Acidentes

Distração por celular causa 76% dos acidentes no Brasil

homem dirigindo enquanto está no celular
Foto: homem dirigindo enquanto está no celular - Pekic/iStock.com

O uso de celulares ao dirigir se consolidou como a principal causa de acidentes de trânsito no Brasil em 2025, superando excesso de velocidade e consumo de álcool. Pesquisa da Sem Parar, realizada em setembro, revelou que 76% dos motoristas consideram o smartphone o maior risco nas ruas, acima até da criminalidade, apontada por 44%. A Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) alerta que a distração causada por mensagens ou ligações aumenta em 400% o risco de colisões.

A prática, que compromete a atenção visual e cognitiva, resulta em cerca de 14 acidentes por hora nas rodovias brasileiras, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) classifica o uso do celular como infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH.

Perigos da distração no trânsito

O uso de celulares ao volante gera múltiplos tipos de distração, afetando motoristas em diferentes níveis. A Abramet destaca que mesmo após o uso, a atenção do condutor permanece comprometida por até três segundos, período crítico em alta velocidade.

  • Distração visual: Olhar para a tela desvia a atenção da via, equivalente a dirigir vendado por até 100 metros a 80 km/h.
  • Distração cognitiva: Processar mensagens ou ligações reduz a capacidade de reação a emergências.
  • Distração manual: Segurar o aparelho compromete o controle do veículo, aumentando riscos de colisões.

Impactos nas vias urbanas e rodovias

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou mais de 6 mil mortes em rodovias federais em 2024, muitas ligadas à distração por celular. Em áreas urbanas, o problema é ainda mais grave, com 67% dos motoristas considerando o trânsito nas cidades mais perigoso.

Nas rodovias, a falta de reação causada por notificações ou mensagens atrasa frenagens e desvios, potencializando acidentes. Em São Paulo, o Infosiga reportou 3.554 mortes no trânsito entre janeiro e julho de 2024, um aumento de 23% em relação a 2023.

volante, cnh
volante, cnh – Foto: Suthida Phensri/Shutterstock.com

Multas e fiscalização no Brasil

O CTB intensificou as penalidades para o uso de celular ao volante desde 2023, quando a infração passou de média para gravíssima. Em 2023, o Detran de Mato Grosso do Sul aplicou 35.141 multas por essa prática, sendo 18.634 em Campo Grande.

A fiscalização enfrenta dificuldades, pois não há tecnologia similar ao bafômetro para detectar distração. Nos EUA, soluções como inteligência artificial e bloqueio de aparelhos via geolocalização estão em teste, mas no Brasil, a solução depende de campanhas educativas.

Soluções e conscientização

Campanhas como o Maio Amarelo buscam conscientizar motoristas sobre os riscos do celular ao volante. A Abramet sugere verificar mensagens antes de dirigir e usar sistemas hands-free, embora até esses possam distrair.

A indústria automotiva investe em tecnologias como Android Auto e Waze integrado para reduzir a necessidade de manusear o celular. Mesmo assim, especialistas reforçam que a mudança de comportamento é essencial para reduzir acidentes.

Riscos para diferentes públicos

A faixa etária de 20 a 39 anos é a mais afetada, com 57% dos acidentes ligados ao uso de celular, segundo a Abramet. Motociclistas e pedestres também enfrentam riscos, com muitos acidentes envolvendo quem atravessa ruas olhando para a tela.

O Observatório Nacional de Segurança Viária aponta que a atenção reduzida aumenta em 50% o tempo de reação em emergências. Isso é especialmente perigoso para idosos, que, ao usarem o celular enquanto caminham, têm maior risco de quedas.

Tecnologias para prevenção

Soluções tecnológicas começam a ganhar espaço no combate à distração. A Cobli Cam Pro, por exemplo, usa inteligência artificial para detectar sinais de distração e emitir alertas sonoros. Empresas de transporte adotam essas ferramentas para monitorar motoristas e reduzir custos com acidentes.

No Brasil, a falta de políticas públicas robustas, como as que destinam recursos do Funset para campanhas educativas, limita avanços. Especialistas defendem a combinação de tecnologia, fiscalização e educação para mudar o cenário.

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