O governo dos Estados Unidos anunciou em 20 de novembro de 2025 a remoção de uma sobretaxa adicional de 40% sobre centenas de produtos brasileiros, mas 22% das exportações do Brasil para o mercado norte-americano permanecem sujeitos à tarifa de 50%, em vigor desde agosto. A medida afeta setores industriais e agropecuários, com impacto estimado em US$ 8,9 bilhões no fluxo comercial bilateral. Autoridades brasileiras, como o vice-presidente Geraldo Alckmin, destacam que as negociações em curso visam novas exclusões para mitigar perdas na competitividade.
Essa tarifa inicial de 50% surgiu de uma ordem executiva assinada por Donald Trump, motivada por questões de reciprocidade comercial e barreiras percebidas no Brasil. Apesar do recuo parcial, exportadores relatam quedas significativas em volumes, como 52% no café solúvel e 55% na madeira. O Brasil, segundo maior parceiro comercial dos EUA na América Latina, busca redirecionar parte das vendas para Ásia e Europa.
Os produtos isentos incluem itens essenciais como café verde, carnes bovinas e frutas tropicais, que representam a maior fatia das vendas agrícolas.
- Café verde: Principal isenção, preservando US$ 2 bilhões anuais.
- Carnes bovinas: Sem sobretaxa, mantendo fluxo de US$ 1,5 bilhão.
- Frutas como banana e açaí: Livres da taxa, com crescimento de 15% em 2025.
Produtos industriais sob pressão tarifária
A tarifa de 50% incide diretamente sobre máquinas e equipamentos agrícolas, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Implementos Agrícolas (Abimaq). Exportadores enfrentam custos elevados, o que reduz margens em até 30% nos contratos com distribuidores americanos. Representantes do setor preveem busca por mercados alternativos na América do Sul.
Móveis e calçados também sofrem, com volumes exportados caindo 40% desde agosto. Fabricantes de São Paulo e Rio Grande do Sul ajustam estratégias para cumprir prazos de entrega, mas admitem dificuldades em negociações de longo prazo.
Impactos no agronegócio processado
Café solúvel registra a maior retração, com embarques para os EUA em queda de 52%, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). A substituição por concorrentes vietnamitas e colombianos acelera, afetando indústrias em Minas Gerais e Espírito Santo. Produtores buscam certificações para acessar quotas em outros destinos.
Pescados e mel enfrentam barreiras semelhantes, com exportações de tilápia e atum reduzidas em 35%. A Associação Brasileira da Indústria de Pescados destaca que a tarifa compromete cadeias de suprimento, forçando estoques acumulados em portos como Santos.
O setor de mel vê perdas de 28% em valor, com apicultores do Sul do país redirecionando para a União Europeia.
Estratégias de redirecionamento comercial
Exportadores de madeira adaptam rotas para a China, onde volumes cresceram 20% em outubro. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) relata que 37,1% das vendas aos EUA agora escapam de sobretaxas totais, graças às isenções recentes. Empresas investem em logística para minimizar atrasos.
- China: Absorve 28% das exportações totais do Brasil, com foco em commodities.
- Europa: Aumenta compras de processados em 15%, via acordos bilaterais.
- América do Sul: Mercado para máquinas agrícolas, com alta de 12%.
Essas mudanças demandam investimentos em embalagens e certificações, elevando custos operacionais em 10%.
Setores com menor exposição à tarifa
Motores e maquinário industrial mantêm fluxo estável, apesar da alíquota de 50%. A tarifa afeta apenas 32,7% das exportações industriais, segundo levantamento da CNI. Fabricantes de turbinas e compressores priorizam contratos fixos com indústrias americanas de energia.
O redirecionamento para a Ásia representa oportunidade, mas exige adaptações técnicas para padrões locais. Volumes para a Índia subiram 18% em novembro.
Perspectivas para negociações bilaterais
O diálogo entre Alckmin e autoridades americanas avança desde outubro, com foco em exclusões adicionais para 2026. A Casa Branca reconhece dependência de suprimentos brasileiros em itens como café, o que impulsiona concessões. Exportadores monitoram reuniões da OMC para contestar medidas unilaterais.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam recuperação parcial de 15% em volumes isentos no último trimestre.

