Valdiram decidiu semifinal da Copa do Brasil 2006 pelo Vasco, mas drogas levaram à morte trágica

Wagner Diniz e Valdiram

Wagner Diniz e Valdiram - Divulgação/NetVasco

Valdiram Caetano de Morais, ex-atacante do Vasco da Gama, morreu aos 36 anos em 20 de abril de 2019, em São Paulo. O corpo apresentava sinais de espancamento e traumatismo crânio-encefálico. Exames toxicológicos detectaram álcool e metabólitos de cocaína.

O jogador, que brilhou na Copa do Brasil de 2006 com sete gols e decidiu a semifinal contra o Fluminense, teve a carreira interrompida pela dependência química. Após deixar o Vasco em 2007, passou por diversos clubes sem conseguir se firmar.

A morte ocorreu em uma calçada da rua Santa Eulália, na zona norte paulistana. Quatro pessoas em situação de rua foram indiciadas pelo crime.

Valdiram – Atquivo Pessoal

Auge no Vasco em 2006

Valdiram chegou ao Vasco em 2006 e rapidamente conquistou a torcida. Marcou seis gols nos primeiros seis jogos pelo clube.

Na Copa do Brasil daquele ano, tornou-se artilheiro da competição com sete gols. Fez hat-trick na goleada por 5 a 1 sobre o Iraty e decidiu a classificação contra o Fluminense na semifinal.

O atacante começou como titular na final contra o Flamengo. Porém, não foi relacionado para o jogo de volta após comparecer embriagado ao treino.

Indisciplina e rescisão

Renato Gaúcho, então técnico, relatou dificuldades para lidar com o comportamento do jogador. Valdiram faltava a treinos e apresentava-se alcoolizado em diversas ocasiões.

Eurico Miranda e a diretoria tentaram ajudar com acompanhamento psicológico e segurança particular.

O contrato terminou rescindido em 2007. O Vasco foi o clube onde Valdiram mais atuou: 29 jogos e 13 gols.

Queda após saída do clube

Nos anos seguintes, o atacante rodou por diversos times sem conseguir sequência. Passou por períodos de desaparecimento e faltas constantes aos treinos.

A dependência de cocaína e crack agravou-se. Valdiram perdeu bens, morou nas ruas e recebeu ajuda de familiares e ex-companheiros.

Em 2018, internou-se na clínica Jorge Jaber, no Rio de Janeiro. Gravou vídeo para os filhos prometendo recuperação, mas não conseguiu manter a abstinência.

Circunstâncias da morte

O corpo foi encontrado seminu, com uma camiseta enrolada na cintura. Apresentava escoriações por todo o corpo, concentradas na cabeça e região dorsal.

A polícia indiciou quatro pessoas em situação de rua. Dois afirmaram ter presenciado abuso sexual contra criança de três anos e iniciado o espancamento.

Em júri popular de 2022, três acusados foram absolvidos. Andrei Heberton da Costa Oliveira recebeu condenação de 12 anos por homicídio qualificado e hoje cumpre pena em regime semiaberto.

Familiares contestam a versão do abuso sexual. Afirmam que Valdiram nunca demonstrou traços de pedofilia, apesar dos problemas com drogas e comportamento impulsivo.

Legado familiar

Valdiram deixou dois filhos: Letícia, hoje com 22 anos, e Valdiram Junior. A filha mais velha guarda lembranças positivas do pai no período em que atuava pelo Vasco.

Nasceu em Canhotinho, Pernambuco, em família humilde. Começou a carreira no CRB aos 14 anos e ajudou financeiramente os parentes desde o primeiro contrato profissional.

A mãe dos filhos, Fernanda, conviveu oito anos com o jogador. Separou-se exclusivamente por causa do vício em drogas.

  • Início no futebol aos 12 anos, quando recusava trabalho na construção civil
  • Passagem por Portugal no Belenenses, onde nasceu a primeira filha
  • Contratação pelo Vasco ocultou inicialmente o analfabetismo do jogador
  • Tentativas de recuperação incluíram clínica especializada e retorno ao futebol no Olaria
  • Último vídeo aos filhos gravado meses antes da morte, prometendo reunião familiar
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