Anvisa: novas canetas para diabetes e obesidade somam 14 opções no paísPor Janderson Luiz
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou 14 novas canetas injetáveis voltadas ao tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade no Brasil durante o ano de 2026. O avanço dos registros decorre do término da patente do Ozempic, produzido pela Novo Nordisk, expirada em 20 de março de 2026.
O conjunto de aprovações inclui dez medicamentos à base de semaglutida, três formulações de liraglutida e uma versão inédita do Mounjaro, composto por tirzepatida. Os produtos dividem-se entre itens similares e genéricos inéditos desenvolvidos por diferentes indústrias farmacêuticas instaladas no país. A expansão das marcas não torna os remédios automaticamente intercambiáveis nas farmácias.
A avaliação individual define a prescrição.
Fim de patente ampliou mercado de semaglutida
A semaglutida atua como agonista do receptor de GLP-1, hormônio natural que regula os índices glicêmicos no sangue e amplia a sensação corporal de saciedade. A farmacêutica EMS obteve a liberação do Ozivy em 26 de maio de 2026 para adultos com quadro de diabetes tipo 2 descontrolado, alcançando a inclusão na Lista de Medicamentos de Referência da agência em 10 de julho de 2026.
A agência reguladora concedeu registro a cinco formulações em 29 de julho de 2026: Owozy, da Ávita Care; Seemasun, da Sun Farmacêutica; Zempneo, da Brainfarma; Semavy, da Cosmed; e Orsema, da Ranbaxy. O primeiro genérico sem nome de marca comercial saiu em 17 de agosto de 2026 para a EMS, data em que a Germed registrou o similar Semaclique. A Germed registrou o segundo genérico da molécula em 24 de agosto de 2026, seguido pelo similar Yluméc, da EMS, autorizado em 31 de agosto de 2026.
Aprovados pela Anvisa reúnem dez opções de semaglutida
- Ozivy, da EMS
- Semavy, da Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos
- Owozy, da Ávita Care Importação e Distribuição de Produtos
- Zempneo, da Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica
- Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil
- Orsema, da Ranbaxy Farmacêutica
- Semaglutida genérica da EMS
- Semaclique, da Germed
- Semaglutida genérica da Germed
- Yluméc, da EMS
A Eurofarma já distribuía no país os medicamentos Extensior e Poviztra desde outubro de 2025 por meio de uma parceria formal com a dinamarquesa Novo Nordisk.
Valores no varejo e regras de desconto para genéricos
As canetas de Ozempic mantêm valores entre R$ 975 nas apresentações de 0,25 mg e 0,5 mg no comércio digital até R$ 999 na versão de 1 mg. O medicamento Ozivy iniciou as vendas com preços tabelados de R$ 452 a R$ 498 nas redes farmacêuticas.
A legislação federal determina que os medicamentos genéricos ingressem no mercado com desconto obrigatório de pelo menos 35% sobre a tabela do produto de referência. Projeções calculadas a partir do valor inicial do Ozivy situam os genéricos da semaglutida na faixa de R$ 293 a R$ 323 por unidade. Os demais produtos com registro publicado dependem da fixação oficial de valores pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos antes da distribuição comercial ampla aos pacientes.
O teto financeiro condiciona o tratamento.
Critérios clínicos orientam a prescrição médica
A coordenadora do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, Bruna Marinho, declarou que o plano terapêutico depende do diagnóstico formal, da necessidade de peso a perder, de outras enfermidades e da capacidade orçamentária do paciente para sustentar a medicação por meses ou anos consecutivos. A médica explicou que os custos contínuos superam a escolha apenas pela potência da droga.
A professora da Afya Educação Médica Vitória, Alana Rocha, apontou que o desconforto gastrointestinal decorrente de náusea, constipação, dor abdominal e refluxo exige cautela redobrada dos médicos antes de autorizarem a substituição de fórmulas em indivíduos que apresentam comorbidades cardíacas ou problemas hepáticos graves. “A gente precisa avaliar várias coisas, principalmente as comorbidades que o paciente possui”, disse Rocha. A especialista informou que a troca entre apresentações nem sempre se mostra viável clinicamente.
O tratamento farmacológico exige acompanhamento contínuo.
Liraglutida e tirzepatida apresentam rotinas distintas
A agência aprovou a versão Liraclick da Germed em 1º de junho de 2026, além de autorizar dois genéricos de liraglutida da EMS voltados ao diabetes e à obesidade. Os genéricos utilizam como referência as fórmulas Olire e Linux, vendidas em canetas de 6 mg a partir de R$ 84 no varejo.
O médico Júlio Américo Batatinha, pesquisador no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, declarou que a liraglutida apresenta como desvantagem a exigência de aplicações diárias, enquanto semaglutida e tirzepatida operam em regimes semanais. A tirzepatida da farmacêutica Eli Lilly permanece protegida por patente com a marca Mounjaro, tendo recebido em 18 de março de 2026 a aprovação de uma versão multidose em frasco reutilizável. A substância dulaglutida segue vendida com exclusividade sob a marca Trulicity, sem concorrentes diretos autorizados.








