Prisão preventiva: o que é, como funciona e o que acontece na audiência de custódia no Brasil

Policia Federal

Policia Federal - Foto: Instagram

A prisão preventiva é uma medida cautelar prevista no Código de Processo Penal (CPP) que pode ser decretada a qualquer fase do inquérito ou da ação penal. Ela não tem prazo definido e serve para garantir a ordem pública, a ordem econômica, a conveniência da instrução criminal ou a aplicação da lei penal. O pedido pode partir do Ministério Público, da autoridade policial ou do assistente de acusação, mas só o juiz pode autorizá-la.

No caso de réus com foro privilegiado ou processos no Supremo Tribunal Federal, a decisão cabe ao relator do caso, como ocorre com ministros do STF. A medida exige fundamentação concreta, com indícios de autoria e prova da existência do crime, além de pelo menos um dos requisitos do artigo 312 do CPP.

Quando a prisão preventiva pode ser decretada

O juiz avalia situações específicas para justificar a preventiva. Os principais motivos incluem risco de fuga, perigo à sociedade, ameaça a testemunhas ou tentativa de destruir provas.

A decretação exige demonstração de que medidas alternativas, como monitoramento eletrônico ou proibição de saída do país, são insuficientes. O Supremo Tribunal Federal tem exigido fundamentação detalhada para evitar prisões automáticas.

  • Garantia da ordem pública: quando há risco de reiteração delitiva grave.
  • Conveniência da instrução: proteção a vítimas ou testemunhas.
  • Aplicação da lei penal: indícios concretos de tentativa de evasão.

Passo a passo do cumprimento na Polícia Federal

O mandado é expedido pelo juiz e cumprido imediatamente pela PF ou pela polícia local. O preso é conduzido à delegacia mais próxima ou diretamente à superintendência regional, como ocorre em Brasília.

Logo após a chegada, é feito o exame de corpo de delito pelo Instituto Médico-Legal, mesmo que realizado no próprio local para evitar exposição. O procedimento registra eventuais lesões e garante a integridade física.

Autoridades de alto escalão, como ex-presidentes, são encaminhadas à chamada Sala de Estado Maior, espaço com cama, banheiro privativo e estrutura diferenciada. A cela segue padrões determinados pelo STF para presos com foro ou curso superior completo.

Audiência de custódia e revisão da prisão

A audiência de custódia deve ocorrer em até 24 horas após a prisão, conforme resolução do CNJ de 2015. O juiz ouve o preso, a defesa, o Ministério Público e analisa se a detenção foi legal e se há necessidade de manutenção.

Caso a preventiva seja mantida, ela deve ser reavaliada a cada 90 dias, com relatório detalhado do juiz sobre a necessidade de continuidade. O excesso de prazo pode levar à substituição por medidas cautelares diversas ou até à liberdade.

O preso tem direito a assistência jurídica imediata, contato com familiares (limitado inicialmente) e atendimento médico quando necessário. Recurso contra a decisão pode ser apresentado ao tribunal superior em até cinco dias.

Condições na Superintendência da PF em Brasília

A unidade da Polícia Federal no Setor de Autarquias Sul possui celas especiais reservadas para autoridades. A Sala de Estado Maior usada por Jair Bolsonaro tem cerca de 20 m², cama, armário, mesa, frigobar e banheiro individual.

O local é monitorado por câmeras e agentes, mas oferece privacidade maior que celas comuns. Alimentação segue cardápio padrão da PF, com possibilidade de entrega de refeições por familiares após autorização judicial.

Visitas de advogados são livres em horário comercial. Familiares dependem de autorização prévia do juiz relator, geralmente restrita nos primeiros dias.

A estrutura foi usada anteriormente por outros políticos de alto escalão, como o ex-presidente Lula em Curitiba entre 2018 e 2019, seguindo o mesmo protocolo de dignidade determinado pelo STF.

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