Códice de Dresden expõe método maia que acertava eclipses solares por mais de 800 anos sem telescópios

Eclipse Solar
Foto: Eclipse Solar - Foto: Stefan Lambauer/Shutterstock.com

Estudo publicado na revista Science Advances detalha como astrônomos maias conseguiam prever eclipses solares com erro de apenas algumas horas entre os anos 350 e 1150 d.C. Pesquisadores da Universidade de Albany e da Universidade Estadual de Nova York analisaram o Códice de Dresden, documento do século XI-XII que sobreviveu à destruição colonial. A precisão era obtida por meio de uma tabela de 405 meses lunares com ajustes periódicos no ciclo.

O método permitia correções automáticas de desvios acumulados ao longo dos séculos. Os maias registravam observações em papel de casca de árvore e usavam o conhecimento para fins religiosos e agrícolas.

Códice de Dresden guarda chave do cálculo

O documento de 78 páginas contém tabelas astronômicas detalhadas. Ele é um dos quatro códices maias autênticos que escaparam da queima promovida pela Inquisição Espanhola no século XVI.

Pesquisadores identificaram que os maias reiniciavam o ciclo no 358º mês lunar em vez de completar os 405 meses. Essa prática evitava o acúmulo de erros de alinhamento entre Sol e Lua.

Ajuste de 223 meses corrigia desvios

Os cientistas John Justeson e Justin Lowry verificaram o funcionamento da tabela. Em alguns casos, o reinício ocorria no 223º mês lunar.

Esse ponto acontecia cerca de 10 horas e 10 minutos depois do esperado. A correção mantinha a precisão das previsões por gerações.

Solar Eclipse
Solar Eclipse – Foto: muratart/Shutterstock.com

Precisão verificada em período de oito séculos

A tabela foi usada continuamente entre os séculos IV e XII. O erro máximo ficava restrito a poucas horas em relação ao momento exato dos eclipses.

  • Ciclo completo: 405 meses lunares
  • Reinício padrão: 358º mês
  • Reinício alternativo: 223º mês para ajuste fino
  • Período de validade: 350 a 1150 d.C.
  • Desvio médio: algumas horas

Integração entre astronomia e calendário maia

Os registros combinavam o calendário de 260 dias (Tzolkin) com o de 365 dias (Haab). A sobreposição gerava o Calendário Redondo de 52 anos.

As previsões de eclipses serviam para programar cerimônias religiosas. Sacrifícios eram realizados durante eclipses totais para assegurar a renovação do Sol.

Método superava limitações tecnológicas da época

Os maias não dispunham de telescópios ou instrumentos ópticos. As observações eram feitas a olho nu em observatórios de pedra.

A técnica demonstrava domínio avançado de matemática e ciclos lunares. O conhecimento foi transmitido por escribas especializados ao longo de séculos.

Descoberta reforça sofisticação científica maia

O estudo comprova que povos pré-colombianos alcançaram precisão comparável à astronomia moderna inicial. A tabela funcionava como um algoritmo de correção contínua.

Pesquisas futuras devem examinar outros fragmentos de códices sobreviventes. Novos dados podem revelar mais detalhes sobre o sistema astronômico completo.

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