Códice de Dresden expõe método maia que acertava eclipses solares por mais de 800 anos sem telescópios
Estudo publicado na revista Science Advances detalha como astrônomos maias conseguiam prever eclipses solares com erro de apenas algumas horas entre os anos 350 e 1150 d.C. Pesquisadores da Universidade de Albany e da Universidade Estadual de Nova York analisaram o Códice de Dresden, documento do século XI-XII que sobreviveu à destruição colonial. A precisão era obtida por meio de uma tabela de 405 meses lunares com ajustes periódicos no ciclo.
O método permitia correções automáticas de desvios acumulados ao longo dos séculos. Os maias registravam observações em papel de casca de árvore e usavam o conhecimento para fins religiosos e agrícolas.
Códice de Dresden guarda chave do cálculo
O documento de 78 páginas contém tabelas astronômicas detalhadas. Ele é um dos quatro códices maias autênticos que escaparam da queima promovida pela Inquisição Espanhola no século XVI.
Pesquisadores identificaram que os maias reiniciavam o ciclo no 358º mês lunar em vez de completar os 405 meses. Essa prática evitava o acúmulo de erros de alinhamento entre Sol e Lua.
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Ajuste de 223 meses corrigia desvios
Os cientistas John Justeson e Justin Lowry verificaram o funcionamento da tabela. Em alguns casos, o reinício ocorria no 223º mês lunar.
Esse ponto acontecia cerca de 10 horas e 10 minutos depois do esperado. A correção mantinha a precisão das previsões por gerações.

Precisão verificada em período de oito séculos
A tabela foi usada continuamente entre os séculos IV e XII. O erro máximo ficava restrito a poucas horas em relação ao momento exato dos eclipses.
- Ciclo completo: 405 meses lunares
- Reinício padrão: 358º mês
- Reinício alternativo: 223º mês para ajuste fino
- Período de validade: 350 a 1150 d.C.
- Desvio médio: algumas horas
Integração entre astronomia e calendário maia
Os registros combinavam o calendário de 260 dias (Tzolkin) com o de 365 dias (Haab). A sobreposição gerava o Calendário Redondo de 52 anos.
As previsões de eclipses serviam para programar cerimônias religiosas. Sacrifícios eram realizados durante eclipses totais para assegurar a renovação do Sol.
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Método superava limitações tecnológicas da época
Os maias não dispunham de telescópios ou instrumentos ópticos. As observações eram feitas a olho nu em observatórios de pedra.
A técnica demonstrava domínio avançado de matemática e ciclos lunares. O conhecimento foi transmitido por escribas especializados ao longo de séculos.
Descoberta reforça sofisticação científica maia
O estudo comprova que povos pré-colombianos alcançaram precisão comparável à astronomia moderna inicial. A tabela funcionava como um algoritmo de correção contínua.
Cobertura completa: Ciência
Pesquisas futuras devem examinar outros fragmentos de códices sobreviventes. Novos dados podem revelar mais detalhes sobre o sistema astronômico completo.
















