Saúde

Anvisa aprova Mounjaro para apneia do sono em obesos e reduz interrupções respiratórias em 30 por hora

Mounjaro, caneta emagrecedora
Mounjaro, caneta emagrecedora - Foto: coldsnowstorm/istock

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o uso do Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida, para tratar apneia obstrutiva do sono em adultos com obesidade. A decisão ocorreu em Brasília e foi publicada no Diário Oficial da União em 17 de outubro de 2025, ampliando indicações já existentes para diabetes tipo 2 e obesidade. Essa medida responde à necessidade de opções terapêuticas para uma condição que afeta o sono e eleva riscos cardiovasculares.

Estudos clínicos de fase 3 sustentaram a aprovação, demonstrando redução significativa em interrupções respiratórias. O fármaco atua como agonista duplo de receptores hormonais, regulando apetite e glicose. Pacientes participantes registraram melhoras mensuráveis após 52 semanas de tratamento.

Mecanismo da tirzepatida no organismo

A tirzepatida simula hormônios intestinais para promover saciedade e reduzir ingestão calórica. Esse processo facilita perda de peso, fator central na apneia obstrutiva do sono, que surge de obstruções nas vias aéreas durante o repouso. Administrado via injeção semanal, o medicamento integra-se a rotinas de pacientes sem alterar drasticamente hábitos diários.

Pesquisas indicam que a substância melhora a oxigenação sanguínea e diminui episódios de hipóxia noturna. Em ensaios com 469 voluntários de diversos países, incluindo o Brasil, o tratamento combinou-se com aparelhos CPAP para otimizar resultados. A eficácia observada reforça o potencial da tirzepatida como terapia complementar.

Resultados de estudos clínicos

Ensaios clínicos revelaram reduções expressivas em eventos de apneia.

  • Pacientes sem CPAP registraram 27 interrupções respiratórias a menos por hora com tirzepatida, contra cinco no grupo placebo.
  • Com uso de CPAP, a queda chegou a 30 eventos por hora, superando os seis do placebo.
  • Após um ano, 42% dos tratados com o medicamento apresentaram apneia leve sem sintomas, ante 16% no placebo.

Esses dados, coletados em centros de pesquisa globais, destacam a superioridade do fármaco em comparação a placebos. Voluntários relataram sono mais restaurador e menor fadiga diurna.

Opções terapêuticas ampliadas

O Mounjaro surge como primeira medicação aprovada especificamente para apneia do sono no Brasil. Antes, tratamentos limitavam-se a CPAP, cirurgias ou mudanças comportamentais. Agora, profissionais podem prescrever a tirzepatida isoladamente ou associada ao aparelho de pressão positiva. Essa flexibilidade atende perfis variados de pacientes obesos com quadros moderados a graves.

A inclusão da nova indicação reflete avanços em pesquisas sobre distúrbios metabólicos e respiratórios. Fabricantes relatam demanda crescente pelo produto, embora disponibilidade dependa de importação. Médicos enfatizam monitoramento contínuo para efeitos colaterais gastrointestinais comuns a agonistas de GLP-1.

Anvisa
Anvisa – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Sintomas e fatores de risco associados

A apneia obstrutiva do sono caracteriza-se por pausas respiratórias repetidas, causadas por relaxamento excessivo dos músculos da garganta. Sintomas incluem ronco intenso, sonolência excessiva diurna e interrupções noturnas frequentes. Fatores como obesidade abdominal agravam o estreitamento das vias aéreas, elevando incidência em adultos de meia-idade.

Diagnóstico envolve polissonografia, exame que mede oxigenação e padrões de sono. Prevalência atinge cerca de 30% em obesos, segundo entidades médicas internacionais. Controle de peso via medicamentos como o Mounjaro aborda raízes metabólicas do problema.

Combinação com tratamentos existentes

Integração do Mounjaro ao CPAP potencializa benefícios em pacientes resistentes ao aparelho isolado. Estudos mostraram que 50% dos combinados alcançaram remissão após um ano, com perda média de 22,7 kg. Essa abordagem dupla reduz dependência de dispositivos noturnos incômodos.

Outras opções, como perda de peso cirúrgica, permanecem viáveis para casos extremos. A tirzepatida oferece via farmacológica acessível, embora exija prescrição médica rigorosa. Monitoramento de glicemia e pressão arterial integra protocolos de uso.

Perda de peso e benefícios cardiovasculares

Pacientes tratados com tirzepatida perderam, em média, 20,4 kg ao longo de 52 semanas, representando 18% do peso inicial. Essa redução alivia pressão sobre vias aéreas e diminui riscos de hipertensão e arritmias. Ensaios confirmaram melhora em marcadores inflamatórios ligados a eventos cardíacos.

O mecanismo duplo da substância – atuando em GIP e GLP-1 – acelera metabolismo e estabiliza níveis de insulina. Longo prazo, tais ganhos podem mitigar comorbidades associadas à obesidade. Profissionais recomendam adesão estrita para maximizar efeitos.

Disponibilidade e considerações práticas

O Mounjaro exige receita controlada e não integra listas de medicamentos gratuitos do SUS inicialmente. Preços variam conforme dosagem, com injeções semanais facilitando adesão. Farmacêuticas preveem expansão de estoque para atender demanda crescente no país.

Orientação nutricional complementa o tratamento, promovendo hábitos sustentáveis. Consulta inicial com otorrinolaringologistas ou pneumologistas orienta dosagens adequadas. Atualizações regulatórias da Anvisa monitoram segurança contínua do produto.

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