Ronaldo descarta investir na SAF do Corinthians, mas defende modelo como soluçãoPor Maria
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O Corinthians vive um momento de instabilidade dentro e fora de campo, com dívidas acumuladas e uma crise política que marcou a temporada de 2025. Nesse cenário, a possibilidade de transformar o clube em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) voltou a ganhar força, reacendendo debates entre torcedores e associados. Ronaldo Fenômeno, ídolo alvinegro e ex-jogador do clube entre 2009 e 2011, abordou o tema em uma entrevista recente, publicada em 18 de setembro de 2025, no portal UOL Esporte. Ele, que já foi gestor de clubes como o Cruzeiro e o Real Valladolid, reafirmou sua crença na SAF como o melhor caminho para o Corinthians, mas surpreendeu ao descartar qualquer interesse em investir diretamente no projeto.
A declaração de Ronaldo veio durante o lançamento da Casa Rede Ronaldo, em São Paulo, um evento que marcou a abertura de um hub criativo voltado para esportes e entretenimento. O ex-jogador, conhecido por sua visão estratégica no futebol, destacou a necessidade de profissionalizar a gestão do clube, mas deixou claro que, no momento, não planeja aportar recursos financeiros. A mudança de tom em relação a declarações anteriores, quando chegou a se posicionar como potencial investidor, gerou reações entre os torcedores e reacendeu o debate sobre o futuro administrativo do Timão.
- Principais pontos da fala de Ronaldo:
- A SAF é vista como a única solução viável para os problemas financeiros do Corinthians.
- O ex-jogador não tem intenção de investir no clube no momento atual.
- Ele mantém carinho e apoio ao Corinthians, torcendo por sua recuperação.
Por que a SAF é defendida por Ronaldo?
Ronaldo Fenômeno argumenta que o modelo associativo atual do Corinthians é insustentável diante das dívidas que ultrapassam R$ 1,6 bilhão, segundo estimativas recentes. Ele destacou que a SAF permitiria uma gestão mais profissional, com decisões técnicas e menos influenciadas por disputas políticas internas. Durante sua passagem pelo Cruzeiro, entre 2021 e 2024, Ronaldo adquiriu 90% da SAF do clube mineiro por cerca de R$ 400 milhões e conseguiu reestruturar a equipe, levando-a de volta à Série A do Brasileirão. A experiência bem-sucedida reforça sua visão de que o modelo pode transformar clubes em crise.
A profissionalização, segundo o ex-atacante, atrairia investidores externos, essenciais para quitar dívidas como a da Neo Química Arena, estimada em R$ 700 milhões. Além disso, a SAF poderia modernizar a gestão, aumentando receitas por meio de patrocínios, direitos de transmissão e internacionalização da marca. Ronaldo também sugeriu um modelo híbrido, no qual o investidor teria controle majoritário nos primeiros anos, com a associação retomando parte da gestão posteriormente.
O Corinthians, apesar de sua força como marca e torcida, enfrenta desafios que vão além das finanças. A crise política, agravada pelo afastamento do ex-presidente Augusto Melo em agosto de 2025, por irregularidades em contratos de patrocínio, criou um ambiente de instabilidade que impacta o desempenho esportivo. Ronaldo acredita que a SAF seria um passo para estabilizar o clube e recolocá-lo na disputa por títulos.
Reações da torcida e resistência ao modelo
A possibilidade de transformar o Corinthians em SAF não é novidade, mas enfrenta resistência significativa. A Gaviões da Fiel, maior torcida organizada do clube, publicou uma nota em março de 2025 rejeitando a ideia. A torcida argumenta que o clube não precisa ser vendido para ser bem administrado e que a SAF vai contra a “essência popular” do Corinthians. A posição reflete o apego de parte dos torcedores à tradição do modelo associativo, que, apesar de suas falhas, é visto como parte da identidade do clube.
Por outro lado, a crise financeira, com dívidas que incluem pendências com bancos, fornecedores e até sanções da FIFA, como o transfer ban imposto em agosto de 2025, reforça a necessidade de mudanças. O clube foi impedido de registrar novos atletas por três janelas de transferências devido a uma dívida de R$ 33 milhões com o Santos Laguna, do México, pela contratação do zagueiro Félix Torres. Além disso, processos no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) envolvendo pagamentos atrasados a jogadores como Matías Rojas e Rodrigo Garro aumentam a pressão por soluções urgentes.
