A principal criptomoeda, o Bitcoin, zerou os ganhos acumulados em 2025, caindo abaixo de US$ 93.714 no último domingo, 16 de novembro, em meio a uma onda de pessimismo no mercado. A desvalorização ocorre após a máxima histórica de US$ 126.251, atingida em 6 de outubro, impulsionada pela narrativa pró-cripto do governo Trump. A redução do apetite por risco, saídas institucionais e liquidações de posições alavancadas pressionam o preço, enquanto a Strategy Inc., grande acumuladora de Bitcoin, vê suas ações em mínima anual. Especialistas apontam incerteza macroeconômica e falta de catalisadores como causas do recuo.
O mercado cripto, avaliado em cerca de US$ 3,2 trilhões, enfrenta um momento de consolidação. Tokens menores sofrem perdas ainda mais expressivas, com quedas de até 60% em alguns casos. A volatilidade, característica do setor, reacende debates sobre a sustentabilidade do Bitcoin como hedge financeiro.
- Fatores da queda: Saídas de ETFs, tomadas de lucro e incerteza global.
- Impacto no varejo: Sentimento negativo desencoraja novos investidores.
- Perspectiva técnica: Suporte em US$ 90 mil pode limitar perdas.
Pressão dos investidores institucionais
A saída de grandes investidores tem agravado a desvalorização do Bitcoin. ETFs, que captaram US$ 25 bilhões em 2025, registraram saídas de US$ 870 milhões apenas na última quinta-feira, segundo dados do mercado.
A narrativa de diversificação de portfólio, que sustentou o Bitcoin como proteção contra inflação, perdeu força. Analistas observam que a ausência de fluxos institucionais contínuos expõe a fragilidade do mercado em momentos de incerteza.
Ciclos históricos de volatilidade
O Bitcoin já enfrentou períodos de euforia e colapso. Em 2017, cresceu 13.000%, mas caiu 75% no ano seguinte, mostrando sua natureza cíclica.
Em 2025, a criptomoeda oscilou de US$ 74.400 em abril, após tarifas anunciadas por Trump, até novas máximas em outubro. A atual queda reflete a sensibilidade do ativo a eventos macroeconômicos.
Movimentos semelhantes ocorreram em 2022, quando o Bitcoin recuou após picos impulsionados por adoção corporativa. Para analistas, o cenário atual pode ser uma consolidação antes de nova alta.
Reação da Strategy Inc.
A Strategy Inc., liderada por Michael Saylor, tornou-se símbolo da adoção corporativa de Bitcoin. A empresa, que transformou seu modelo em acumuladora de cripto, detém uma das maiores reservas do ativo.
No entanto, suas ações atingiram a mínima em um ano, negociadas próximas ao valor de seu estoque de Bitcoin. Investidores deixaram de pagar o prêmio antes associado à estratégia agressiva da companhia.
O desempenho da Strategy reflete o esfriamento da confiança no mercado. A alavancagem de sua estratégia, antes vista como visionária, agora enfrenta ceticismo.
A conferência Bitcoin 2025, realizada em maio, destacou Saylor como palestrante, reforçando sua influência no setor, mas o evento não conseguiu reverter o sentimento negativo atual.
Sentimento de varejo em baixa
O mercado de varejo também reflete pessimismo. Fóruns e grupos de discussão, como Telegram, mostram cautela entre investidores, com receio de novas quedas.
A memória de colapsos passados, como a perda de 50% em 2018, leva muitos a anteciparem saídas, reduzindo a liquidez no mercado.
Para alguns analistas, como Matthew Hougan, da Bitwise, o recuo pode ser uma oportunidade de compra, mas a falta de catalisadores claros mantém a incerteza.
O Bitcoin responde por 60% do mercado cripto, e sua trajetória influencia altcoins, que enfrentam perdas mais severas.
Impacto nos tokens menores
Tokens menos líquidos, como os da metade inferior dos 100 maiores ativos digitais, acumulam quedas de cerca de 60% em 2025.
A alta volatilidade, que atrai traders em momentos de rali, torna esses ativos vulneráveis em fases de baixa.
A falta de suporte institucional agrava o cenário, com investidores priorizando Bitcoin e Ethereum.
A MarketVector, que monitora esses ativos, aponta que a ausência de catalisadores de alta limita a recuperação no curto prazo.
O que esperar do mercado
A incerteza macroeconômica, impulsionada por tarifas e esfriamento das ações de tecnologia, continua a moldar o mercado cripto.
A ausência de novos fluxos institucionais e a liquidação de posições alavancadas sugerem que o Bitcoin pode testar suportes técnicos, como US$ 90 mil, nas próximas semanas.

