O Sport Club Internacional iniciou a semana com discussões estratégicas visando o planejamento para o ano de 2026, e um nome de peso ganhou destaque nos bastidores do clube gaúcho: Andrés D’Alessandro. A indicação partiu diretamente do experiente técnico Abel Braga, que manifesta o desejo de ver o ídolo colorado na casamata na próxima temporada. Abel Braga, reconhecido por sua influência após ter sido fundamental para a permanência do time na Série A, está prestes a assumir uma nova função diretiva no Internacional.
Apesar da forte recomendação, a ideia de D’Alessandro como treinador ainda se encontra em estágio inicial, sem negociações ou acertos em andamento. Trata-se, por ora, de um anseio pessoal de Abel Braga, que enxerga no ex-meia o perfil ideal para liderar o time em um momento de reconstrução e desafios. A proposta visa reorganizar a estrutura de futebol do clube, buscando estabilidade e um novo direcionamento após um período de turbulência.
A influência de Abelão na reestruturação colorada
Abel Braga, figura respeitada e com grande ascendência dentro do Internacional, tem sido um defensor ativo da ascensão de D’Alessandro ao comando técnico. Sua influência é considerável, especialmente após assumir o time em momentos críticos e garantir resultados importantes. O técnico acredita que a identificação de D’Alessandro com o clube e sua compreensão do ambiente são qualidades essenciais para a função.
A transição de Abel para um cargo de diretor esportivo faria parte de uma reestruturação mais ampla, onde ele poderia atuar nos bastidores, oferecendo suporte e experiência ao novo técnico. Esse modelo é visto como uma forma de combinar a energia de um novo líder com a sabedoria de um veterano, buscando um projeto de longo prazo para o Internacional.
D’Alessandro pondera convite: dívida moral versus momento turbulento
D’Alessandro recebeu o convite de Abel Braga e reconhece publicamente uma “dívida moral” com o treinador, que aceitou o desafio de comandar o Inter nas duas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro e assegurar a manutenção na elite. Contudo, essa gratidão não se traduz automaticamente em aceitação do cargo de técnico.
O ex-meia, que já concluiu seu curso de treinador pela AFA (Associação do Futebol Argentino) e expressou o desejo de atuar na área no futuro, demonstra resistência à ideia de estrear na profissão justamente no Internacional. O cenário atual do clube, marcado por reconstrução e forte pressão por resultados, é um fator de peso em sua hesitação. Ele pondera os riscos de assumir o comando em um momento de grande instabilidade.
Novo organograma: ídolos em papéis estratégicos
No modelo proposto por Abel Braga, o departamento de futebol do Internacional passaria por uma reformulação significativa. Abel assumiria a posição de diretor esportivo, enquanto D’Alessandro, que atualmente ocupa uma função na direção do clube, seria realocado para a casamata como treinador. Essa configuração estratégica visa aproveitar a experiência e a identificação de ambos os ídolos com a camisa colorada, injetando uma nova dinâmica na gestão e no comando técnico.
A proposta agrada a Abelão, que considera D’Alessandro não apenas preparado em termos de formação, mas também profundamente identificado com os valores e a cultura do Internacional. A expectativa é que essa combinação de liderança possa catalisar a reconstrução necessária e fortalecer a relação entre torcida, diretoria e comissão técnica, buscando um ambiente mais coeso e focado em resultados consistentes para o futuro.
Obstáculos na transição e definições pendentes
A implementação dessa nova estrutura, no entanto, enfrenta desafios e depende de outras decisões cruciais. O futuro do vice de futebol José Olavo Bisol e do diretor executivo André Mazzuco ainda está em pauta. Reuniões agendadas para esta semana definirão a permanência ou saída desses dirigentes, o que impactará diretamente a hierarquia e as atribuições do departamento de futebol.
A indefinição desses cargos-chave gera um ambiente de cautela dentro do clube, pois a clareza nas posições administrativas é fundamental para qualquer planejamento de longo prazo. Somente após essas definições, o Internacional terá um panorama mais claro para avançar nas negociações e formalizar a possível transição de D’Alessandro para o banco de reservas.
Outras opções no radar para o comando técnico
Enquanto a situação de D’Alessandro permanece incerta, o Internacional também monitora outras alternativas para o comando técnico em 2026. A diretoria busca evitar a repetição de erros do ano anterior, que culminou em turbulência interna e risco iminente de rebaixamento. A análise de mercado inclui nomes com diferentes perfis e custos:
- Odair Hellmann: Atualmente com contrato no Athletico-PR até meados de 2026, seu desligamento envolveria uma multa rescisória estimada entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões. Odair já possui histórico no Internacional, o que poderia facilitar uma adaptação.
- Thiago Carpini: Com o término de seu vínculo com o Juventude, Carpini estará livre no mercado, representando uma opção de menor custo financeiro. Ele é visto como um técnico com potencial de rápida adaptação e ideias modernas.
O clube trabalha com a premissa de que a escolha do próximo técnico deve ser feita com máxima prudência, considerando não apenas a capacidade técnica, mas também a adequação ao projeto de reconstrução e a resiliência para lidar com a pressão inerente ao Internacional.
Internacional busca cautela para o futuro
A tendência é que a reorganização do departamento de futebol seja finalizada nos próximos dias. Após a definição das posições administrativas, a direção do Internacional tomará a decisão final sobre quem comandará a equipe em 2026. O desejo de Abel Braga tem grande peso, mas a palavra final dependerá da convicção de D’Alessandro, que, por enquanto, segue dividido entre a emoção de aceitar um convite de seu mentor e a razão de avaliar o momento turbulento do clube para iniciar sua carreira como técnico.