- Obstáculos à adoção da SAF no Corinthians:
- Resistência de torcedores e associados à venda do clube.
- Necessidade de aprovação de dois terços do Conselho Deliberativo.
- Dívidas acumuladas que podem desencorajar investidores.
- Crise política interna que dificulta decisões estratégicas.

O impacto das declarações de Ronaldo
As falas de Ronaldo, mesmo com a negativa de investimento, mantêm o debate sobre a SAF em evidência. Em entrevistas anteriores, como ao podcast Denilson Show em junho de 2025, ele havia se mostrado mais aberto à possibilidade de liderar um projeto de aquisição, afirmando que “arrumaria o dinheiro e embarcaria” caso o Corinthians optasse pelo modelo. A mudança de discurso reflete, segundo o próprio Ronaldo, uma decisão pessoal de se afastar de investimentos no futebol, após experiências no Cruzeiro e no Real Valladolid, onde enfrentou desafios, incluindo protestos de torcedores espanhóis.
Apesar de recuar, Ronaldo não deixou de reforçar seu carinho pelo Corinthians. Ele destacou sua passagem pelo clube, entre 2009 e 2011, quando conquistou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil, marcando 35 gols em 69 jogos. A conexão com a torcida, que o ovacionou mesmo em visitas à Neo Química Arena como gestor do Cruzeiro, permanece forte. Suas declarações, embora cautelosas, mantêm viva a esperança de que o clube encontre um caminho para superar a crise.
A situação atual do Corinthians
O Corinthians enfrenta um momento delicado na temporada de 2025. No Brasileirão, o time busca se afastar da zona de rebaixamento, e a partida contra o Sport, no dia 21 de setembro, é vista como crucial para ganhar confiança. Na Copa do Brasil, o clube avançou às semifinais, mas enfrenta o Cruzeiro, outro time com forte ligação com Ronaldo, o que torna o confronto simbólico. A instabilidade administrativa, com a gestão interina de Osmar Stabile, dificulta a implementação de mudanças estruturais, como a adoção da SAF.
A diretoria atual planeja usar receitas de 2025, como os R$ 100 milhões do acordo com a Nike, para mitigar riscos financeiros. Além disso, vendas de jogadores da base, como Kauê Furquim, e parcerias internacionais para scouting com inteligência artificial são estratégias para aumentar receitas. No entanto, sem uma reestruturação profunda, o clube corre o risco de sanções adicionais, como perda de pontos no Brasileirão ou até rebaixamento em casos extremos.
- Medidas em curso no Corinthians:
- Uso de receitas de patrocínios para quitar dívidas urgentes.
- Foco em jogadores da base para gerar caixa.
- Negociações com credores internacionais para evitar punições da FIFA.
- Estudos para parcerias com ligas europeias.
O futuro do debate sobre a SAF
A discussão sobre a SAF no Corinthians está longe de um desfecho. A votação marcada para julho de 2025, que definirá se o clube adotará o modelo, depende da aprovação de dois terços do Conselho Deliberativo, um processo que promete ser acirrado. Ronaldo, mesmo afastado de investimentos diretos, segue como uma voz influente, trazendo sua experiência de sucesso no Cruzeiro, onde elevou o valor da SAF de R$ 350 milhões para R$ 600 milhões na venda para Pedro Lourenço.
O modelo SAF, adotado por mais de 60 clubes brasileiros desde a sanção da Lei nº 14.193/21, tem exemplos de sucesso, como o Bahia e o Botafogo, que atraíram investidores e melhoraram sua competitividade. Para o Corinthians, com uma torcida de mais de 30 milhões de pessoas e uma marca avaliada em R$ 3,7 bilhões em 2024, a transformação poderia abrir portas para novos aportes e modernização. No entanto, a resistência cultural e política permanece um desafio significativo.
Ronaldo, enquanto isso, foca em novos projetos, como a Casa Rede Ronaldo, que une esportes, entretenimento e eSports. Sua decisão de não investir diretamente não diminui o peso de suas palavras, que continuam a ecoar entre torcedores e dirigentes. O Corinthians, em meio a uma temporada de altos e baixos, precisa encontrar um equilíbrio entre sua história e a necessidade de mudanças para voltar a brilhar nos gramados.






