alto, chegando quatro horas antes do jogo para preservar o condicionamento. Essa tática, usada desde 2013, reduziu os efeitos colaterais como náuseas e falta de ar, comuns em visitas prolongadas. Historicamente, o Brasil venceu 12 de 18 jogos contra a Bolívia nas Eliminatórias, mas em La Paz sofreu quatro derrotas, incluindo 6 a 1 em 2009, quando a altitude expôs falhas físicas. Sob Ancelotti, o time invicto soma quatro gols marcados, com ênfase em eficiência: Estêvão, Paquetá e Guimarães balançaram as redes contra o Chile. A Bolívia, com Zago no comando desde 2023, melhorou defensivamente, sofrendo 22 gols em 17 rodadas, mas ataca com Martins Moreno, que marcou contra o Brasil em 2022. Ancelotti planeja posse controlada, com 55% de bola nos treinos, para desgastar o adversário sem correr riscos. Andreas Pereira, convocado por Kaio Jorge, adiciona polivalência no meio, com dois gols recentes pelo Fulham. O jogo, sem impacto na classificação brasileira, serve como laboratório para a Copa, testando resiliência em condições extremas.
A chegada tardia minimiza exposição, com hidratação reforçada e máscaras de oxigênio disponíveis no banco.
- Vitórias em El Alto: 2 a 0 em 2015 e 3 a 1 em 2013 mostram capacidade de superação.
- Empates recentes: 0 a 0 em 2020 reflete equilíbrio tático.
- Derrotas evitáveis: Foco em bolas paradas, onde Brasil converte 25% das chances.







