Dólar registra alta de 0,45% nesta quinta-feira (9), cotado a R$ 5,58, em meio a uma onda de aversão ao risco global desencadeada por declarações da futura primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. A executiva defendeu maior alinhamento entre o Banco do Japão e o governo, o que elevou temores de políticas expansionistas em um contexto de inflação alta no país asiático. No mercado brasileiro, o Ibovespa inverteu ganhos iniciais e opera em queda de 0,32%, aos 146.120 pontos, refletindo o humor negativo das bolsas internacionais. Analistas apontam que o iene enfraqueceu para ¥152 por dólar, ampliando a volatilidade nos emergentes.
O impacto das falas de Takaichi se espalhou rapidamente para os ativos de risco, com o índice Nikkei recuando 1,2% em Tóquio. Investidores temem que estímulos fiscais agravem a pressão inflacionária japonesa, que já atinge 2,8% ao ano.
- Principais bolsas afetadas: Dow Jones (-0,8%), S&P 500 (-0,6%) e Nasdaq (-0,9%).
- Moedas emergentes: Real (-0,45%), peso mexicano (-0,3%) e rand sul-africano (-0,5%).
Declarações de Takaichi agitam Tóquio
Sanae Takaichi, recém-eleita líder do Partido Liberal Democrata, afirmou que o Banco do Japão deve coordenar decisões monetárias com os objetivos governamentais. Essa posição contrasta com a independência tradicional do BoJ e surge em momento de recuperação econômica frágil no Japão.
A declaração ocorreu durante coletiva em Tóquio, logo após sua vitória na disputa interna do partido. Takaichi enfatizou a necessidade de estímulos para elevar salários e investimentos, mas evitou detalhes sobre prazos.
O iene despencou imediatamente, atingindo mínimas de três meses frente ao dólar. Mercados japoneses registraram saída de ¥2,1 trilhões em ações, segundo dados da Tokyo Stock Exchange.
Reações nos mercados globais
Bolsas asiáticas fecharam em baixa, com Hong Kong caindo 1,5% e Seul perdendo 0,9%.
O dólar index, que mede a moeda americana contra uma cesta de divisas, subiu 0,7%, para 106,2 pontos. Essa força reflete buscas por ativos seguros em meio à incerteza japonesa.
Investidores monitoram o calendário do BoJ, com reunião prevista para 31 de outubro, onde pode haver ajustes na taxa de juros atual de 0,25%.
A Europa abriu em território negativo, com o FTSE 100 de Londres recuando 0,4% e o DAX de Frankfurt, 0,5%, ecoando o pessimismo asiático.
Política monetária japonesa em xeque
O Banco do Japão manteve sua taxa básica em 0,25% na última reunião, mas sinalizou cautela com a inflação persistente. Takaichi, defensora do Abenomics, propõe expansão fiscal para combater a deflação crônica que assola o país há décadas. Essa abordagem pode forçar o BoJ a adiar normalizações, prolongando a fraqueza do iene.
Analistas do Nomura estimam que novas emissões de dívida japonesa atinjam ¥35 trilhões em 2026, elevando o endividamento público para 260% do PIB. A dependência de yields baixos no mercado de títulos torna o alinhamento político uma preocupação central.
O episódio destaca tensões entre autonomia central e pressões governamentais, vistas em outros emergentes como Turquia e Argentina nos últimos anos.
Efeitos no Brasil e emergentes
No Brasil, o real ampliou perdas após abertura positiva, com exportadores de commodities registrando ganhos moderados. Ações de Petrobras e Vale caíram 0,8% e 0,5%, respectivamente, puxando o Ibovespa para baixo.
O volume negociado na B3 atingiu R$ 18 bilhões até o meio-dia, abaixo da média semanal de R$ 22 bilhões. Fatores domésticos, como a prévia do IGP-M recuando 0,37% em outubro, oferecem algum contraponto, mas o fluxo externo domina o dia.
Outros emergentes enfrentam pressão similar: a Turquia viu o dólar subir 0,6% contra a lira, enquanto a Índia registrou queda de 0,4% no Sensex.
Perspectivas para o fechamento da sessão
O dólar pode testar R$ 5,60 se a aversão persistir, segundo operadores da XP Investimentos. O Ibovespa precisa de suporte em 145.800 pontos para evitar perda semanal.
Dados de emprego nos EUA, divulgados à tarde, podem influenciar o humor, com expectativas de 200 mil vagas criadas em setembro. No Japão, Takaichi agenda encontro com o premiê interino para discutir transição, o que pode trazer mais clarezas até o fim da semana.

