Consumidores britânicos caem em golpe de lojas falsas com IA no Facebook
A Meta removeu anúncios de seis empresas que usavam inteligência artificial para criar imagens e histórias falsas de lojas britânicas. Os produtos, na verdade, vinham da Ásia, principalmente da China, e apresentavam qualidade inferior à anunciada. Consumidores do Reino Unido relataram prejuízos após comprar roupas, joias e acessórios atraídos por propagandas no Facebook e Instagram.
Mais de 60 pessoas procuraram a BBC após reportagem revelar o esquema. Organizações de defesa do consumidor criticam a plataforma por permitir a proliferação desses anúncios enganosos.
Empresas removidas da plataforma
A Meta confirmou a exclusão de páginas como C’est La Vie, Mabel & Daisy, Sylvia & Grace, Chester & Claire, Harrison & Hayes e Omelia & Oliver Jewels.
Essas marcas alegavam operar em cidades como Birmingham, Bristol, Manchester e Londres. Na prática, os endereços de devolução ficavam na China ou em Hong Kong.
Os anúncios utilizavam fotos de fachadas inexistentes e histórias de famílias britânicas geradas por IA.

Funcionamento do golpe
As empresas adotavam o modelo de dropshipping. Elas compravam produtos baratos de fornecedores asiáticos e revendiam com margem elevada.
Imagens de lojas tradicionais e depoimentos falsos reforçavam a ideia de marca local. Clientes recebiam itens de baixa qualidade semanas após a compra.
Muitas páginas apresentavam avaliações negativas no Trustpilot. Consumidores relatavam tecido frágil, tamanhos errados e ausência de resposta para reclamações.
Casos relatados por consumidores
Claire Brown gastou 73 libras em vestidos da Luxe and Luna London após ver anúncios frequentes no Facebook. Os produtos chegaram com material fino e acabamento ruim.
Outro comprador denunciou diversas páginas suspeitas à Meta. A resposta orientou apenas alterar preferências de anúncios, sem medidas efetivas.
A Omelia & Oliver Jewels recebeu críticas por vender itens descritos como “quinqu8ilharia barata”. A página parou de operar após exposição da BBC.
Posição da Meta e entidades reguladoras
A empresa afirmou não permitir atividades fraudulentas. Ela colabora com a Stop Scams UK para identificar conteúdos irregulares.
A Meta destacou que denúncias de usuários ajudam na revisão de anúncios. A plataforma reforçou sistemas de detecção automática.
A Autoridade de Padrões de Publicidade (ASA) proibiu recentemente anúncios semelhantes. O órgão cobra mais ação das plataformas contra propagandas enganosas.
Recomendações de proteção
A Which? orienta desconfiar de ofertas com descontos altos e pressão por compra imediata.
Contas recém-criadas com poucos seguidores merecem atenção redobrada.
Especialistas sugerem acessar o site oficial da marca em vez de clicar diretamente nos anúncios.
- Verificar endereço físico real da empresa
- Consultar avaliações em plataformas independentes
- Evitar pagamentos por métodos não rastreáveis
- Denunciar anúncios suspeitos diretamente na plataforma
A Meta mantém diálogo com reguladores para aprimorar políticas de publicidade. A empresa removeu conteúdos das seis marcas apontadas pela BBC após investigação jornalística.
Ampliação do problema
Casos semelhantes ocorreram com outras marcas que utilizam termos de serviço admitindo uso de IA generativa.
A Chester & Claire informa em seus termos que imagens e histórias podem ser criadas artificialmente para melhorar experiência do cliente.
Consumidores afetados cobram maior responsabilidade das plataformas de tecnologia na verificação de anunciantes.

















