Plataforma cPay avança com blockchain e reduz custos cambiais no comércio global
O bloco econômico BRICS, composto por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e membros recentes como Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia, anunciou em agosto de 2025 o lançamento do BRICS Pay durante a cúpula em Kazan, na Rússia. Essa plataforma de pagamentos digitais, inspirada no modelo do Pix brasileiro, permite transações internacionais instantâneas em moedas locais, eliminando a conversão obrigatória para o dólar americano. Desenvolvida com tecnologia blockchain descentralizada, o sistema conecta bancos centrais e instituições financeiras dos países membros, processando operações seguras e de baixo custo 24 horas por dia. A iniciativa responde às sanções econômicas impostas por potências ocidentais desde 2022, especialmente contra Rússia e Irã, e visa promover maior autonomia no comércio global, que movimenta trilhões anualmente entre os membros. Com testes iniciais liderados por China e Rússia, o BRICS Pay já integra sistemas nacionais como o Pix, que registra 227 milhões de transações diárias no Brasil, e promete expandir para bilhões de operações até o final da década.
A cúpula em Kazan reuniu líderes para discutir a implementação, destacando o papel do Brasil na adaptação da tecnologia do Pix, lançada em 2020 pelo Banco Central. Essa ferramenta revolucionou o mercado financeiro brasileiro, alcançando R$ 7 trilhões em transações não físicas no primeiro trimestre de 2025, o que representa 49% do total. Especialistas apontam que o BRICS Pay herda essa eficiência para superar limitações do sistema SWIFT, controlado por instituições ocidentais e sujeito a restrições geopolíticas.
O anúncio ocorre em meio a tensões crescentes, com os Estados Unidos ameaçando tarifas de até 100% sobre nações que adotem alternativas ao dólar, que domina 84% das transações mundiais. No entanto, o bloco avança com otimismo cauteloso, priorizando a interoperabilidade entre moedas como real, yuan, rúpia e rublo.
- Redução de custos em até 50% nas conversões cambiais para exportadores brasileiros.
- Processamento de até 20 mil mensagens por segundo via DCMS, tecnologia russa.
- Integração inicial com 11 países membros, expandindo para parceiros como Arábia Saudita.
Integração de sistemas nacionais impulsiona eficiência
Países do BRICS já possuem plataformas de pagamentos instantâneos consolidadas, e o BRICS Pay busca uni-las em uma rede unificada. O Pix brasileiro serve como âncora, permitindo transferências via chaves simples como CPF ou telefone, sem intermediários caros. Essa estrutura, que opera sem tarifas elevadas, contrasta com os modelos tradicionais que cobram spreads cambiais de 3% a 5% em operações internacionais.
A Rússia contribui com o SBP, sistema que facilita envios por número de telefone e é adotado por mais de 200 instituições financeiras. Na Índia, o UPI processa bilhões de transações mensais desde 2016, com forte ênfase em inclusão digital para populações rurais. A China, por sua vez, traz o IBPS, que suporta operações em yuan através de canais múltiplos, incluindo aplicativos móveis amplamente usados.
Esses sistemas nacionais formam a base técnica do BRICS Pay, que utiliza o Decentralized Cross-border Messaging System (DCMS), desenvolvido pela Universidade Estatal de São Petersburgo. Essa infraestrutura permite que cada país gerencie seu próprio nó na rede, evitando pontos centrais de falha ou controle externo.
Durante os testes-piloto iniciados em julho de 2025, transações bilaterais entre Rússia e China foram realizadas em poucas segundos, sem conversão para dólar. O Brasil participa ativamente, com o Banco Central fornecendo expertise para harmonizar regulamentações, garantindo conformidade com leis locais de dados e privacidade.
Tecnologia blockchain garante segurança descentralizada
A adoção de blockchain no BRICS Pay representa um avanço significativo em relação a sistemas legados como o SWIFT. Essa tecnologia distribui registros em uma rede de nós independentes, tornando as operações resistentes a interferências ou ciberataques centralizados. Cada transação é validada por múltiplos participantes, com protocolos de criptografia avançados que protegem contra fraudes.
Desenvolvido em colaboração entre engenheiros russos e chineses, o DCMS processa mensagens de forma assíncrona, permitindo liquidações em tempo real mesmo em fusos horários diferentes. Diferente de blockchains públicas como Bitcoin, o sistema é permissionado, acessível apenas a instituições autorizadas, o que equilibra velocidade e controle regulatório.
No Brasil, a integração com o Drex, o real digital em fase de testes pelo Banco Central, acelera o processo. Essa moeda digital de banco central (CBDC) pode ser usada diretamente no BRICS Pay, facilitando transferências sem notas físicas ou contas tradicionais. Projeções indicam que, até 2026, o Drex estará operacional, ampliando o alcance para pequenas e médias empresas envolvidas em exportações.
Países como a África do Sul, com o PayShap, e os Emirados Árabes Unidos, que testam sua própria CBDC, testam a plataforma em cenários reais. Em agosto de 2025, uma operação simulada entre Brasil e Índia movimentou valores equivalentes a US$ 100 milhões em rúpias e reais, demonstrando viabilidade prática.
- Operação sem controlador central, com nós gerenciados por bancos centrais locais.
- Criptografia quântica-resistente para proteção contra ameaças futuras.
- Código aberto pós-testes, permitindo customizações por membros sem custos licenças.
- Capacidade de funcionamento offline em redes parciais, útil em regiões com conectividade instável.
