Censo 2022 revela que 1,3 milhão gasta mais de 2h no deslocamento ao trabalho em capitais
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira (9) dados do Censo 2022 sobre deslocamentos ao trabalho em todo o país. O levantamento mostra que 1,3 milhão de pessoas, equivalente a 1,8% da população ocupada, levam mais de duas horas para chegar ao emprego. Essa realidade afeta especialmente grandes centros urbanos como Rio de Janeiro e São Paulo, onde gargalos no transporte coletivo agravam o quadro.
A pesquisa considera apenas o trajeto principal de trabalhadores de 10 anos ou mais que atuam fora de casa, somando tempos de diferentes meios de locomoção, incluindo caminhadas. Excluem-se aqueles com empregos em múltiplos municípios ou que trabalham remotamente. No total, 71,2 milhões de brasileiros se deslocam diariamente para o serviço, representando 71,4% dos ocupados.
Dados por município destacam variações regionais. Em Queimados (RJ), 12,5% dos moradores demoram mais de duas horas, o maior índice entre cidades com mais de 100 mil habitantes. Na Baixada Fluminense, percentuais semelhantes aparecem em Nova Iguaçu e Duque de Caxias.
- Proporção de trajetos acima de duas horas: 1,8% no Brasil, mas 12,5% em Queimados.
- Trabalhadores com até 30 minutos: 57,4% nacionalmente, contra 32,7% na cidade fluminense.
- Meios de transporte comuns: 31,6% usam ônibus, 19,9% trem ou metrô.
Variações regionais no tempo de trajeto
O aumento na proporção de deslocamentos rápidos ocorreu em todas as regiões, mas com intensidades diferentes. No Sul, o grupo que leva até 30 minutos subiu de 59,4% em 2010 para 64,9% em 2022. Essa tendência reflete melhorias em infraestruturas locais, como linhas de ônibus mais eficientes em cidades como Curitiba.

No Centro-Oeste, o salto foi de 52,9% para 58,9%, impulsionado por expansões urbanas em Brasília. Já o Sudeste registrou crescimento de 47,6% para 53%, apesar de desafios em metrópoles como São Paulo, onde 49,6% dos usuários de trem e metrô enfrentam de uma a duas horas no percurso.
Diferenças por gênero e cor ou raça
Homens dedicam mais tempo ao trajeto que mulheres, com maior presença no grupo de 30 minutos a uma hora. Elas, por outro lado, concentram-se em deslocamentos curtos, até meia hora, devido a padrões de emprego próximos ao domicílio.
Pretos e pardos registram tempos mais longos. Mais de 20% deles levam de 30 minutos a uma hora, e 2% a 2,5% superam duas horas. Brancos, em comparação, têm 58,5% chegando em até 30 minutos. Indígenas lideram com 2,9% em trajetos extensos.
Essas disparidades ligam-se a residências periféricas e dependência de transportes públicos. O IBGE nota que níveis de instrução influenciam: 20,4% dos com fundamental incompleto usam ônibus, enquanto qualificados optam por veículos individuais.
Correlação entre renda e duração do percurso
Pessoas com renda até um salário mínimo enfrentam 34,6% de trajetos acima de 30 minutos. Essa fatia cai para 28,8% entre quem ganha mais de cinco salários, com 71% resolvendo em até meia hora.
O padrão inverte em curtos deslocamentos: apenas 9,6% dos de baixa renda per capita levam até cinco minutos, contra proporções maiores em faixas elevadas. Rendimento domiciliar per capita reforça isso, com reduções proporcionais no tempo à medida que a renda cresce.
Transportes coletivos, como metrô e trem, concentram 1,6% dos usos, mas com tempos médios altos devido a distâncias. BRT representa 0,3%, similar a caminhões adaptados.
Municípios com maiores desafios no deslocamento
Queimados destaca-se com 12,5% em mais de duas horas, seguido por cidades na Baixada Fluminense. Em Salvador e Manaus, percentuais acima da média nacional afetam 5% a 8% dos trabalhadores.
A gestão local em Queimados implementa mutirões de emprego interno e pleiteia linhas de ônibus ao estado. No Rio, avenidas como a Brasil concentram engarrafamentos diários.
Em São Paulo, 2,8 milhões cruzam municípios para trabalhar, com 7,9 milhões retornando três ou mais dias por semana. Esses fluxos pendulares somam 9,3 milhões nacionalmente, ou 10,7% dos ocupados.
O Censo exclui 16,9% que trabalham em casa, queda de 21,9% em 2010, indicando mais saída para fora do domicílio.
Transporte coletivo domina em periferias urbanas
Ônibus lideram com 31,6% em áreas como Queimados, seguido por trem e metrô em 19,9%. Automóveis particulares ficam em 16,2%, acessíveis a rendas médias.
Van e peruas representam 1,4%, enquanto bicicletas e motos somam frações menores. O IBGE aponta baixa adoção de alta capacidade, como BRT, limitando eficiência.
Em capitais, 86,6 milhões demoram mais de uma hora em coletivos, ligando-se a rotas longas. Mulheres e baixa instrução concentram-se nesses meios.
A divulgação inclui tabelas no Sidra para recortes por estado e município, auxiliando planejamento urbano.









