Ex-presidente francês Nicolas Sarkozy é preso por ligação com dinheiro de Khadafi

Nicolas Sarkozy

Nicolas Sarkozy - Foto: Frederic Legrand - COMEO / Shutterstock.com

Nicolas Sarkozy, ex-presidente da França, foi preso nesta terça-feira (21/10) em Paris para cumprir pena de cinco anos por envolvimento em um esquema de financiamento ilícito de sua campanha presidencial de 2007, ligado ao ditador líbio Muammar Khadafi. A condenação marca a primeira vez que um ex-líder francês é detido desde Philippe Pétain, em 1945. Sarkozy, que nega as acusações, foi levado à prisão de La Santé, onde ficará em uma cela isolada. Ele entrou com recurso contra a sentença.

Na manhã desta terça, cerca de 100 apoiadores se reuniram em frente à sua residência no 16º distrito de Paris, após convocação de seu filho Louis. Sarkozy chegou à prisão às 9h40 (horário local), sob forte esquema de segurança. Ele afirma ser inocente e postou mensagem em rede social, declarando que a “verdade prevalecerá”.

  • A pena de cinco anos é por associação criminosa.
  • O caso envolve supostos milhões de euros da Líbia.
  • Sarkozy ficará em isolamento para sua segurança.

O ex-presidente, que governou de 2007 a 2012, enfrenta um momento histórico para a política francesa.

Detalhes do caso

O caso remonta à campanha presidencial de 2007, quando Sarkozy teria recebido recursos ilícitos do regime de Muammar Khadafi. A promotoria alega que o ex-presidente prometeu melhorar a reputação internacional do ditador líbio em troca do financiamento. Dois assessores próximos, Brice Hortefeux e Claude Guéant, também foram condenados por associação criminosa.

As investigações apontam que reuniões em 2005, organizadas por um intermediário franco-libanês, Ziad Takieddine, selaram o acordo. Takieddine, falecido antes da condenação, era ligado ao chefe de inteligência líbio. Apesar de Sarkozy ter sido absolvido de receber dinheiro diretamente, a Justiça considerou a gravidade dos fatos suficiente para a prisão.

Condições na prisão

Sarkozy cumprirá pena na prisão de La Santé, em uma cela de 9 metros quadrados na ala de isolamento. A cela possui banheiro, chuveiro, escrivaninha e uma pequena TV. Ele terá direito a uma hora diária de exercício, sozinho, por motivos de segurança.

O ex-presidente afirmou que não busca tratamento especial. Ele levou dois livros para a prisão: A Vida de Jesus e O Conde de Monte Cristo, este último sobre um homem injustamente preso que planeja vingança.

Nicolas Sarkozy – Frederic Legrand – COMEO / Shutterstock.com

Reações políticas

Na semana passada, Sarkozy foi recebido pelo presidente Emmanuel Macron no Palácio do Eliseu, em um gesto descrito como humanitário. Macron destacou a importância de apoiar um antecessor em tal contexto.

O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, anunciou que visitará Sarkozy na prisão para verificar sua segurança. “Não posso ignorar a angústia de um homem”, afirmou Darmanin, reforçando o compromisso com o bem-estar do ex-presidente.

Declarações de Sarkozy

Antes de ser preso, Sarkozy deu entrevistas à imprensa, mantendo sua postura de inocência. “Não tenho medo da prisão e manterei a cabeça erguida”, declarou. Ele alega que o caso tem motivação política e que a condenação é uma tentativa de humilhar a França.

Sarkozy também usou redes sociais para se defender, afirmando que sua prisão não é apenas de um ex-presidente, mas de “um homem inocente”. Ele destacou o apoio de sua esposa, Carla Bruni-Sarkozy, e de seus filhos.

Contexto histórico

A prisão de Sarkozy é um marco na história francesa, sendo o primeiro ex-presidente detido desde Philippe Pétain, condenado por traição em 1945. Antes disso, apenas o rei Luís 16 havia sido preso, em 1793, antes de sua execução. A condenação reacende debates sobre a influência de recursos estrangeiros em campanhas eleitorais.

Impacto na política francesa

O caso Khadafi expõe fragilidades no financiamento político e aumenta a pressão por transparência. A condenação de Sarkozy pode influenciar a confiança do eleitorado em líderes de centro-direita, especialmente após sua gestão marcada por reformas econômicas.

Sarkozy, que liderou a França durante a crise financeira global, segue sendo uma figura polarizadora. Seu recurso será julgado nos próximos meses, mas a prisão já gera reflexos no cenário político.

Maria: Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.