Rebaixamento do Fortaleza no Brasileirão 2025: erros de elenco e trocas técnicas selam queda na última rodadaPor Beatriz
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O Fortaleza Esporte Clube confirmou seu retorno à Série B do Campeonato Brasileiro na noite de 7 de dezembro de 2025, após derrota por 4 a 2 para o Botafogo, no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro. A queda ocorreu na 38ª e última rodada, apesar de o time depender apenas de si para se manter na elite, e reflete uma temporada de instabilidades crônicas que comprometeram o planejamento inicial.
Com 43 pontos, o Leão do Pici terminou na 18ª posição, ao lado do Ceará, enquanto Juventude e Sport já haviam sido rebaixados antes. Essa é a primeira descida do clube cearense em 19 anos, interrompendo um período de conquistas como penta estadual e vice na Sul-Americana.
- Principais fatores da queda: montagem irregular de elenco com excesso de veteranos;
- Mudanças no comando técnico que geraram descontinuidade;
- Baixo aproveitamento no primeiro turno, com apenas duas vitórias em 12 jogos.
A diretoria, liderada pelo CEO Marcelo Paz, enfrenta críticas por decisões que priorizaram contratações de impacto imediato, mas falharam em equilibrar o grupo.
Montagem irregular do elenco expõe fragilidades desde janeiro
O ano começou com otimismo, mas a composição do time revelou desequilíbrios logo nos treinos iniciais. Contratações como David Luiz, aos 37 anos, Pol Fernández, 33, Diogo Barbosa, 32, e Deyverson, 33, somaram-se a 10 jogadores acima dos 30, sobrecarregando o vestiário com pouca intensidade física.
Esses reforços saíram precocemente: David Luiz e Pol Fernández deixaram o clube antes do meio do ano, enquanto Deyverson foi afastado por questões disciplinares. Nomes como Moisés, Pikachu e Marinho, destaques em edições anteriores, renderam abaixo do esperado, com apenas três gols coletivos no campeonato.
Início desastroso acumula tropeços regionais e nacionais
O Fortaleza patinou nos torneios iniciais, com vice-campeonato no Cearense e eliminação na Copa do Brasil para o Retrô-PE nas oitavas. No Brasileirão, as duas vitórias em 12 rodadas colocaram o time à beira do Z-4 quando a competição pausou para o Mundial de Clubes em junho.
A pausa não ajudou: o retorno trouxe derrota no Clássico-Rei para o Ceará e eliminação na Copa do Nordeste para o Bahia, ampliando a crise.
O elenco mostrou falta de coesão, com 15 derrotas nos primeiros 20 jogos, e o departamento de futebol perdeu o executivo Bruno Costa em abril, gerando vácuo na estrutura.
Esses resultados iniciais custaram 18 pontos perdidos em casa, recorde negativo para o clube na era dos pontos corridos.
Mudanças turbulentas no banco técnico aprofundam crise
Juan Pablo Vojvoda, ídolo com mais de 300 jogos e cinco títulos, foi demitido logo após a pausa, na primeira partida pós-férias, com perda para o Ceará. A decisão surpreendeu, pois o argentino era defendido pela diretoria e havia classificado o time para a Libertadores.
Marcelo Paz optou por Renato Paiva como substituto, em uma escolha que priorizava ousadia, mas resultou em apenas uma vitória em 10 jogos, com aproveitamento de 20%. O time afundou na vice-lanterna, nove pontos abaixo do 16º na 22ª rodada.
Paiva ainda afastou Deyverson e outros atletas, intensificando o descontentamento interno, e acumulou eliminação na Libertadores para o Vélez Sarsfield nas oitavas – avanço garantido por W.O. contra o Colo-Colo. A demissão veio em setembro, após seis derrotas seguidas.
Aposta em Martín Palermo traz reação, mas tarde demais
A chegada de Martín Palermo representou o terceiro técnico do ano e uma guinada improvável. Apesar de quatro derrotas nos primeiros sete jogos, o argentino implantou um quarteto ofensivo com Pochettino, Herrera, Breno Lopes e Adam Bareiro, apoiado por meio-campistas como Pierre e o lateral Eros Mancuso.
Vitórias sobre rivais diretos, como Juventude, Sport e Vitória, recolocaram o Fortaleza na briga, com aproveitamento de 54% no segundo turno.
Destaques individuais impulsionam reta final invicta
Adam Bareiro se transformou na reta decisiva: após 12 jogos sem gols, marcou cinco e deu uma assistência nos nove seguintes, rendendo 12 pontos diretos. Brenno, o goleiro, fez defesas cruciais, como na vitória sobre o Corinthians na 37ª rodada, que tirou o time do Z-4 pela primeira vez desde junho.
Pochettino e Herrera, recuperados pelo esquema de Palermo, foram protagonistas em triunfos contra Flamengo e Corinthians, com o time somando nove jogos invictos até a penúltima rodada.
O vice-líder Flamengo caiu por 2 a 1 no Castelão, marcando o início da sequência que incluiu quatro vitórias consecutivas.
Esses lampejos mostraram potencial, mas os 25 pontos perdidos no primeiro turno pesaram na média final de 1,13 pontos por jogo.
Desfecho cruel na última rodada sela destino
No Nilton Santos, o Fortaleza abriu o placar com Breno Lopes aos 17 minutos, mas sofreu virada com gols de Montoro, Arthur Cabral, Marçal e Mateo Ponte. Bareiro empatou temporariamente, mas a defesa cedeu nos acréscimos.
Resultados paralelos – vitórias de Internacional e Vitória – confirmaram a 18ª posição, com o Leão terminando como um dos times com mais derrotas na Série A, total de 18.
O rebaixamento expõe fissuras na gestão, como a saída de executivos e debates internos, mas o trabalho de Palermo, com oito vitórias em 16 jogos, sugere permanência para 2026.
Lições de uma temporada de contrastes
O ano de 2025 custou ao Fortaleza o ciclo de estabilidade, mas reforça a necessidade de equilíbrio entre experiência e juventude no elenco. Com orçamento de R$ 387 milhões, o clube priorizou nomes de peso, mas ignorou renovação, resultando em 22 gols sofridos em casa.
A sequência final, com 22 pontos em 12 jogos, evitou o pior, mas não compensou os 69% de aproveitamento negativo no primeiro semestre.







