Denúncias formais entre Taís Araujo e Manuela Dias sobre “Vale Tudo” levam Globo a reforçar diversidade

Tais araujo

Tais araujo - @ Instagram Tais Araujo

A TV Globo se posicionou oficialmente após o embate público entre a atriz Taís Araujo e a autora Manuela Dias, que trabalhavam no remake da novela das 21h, “Vale Tudo”. Em nota divulgada nesta quarta-feira (5/11), a emissora carioca adotou um tom de conciliação, sem comentar diretamente as queixas formais que foram registradas por ambas as profissionais no setor de compliance da empresa nos últimos meses. O cerne da disputa profissional envolveu a condução da personagem Raquel, interpretada por Taís Araujo.

O desentendimento escalou após a atriz manifestar insatisfação com a trajetória da protagonista, levando a discussão para além dos bastidores do Projac, o complexo de estúdios da Globo no Rio de Janeiro. A denúncia de Taís Araujo, formalizada internamente, levantou a questão da representatividade, argumentando que sua personagem, uma mulher negra, estava sendo escrita para passar por sofrimento excessivo. Manuela Dias, por sua vez, também acionou o setor de ética da emissora, alegando uma possível quebra de código de conduta por parte da atriz ao tornar o conflito público e abordar o recorte racial da discussão.

Posicionamento institucional da emissora

O comunicado da TV Globo focou no sucesso da produção e no compromisso com a pauta de diversidade. A nota afirma que a empresa tem “muito orgulho do remake de Vale Tudo, exibido recentemente”, destacando que a obra “já entrou para a história da dramaturgia brasileira” e que é um “exemplo bem-sucedido de atualização de uma grande obra do passado”.

A emissora também reforçou que a novela “reforça o compromisso de toda a Globo com a diversidade”. Embora a nota não tenha detalhado o andamento das investigações internas, a manifestação sinaliza a atenção da direção da emissora com o atrito envolvendo duas de suas profissionais de destaque.

Origem do desentendimento e queixas mútuas

As divergências tiveram início em agosto, enquanto a trama ainda estava no ar. A atriz Taís Araujo procurou Manuela Dias para debater a forma como sua personagem, Raquel, estava sendo desenvolvida, sentindo-se incomodada com a perda de destaque da protagonista ao longo da história e com a ênfase no sofrimento da personagem.

Fontes próximas indicam que o diálogo inicial não foi produtivo e rapidamente se transformou em uma discussão mais intensa.

  • A queixa de Taís Araujo no compliance visava debater a representação de pessoas negras na teledramaturgia da emissora.
  • A autora Manuela Dias também formalizou uma queixa, alegando que a atriz teria violado o código de ética ao levar a disputa para o domínio público, especialmente ao tocar na questão racial.

Repercussão e clima nos bastidores

O clima entre Taís Araujo e Manuela Dias ficou visivelmente tenso, especialmente na reta final do folhetim. Integrantes da produção notaram o afastamento entre as duas, que não voltaram a se falar desde o ocorrido. O embate interno gerou conversas sobre os limites da liberdade criativa dos autores e o papel dos atores na construção dos personagens, especialmente em um contexto de maior discussão sobre representatividade racial.

A situação reacende o debate sobre a autonomia artística e as políticas de compliance em grandes veículos de comunicação. Manuela Dias, conhecida por seu engajamento em pautas sociais, assinou recentemente o roteiro do filme “Malês”, sobre a Revolta dos Malês, ocorrida em 1835 na Bahia.

A insatisfação da atriz com a personagem foi publicamente manifestada em entrevistas ainda no final de agosto, onde ela expressou frustração por não ver Raquel “subindo na vida” e desejando “uma outra narrativa sobre mulheres negras”. A autora, em resposta, se limitou a comentar em outra ocasião que “a novela é um processo de colaboração”. A expectativa é que o resultado da apuração interna do compliance da emissora traga novos direcionamentos para o ambiente de trabalho e as relações profissionais na teledramaturgia.

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