Liderança brasileira fortalece posição no bloco
O Brasil emerge como peça-chave no BRICS Pay, aproveitando sua presidência rotativa em 2026 para coordenar a expansão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cúpula de julho de 2025 no Rio de Janeiro, enfatizou a soberania econômica como prioridade, defendendo o sistema como ferramenta para o Sul Global. O chanceler Mauro Vieira reforçou essa visão em Kazan, destacando a inclusão de novos membros para diversificar rotas comerciais.
A expertise do Pix, que atingiu 150 milhões de usuários em menos de cinco anos, inspira treinamentos conjuntos para instituições financeiras dos membros. O Banco Central brasileiro lidera workshops sobre escalabilidade, ajudando nações como Etiópia e Irã a modernizar suas infraestruturas. Essa cooperação técnica inclui compartilhamento de dados anonimizados para otimizar algoritmos de detecção de fraudes.
Setores como agronegócio e mineração, que representam 40% das exportações brasileiras, beneficiam-se diretamente. Transações com China, principal parceiro, evitam perdas de 2% a 4% em conversões, potencializando lucros em bilhões de reais anuais. Empresas como Vale e JBS já participam de pilotos, testando pagamentos em yuan via BRICS Pay.
A iniciativa também alinha com o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que financia projetos de infraestrutura digital nos membros. Em 2025, o NBD aprovou US$ 5 bilhões para expansão de redes de pagamentos, priorizando integração com o BRICS Pay.
Reações internacionais e tensões geopolíticas
O lançamento do BRICS Pay provocou respostas variadas no cenário global. Nos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump classificou a plataforma como ameaça à estabilidade financeira, propondo tarifas de 50% a 100% sobre importações de países do bloco. Uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) em julho de 2025 questionou o impacto do Pix sobre empresas como Visa e Mastercard, alegando práticas anticompetitivas.
Na Europa, a União Europeia monitora o desenvolvimento, preocupada com a fragmentação do sistema financeiro. No entanto, nações neutras como Suíça e Singapura expressam interesse em parcerias, vendo oportunidades em uma rede multipolar.
Dentro do BRICS, consensos políticos ainda são construídos. A Índia defende maior uso da rúpia, enquanto a China prioriza o yuan, mas o modelo multicâmbio equilibra interesses. Economistas russos como Sergey Glazyev destacam o potencial para soberania no Sul Global, com projeções de 30% das transações intrabloco em moedas locais até 2030.
O bloco responde às pressões com diplomacia, enfatizando que o BRICS Pay complementa, não substitui, sistemas existentes. Em fóruns como o G20, líderes brasileiros argumentam pela inclusão financeira global, reduzindo desigualdades em acessos a pagamentos digitais.
- Ameaças de tarifas americanas afetam 20% do comércio BRICS-EUA.
- Interesse de 15 países parceiros em adesão futura ao sistema.
- Investigações ocidentais sobre Pix como precursor de disputas maiores.
Expansão para novos mercados e inclusão financeira
A plataforma BRICS Pay abre portas para mercados emergentes, integrando economias como a da Indonésia, que ingressou em 2025. Com foco em inclusão, o sistema suporta carteiras digitais acessíveis via smartphones, beneficiando 2 bilhões de habitantes do bloco. Na África do Sul, o PayShap já processa 10 milhões de transações mensais, e sua conexão com o BRICS Pay pode elevar isso em 300%.
Para o Irã e Etiópia, sob sanções, o sistema oferece rotas alternativas para exportar petróleo e commodities. Testes em setembro de 2025 envolveram transferências de ouro iraniano em rials para bancos chineses, sem intermediários ocidentais. Essa flexibilidade reduz riscos geopolíticos, estabilizando fluxos comerciais.
O Brasil planeja estandes de demonstração em feiras internacionais, como a Expo Dubai 2026, para atrair investidores. O NBD apoia startups fintech nos membros, fomentando inovação em pagamentos. Com o Drex, o país testa cenários de remessas familiares, onde migrantes enviam valores em reais diretamente para contas locais.
Especialistas preveem que, até 2027, o BRICS Pay processe 15% do comércio intrabloco, equivalente a US$ 1 trilhão. Essa escala reforça a competitividade, especialmente em energia renovável e agricultura, setores onde o bloco domina 40% da produção global.
Desafios técnicos e regulatórios na implementação
Harmonizar regulamentações entre 11 jurisdições diferentes exige coordenação intensa. Questões como paridade monetária e tributação de transações transfronteiriças demandam acordos bilaterais. No Brasil, o Conselho Monetário Nacional ajusta normas para o Drex, garantindo compatibilidade com o BRICS Pay.
Barreiras técnicas incluem variações em padrões de criptografia e conectividade em regiões remotas. A Rússia, com sua rede SPFS, testa soluções híbridas para áreas com internet limitada. A China contribui com expertise em IA para monitoramento de lavagem de dinheiro, alinhando com padrões globais como FATF.
Apesar dos obstáculos, avanços em 2025 mostram progresso. Uma iniciativa piloto com Egito e Emirados Árabes Unidos processou US$ 500 milhões em setembro, validando a estabilidade. O bloco cria um comitê técnico permanente, com reuniões trimestrais, para resolver pendências.
- Padronização de APIs para integração rápida de bancos locais.
- Acordos fiscais para evitar dupla tributação em operações.
- Treinamentos conjuntos para 5 mil profissionais financeiros até 2026.
- Auditorias independentes para transparência em todas as transações.
O BRICS Pay consolida o bloco como força inovadora, promovendo um ecossistema financeiro resiliente. Com o Brasil à frente em 2026, a plataforma ganha tração, expandindo laços econômicos e reduzindo vulnerabilidades externas. Avanços contínuos em tecnologia e diplomacia pavimentam o caminho para uma rede global mais equitativa.
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