Ciência

Cometa interestelar 3I/ATLAS apresenta cauda reversa intensa e aceleração anômala, afirma astrônomo de Harvard

3I/ATLAS
Foto: 3I/ATLAS - Reprodução/The Virtual Telescope Project

O astrônomo Avi Loeb, da Universidade de Harvard, analisou imagens recentes do objeto interestelar 3I/ATLAS capturadas entre 22 e 24 de novembro de 2025. As observações mostram uma coma luminosa ao redor do núcleo e uma cauda principal estendendo-se na direção oposta ao Sol. Essa formação indica atividade intensa, mas a presença de uma anticauda direcionada ao Sol chama atenção por sua extensão e brilho acima do padrão.

O periélio do 3I/ATLAS ocorreu em 29 de outubro de 2025, a 1,36 unidade astronômica do Sol. Dados do Jet Propulsion Laboratory confirmam aceleração não gravitacional significativa, com valores de 135 km/dia² radial e 60 km/dia² transversal. Esses números sugerem ejeção de material em volumes elevados, superior aos modelos para cometas naturais.

Loeb enfatiza que a combinação de características diferencia o 3I/ATLAS de visitantes anteriores. Diferente do 1I/’Oumuamua, que não exibiu coma visível, este objeto apresenta estruturas claras. A taxa de perda de massa estimada chega a 50 bilhões de toneladas por mês, o que comprometeria a integridade de um corpo natural em curto prazo.

  • Imagens do Very Large Telescope detectaram cianeto e vapor de níquel em concentrações semelhantes a cometas solares.
  • A cauda principal mede cerca de 4-5 estruturas, com comprimento de até 900 segundos de arco.
  • A anticauda solar excede a pressão do vento solar, indicando densidade de jatos superior ao esperado.

Formação da coma e caudas observadas

As fotografias de 22 de novembro de 2025 registram a coma com diâmetro de 5 minutos de arco. Essa nuvem de poeira e gás forma-se pela sublimação de voláteis sob o calor solar. No 3I/ATLAS, o processo libera partículas que criam a cauda anticolar, visível da perspectiva terrestre.

Em 23 de novembro, as imagens mostram extensão da cauda principal para 500 segundos de arco em ângulo de 316 graus. A estrutura sugere jatos múltiplos, com direções variadas de ejeção. Observadores notaram brilho aumentado, compatível com liberação de elementos primordiais da crosta do objeto.

A análise de 24 de novembro confirma a anticauda com 200 segundos de arco em direção solar. Essa feature resulta do alinhamento orbital com o plano da eclíptica. A intensidade indica volume de material ejetado que desafia simulações tradicionais de cometas.

Aceleração além da gravidade solar

Medições do Minor Planet Center revelam aceleração adicional de 4,92 × 10^{-6} m/s² normalizada a 1 UA. Esse efeito, comum em cometas por jatos de gás, exige perda de massa de pelo menos 13% do total do objeto. No 3I/ATLAS, os valores demandam mais material do que o compatível com um corpo de 1 milhão de toneladas.

Loeb calcula que propulsão tecnológica produziria o mesmo impulso com menos de 1% da massa. A trajetória retrógrada, inclinada em 175 graus, alinha-se a 5 graus da eclíptica, com probabilidade de 0,2% para origem natural. Integrações n-corpo incorporam forças não gravitacionais A1, A2 e A3 para prever o caminho pós-periélio.

Dados pós-periélio de 5 de novembro mostram ausência de cauda clara, apesar da aceleração recente. Essa discrepância sugere que a ejeção ocorreu de forma concentrada, sem dispersão ampla de detritos. Telescópios como o Hubble monitoram variações na velocidade radial.

A excentricidade de 6,14 confirma hiperbólica extrema, com arco de dados de maio a novembro de 2025. A ausência de fragmentação após o periélio reforça a anomalia, pois cometas típicos perdem coesão sob estresse térmico similar.

Comparação com visitantes interestelares prévios

O 1I/’Oumuamua, detectado em 2017, exibiu aceleração sem coma ou cauda detectáveis. Sua forma alongada e rotação tumblante diferem da estrutura arredondada do 3I/ATLAS. O 2I/Borisov, de 2019, comportou-se como cometa clássico, com liberação de monóxido de carbono visível.

No 3I/ATLAS, a combinação de coma desenvolvida e jatos solares não tem precedentes em objetos extrassolares. Imagens da missão PUNCH da NASA, de setembro a outubro, mostram interações com o vento solar. A conjunção solar em 21 de outubro limitou observações, mas liberou dados processados após o shutdown governamental.

Loeb lista 13 anomalias, incluindo jatos sunward persistentes de julho a novembro. A probabilidade de alinhamento orbital é de 1 em 100 milhões para trajetórias naturais. Espectros do Webb Telescope, previstos para dezembro, analisarão composição química dos jatos.

Plano de monitoramento futuro

Telescópios de grande porte, como o Rubin Observatory, focarão o 3I/ATLAS em dezembro de 2025. A abordagem mais próxima à Terra ocorre em 19 de dezembro, permitindo resolução de detalhes finos. Observações espectrais identificarão isótopos em gases ejetados.

A missão Hera da ESA pode imergir na cauda iônica entre 25 de outubro e 1 de novembro, medindo draping magnético. Comparações com cometas solares, como o 67P/Churyumov-Gerasimenko, calibrarão modelos de sublimação. Monitoramento contínuo rastreará desvios na trajetória.

Estudos de delta-v indicam que missões de flyby pós-descoberta em julho demandariam 24 km/s, inviável com tecnologia atual. Dados do JPL Horizons atualizam a órbita semanalmente, incorporando novas medições.

A sonda espacial para interceptação teria exigido lançamento antes de 1 de julho para delta-v de 7 km/s. Esses cálculos reforçam a urgência de observações terrestres para caracterizar o objeto antes de sua saída do Sistema Solar.

Anomalias destacadas por Loeb

O astrônomo compilou peculiaridades com probabilidades estatísticas baixas. A ejeção de massa primordial cria jatos em ângulos variados, como 0, 316 e 295 graus de posição angular. A cauda colimada estende-se por 30 minutos de arco, equivalente a 2,85 milhões de quilômetros a 326 milhões de km de distância.

A densidade dos jatos supera o vento solar, com pressão de aríetes que desafia explicações gasosas puras. Imagens empilhadas profundas revelam estrutura complexa, com contra-cauda de 200 segundos de arco. A ausência de detritos pós-periélio contrasta com a aceleração observada.

Loeb aposta 1 mil dólares com o cético Michael Shermer em divulgação de artefato alienígena até 2030, destinando o prêmio ao Galileo Project. Essa iniciativa busca evidências de tecnologia interestelar em objetos próximos.