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Banqueiro Daniel Vorcaro tem prisão mantida após Operação Compliance Zero

PF prende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Foto: PF prende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master - reprodução

O banqueiro Daniel Vorcaro, acionista majoritário do Banco Master, teve sua prisão mantida pela Justiça Federal do Distrito Federal após audiência de custódia realizada nesta terça-feira. Vorcaro foi detido pela Polícia Federal (PF) na noite de segunda-feira (17) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, no momento em que tentava embarcar para uma viagem ao exterior. A prisão preventiva faz parte da Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos por instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Na mesma data, o Banco Central (BC) do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira.

Liquidação extrajudicial e tentativa de venda

A decisão do Banco Central de liquidar extrajudicialmente o Banco Master encerrou as negociações que poderiam levar à venda da instituição.

Menos de 24 horas antes da deflagração da Operação Compliance Zero, o Grupo Fictor havia demonstrado interesse formal na aquisição do banco. Com a liquidação, todos os processos de venda ou reestruturação foram suspensos, conforme rito do BC.

A medida do regulador visa proteger o sistema financeiro e os credores, iniciando o processo de apuração de ativos e passivos da instituição. A complexidade da operação e a gravidade dos indícios de fraude foram fatores determinantes para a ação imediata do Banco Central.

Desdobramentos da Operação Compliance Zero

A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela PF para desarticular um esquema de emissão fraudulenta de títulos de crédito.

Banco Master
Banco Master – Divulgação Banco Master

Além de Daniel Vorcaro, seu sócio Augusto Lima e outros cinco indivíduos presos também passaram por audiências de custódia e tiveram a detenção mantida.

As investigações apontam para a possível ocorrência dos crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. A PF cumpriu um total de cinco mandados de prisão preventiva e dois de prisão temporária.

Mandados cumpridos em cinco estados

A ação policial abrangeu diversos estados brasileiros, refletindo a extensão do suposto esquema financeiro investigado.

As autoridades federais também cumpriram 25 mandados de busca e apreensão e diversas medidas cautelares.

Os mandados foram executados nas seguintes regiões:

  • Rio de Janeiro
  • São Paulo
  • Minas Gerais
  • Bahia
  • Distrito Federal

Início das investigações e substituição de ativos

As apurações da Polícia Federal tiveram início no ano passado, após solicitação do Ministério Público Federal (MPF). O objetivo era investigar a alegada fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma das instituições financeiras envolvidas.

Esses títulos de crédito teriam sido negociados com outro banco. Após uma fiscalização detalhada realizada pelo Banco Central, constatou-se a necessidade de substituição desses ativos, que foram trocados por outros sem a devida avaliação técnica, levantando suspeitas de irregularidade na gestão.

Foco da investigação: fraude no Sistema Financeiro

A PF apura se os envolvidos fabricaram e negociaram ativos de crédito com informações falsas para ocultar problemas na saúde financeira do banco.

O esquema é focado na emissão de documentos que não correspondem à realidade das operações de crédito, prática que compromete a estabilidade e a credibilidade do Sistema Financeiro Nacional. A manutenção das prisões demonstra a seriedade com que a Justiça e as autoridades tratam as acusações.