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STF garante correção do FGTS pelo IPCA para proteger trabalhador da inflação

Supremo Tribunal Federal (STF)
Foto: Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: Rmcarvalho/ Istockphoto.com

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, em junho de 2024, que a correção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) não pode render menos que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A medida, válida para depósitos a partir da publicação, busca proteger o poder de compra dos trabalhadores contra a inflação. A mudança substitui parcialmente a Taxa Referencial (TR), que frequentemente rendia abaixo da inflação, gerando perdas acumuladas. Milhões de trabalhadores com carteira assinada podem ser beneficiados.

A nova regra estabelece que, se a soma de TR, juros de 3% ao ano e lucros do fundo for inferior ao IPCA, o governo deve compensar a diferença. A decisão não é retroativa, mantendo as correções antigas para saldos anteriores a 2024. A Caixa Econômica Federal, responsável pela gestão do FGTS, já implementa os novos cálculos.

Trabalhadores com dúvidas sobre saldos antigos podem buscar revisão judicial, desde que apresentem documentação como extratos e carteira de trabalho. Ações individuais ou coletivas são opções viáveis, mas exigem análise jurídica para avaliar a viabilidade.

  • Principais pontos da decisão:
    • Correção mínima pelo IPCA para depósitos a partir de 2024.
    • TR e juros de 3% continuam, mas com ajuste se necessário.
    • Revisão judicial é possível, mas não automática para saldos antigos.

Nova regra em detalhes

A correção do FGTS agora garante que o saldo não perca valor frente à inflação. A mudança veio após anos de críticas à TR, que, em períodos como 2017 a 2022, ficou próxima de zero.

O IPCA, calculado pelo IBGE, passa a ser o piso mínimo de rendimento, assegurando maior proteção aos trabalhadores. A Caixa ajusta os cálculos mensalmente, e o Conselho Curador do FGTS define os critérios técnicos.

Impacto para o trabalhador

A decisão do STF beneficia diretamente quem tem saldo ativo no FGTS. Em 2023, o fundo tinha cerca de 120 milhões de contas ativas, segundo a Caixa.

Para um saldo de R$ 10 mil, por exemplo, se o IPCA for 4% e a TR zerada, o trabalhador terá o rendimento ajustado para pelo menos 4%, além dos juros fixos.

FGTS - foto
FGTS – foto: © Joédson Alves/Agência Brasil

Limites da revisão judicial

Trabalhadores podem buscar revisão de saldos antigos na Justiça Federal, mas a não retroatividade da decisão limita os casos. Ações são mais comuns quando há erros nos depósitos ou correções inadequadas.

Documentos como extratos e comprovantes de vínculo empregatício são essenciais. Advogados recomendam avaliar o custo-benefício, já que valores recuperáveis podem ser baixos.

O prazo para ações judiciais é debatido, mas agir rapidamente é aconselhável para evitar prescrição. Sindicatos também organizam ações coletivas para facilitar o acesso.

Quem pode buscar a revisão

Qualquer trabalhador com saldo no FGTS, ativo ou inativo, pode avaliar a possibilidade de ação judicial. Isso inclui celetistas, servidores públicos e herdeiros de titulares falecidos.

A viabilidade depende de análise jurídica, considerando os períodos de depósito e possíveis perdas. Pequenos saldos podem não justificar o processo.

Orientação jurídica é essencial

Consultar um advogado especializado é fundamental para entender os direitos e os limites da revisão. Cada caso exige análise individual, com base em extratos e histórico profissional.

A decisão do STF reforça a proteção do FGTS, mas não elimina a necessidade de orientação para ações judiciais. Guardar documentos é crucial para embasar pedidos.

Calculando o novo rendimento

O rendimento do FGTS agora combina TR, juros de 3% ao ano e lucros distribuídos pela Caixa. Se o total for inferior ao IPCA, o governo cobre a diferença.

Em 2022, por exemplo, a TR foi 0,2%, enquanto o IPCA atingiu 5,8%. Pela nova regra, o trabalhador teria garantido pelo menos 5,8% de correção, contra os 3,2% da fórmula antiga. Essa mudança pode representar ganhos significativos ao longo dos anos.