Morre Robin Smith aos 62 anos, lendário rebatedor que marcou uma era no críquete inglêsPor Luís Pereira
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O mundo do críquete recebeu a triste notícia do falecimento de Robin Smith, aos 62 anos. O ex-rebatedor, uma das figuras mais emblemáticas e corajosas da seleção da Inglaterra durante o final dos anos 1980 e a década de 1990, deixou um legado de determinação e talento inquestionável. Conhecido por seu estilo agressivo e sua notável habilidade contra arremessadores rápidos, Smith se tornou um ídolo para uma geração de fãs do esporte.
A causa da morte não foi divulgada oficialmente. Durante sua carreira internacional, que se estendeu de 1988 a 1996, ele defendeu a Inglaterra em 62 partidas de Test e 71 One-Day Internationals (ODIs), consolidando-se como um pilar no meio da ordem de rebatidas da equipe. Sua ausência será profundamente sentida não apenas por seus feitos em campo, mas também pelo espírito combativo que inspirou companheiros e adversários.
Nascido na África do Sul, Smith mudou-se para a Inglaterra para seguir sua carreira profissional, onde se tornou uma figura central no Hampshire County Cricket Club por quase duas décadas. Sua contribuição para o clube e para a seleção nacional permanece como um marco na história do críquete britânico.
Uma carreira marcada pela coragem
Robin Smith, apelidado de “The Judge” (O Juiz) por sua postura séria e concentrada no crease, era amplamente respeitado por sua bravura. Ele nunca se intimidava diante dos arremessos mais velozes do mundo, uma característica que o tornou famoso, especialmente em confrontos contra as temidas seleções da Austrália e das Índias Ocidentais. Seu estilo era uma mistura de técnica sólida com uma agressividade calculada, resultando em jogadas espetaculares que frequentemente mudavam o rumo das partidas.
Sua estreia pela Inglaterra em 1988 já sinalizava o surgimento de um talento especial. Ao longo de sua jornada internacional, ele acumulou mais de 4.000 corridas em Test matches, incluindo nove séculos, com uma pontuação máxima de 175. No formato ODI, ele também foi um jogador fundamental, conhecido por sua capacidade de acelerar a pontuação e estabilizar a rebatida sob pressão, registrando mais de 2.000 corridas.
A trajetória em Hampshire
A lealdade de Smith ao Hampshire foi uma das marcas de sua carreira. Ele ingressou no clube em 1982 e permaneceu até sua aposentadoria do críquete de primeira classe em 2003.
Durante seu tempo no clube, ele se tornou um dos maiores pontuadores de sua história, acumulando mais de 25.000 corridas em todas as formas do jogo. Smith também assumiu a capitania do time, liderando com o exemplo.
Sob sua influência, o Hampshire viveu períodos de sucesso, e ele se tornou uma figura amada pelos torcedores locais, que admiravam sua dedicação e paixão pelo clube.
Legado e recordações inesquecíveis
O legado de Robin Smith vai além de suas estatísticas. Ele é lembrado como um dos rebatedores mais emocionantes de sua geração, alguém que jogava com o coração e personificava a luta.
Sua parceria com outros grandes nomes do críquete inglês, como Graham Gooch e Allan Lamb, formou a espinha dorsal da equipe por vários anos.
Uma de suas performances mais memoráveis ocorreu durante a série Ashes de 1989 contra a Austrália, onde ele marcou um século brilhante de 143 corridas em Lord’s.
Outro momento icônico foi sua pontuação de 167 não eliminado contra a mesma Austrália em Edgbaston, em uma exibição de pura resiliência e classe.
Repercussão no mundo do esporte
A notícia de seu falecimento gerou uma onda de homenagens de ex-companheiros, adversários, clubes e órgãos governamentais do críquete. O England and Wales Cricket Board (ECB) emitiu uma nota lamentando a perda de um “jogador que serviu seu país com grande distinção”.
O Hampshire também prestou tributo, descrevendo-o como uma “lenda do clube”. Nas redes sociais, ex-jogadores e fãs compartilharam memórias de suas jogadas favoritas e destacaram o impacto que ele teve na popularização do esporte.
Os números de uma lenda
A carreira de Robin Smith foi repleta de conquistas notáveis que o colocam entre os grandes do críquete inglês. Seus números refletem a consistência e o talento que ele demonstrou ao longo de mais de duas décadas no esporte de elite. Ele era um rebatedor confiável em momentos cruciais, capaz de construir longas entradas ou atacar os arremessadores quando necessário. Sua versatilidade o tornou valioso tanto no formato mais longo e tradicional do jogo quanto nas partidas de um dia. Abaixo estão alguns de seus principais feitos estatísticos:
- Test Matches (Inglaterra): 62 partidas, 4.236 corridas, média de 43.67, 9 séculos e 22 meios-séculos.
- One-Day Internationals (Inglaterra): 71 partidas, 2.419 corridas, média de 39.01, 4 séculos e 14 meios-séculos.
- First-Class (Carreira): 420 partidas, 26.830 corridas, média de 43.13, com 61 séculos.
- List A (Carreira): 492 partidas, 15.659 corridas, média de 39.24, com 24 séculos.
Desafios após a aposentadoria
Após se aposentar dos gramados, Smith enfrentou desafios pessoais, incluindo questões de saúde e financeiras, sobre as quais falou abertamente em entrevistas. Sua honestidade ao abordar essas dificuldades ajudou a trazer à tona a discussão sobre a transição de atletas para a vida pós-carreira.
Um estilo inconfundível
Além dos números, Smith será sempre lembrado por seu estilo único de rebater. Sua postura aberta e seu poderoso “square cut” eram suas marcas registradas, executadas com uma precisão e força que poucos conseguiam igualar.
Essa jogada se tornou sinônimo de seu nome e era temida pelos arremessadores adversários, que sabiam que qualquer erro de comprimento fora do “off stump” seria punido severamente.







