Vendaval deixa 1,5 milhão de imóveis sem energia em São Paulo nesta quinta; Enel mobiliza equipes sem prazo para normalizaçãoPor Carolina Costa
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Um ciclone extratropical atingiu a Grande São Paulo na quarta-feira (10 de dezembro de 2025), com ventos que alcançaram 98 km/h na capital, derrubando árvores e danificando a rede elétrica. A interrupção começou por volta das 12h e persiste nesta quinta-feira (11), afetando cerca de 1,5 milhão de imóveis na região metropolitana, segundo dados da Enel atualizados às 7h. A companhia atribui o problema à queda de galhos e objetos sobre as linhas de transmissão, e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) cobra explicações formais à distribuidora.
A capital paulista concentra o maior número de unidades sem fornecimento, com mais de 1 milhão de residências e comércios no escuro, equivalente a 18% da rede local. Equipes da Enel trabalham desde a noite de quarta para reparos, mas não há previsão de normalização total. Moradores relatam prejuízos com alimentos estragados e dificuldades no trânsito devido a 235 semáforos apagados.
O fenômeno climático, alertado pela Defesa Civil desde terça-feira, expõe vulnerabilidades na infraestrutura elétrica da cidade. O Corpo de Bombeiros atendeu 514 ocorrências de árvores caídas até o fim da tarde de quarta, e o impacto se estende a municípios vizinhos como Embu-Guaçu, onde 60% dos imóveis permanecem sem luz.
Origem do temporal e alertas prévios
O ciclone extratropical formou-se no Sul do país e avançou para o Sudeste, intensificando rajadas de vento na faixa costeira e serrana de São Paulo.
A Defesa Civil emitiu avisos sobre ventos acima de 90 km/h desde o início da semana, recomendando que a população evitasse áreas abertas e recolhesse objetos soltos. Apesar disso, o sistema elétrico sofreu danos extensos, com árvores de grande porte bloqueando vias e fios.
- Ventos medidos: 98,1 km/h na estação da Lapa, zona oeste da capital.
- Duração do pico: cerca de 12 horas, das 6h à meia-noite de quarta.
- Áreas mais atingidas: zonas sul e oeste, incluindo bairros como Pinheiros e Vila Mariana.
A Enel informou que reforçou equipes com 1.500 profissionais, mas o volume de danos complica a operação inicial. Autoridades municipais registraram o fechamento de 12 parques públicos por risco de novas quedas de galhos.
Áreas mais impactadas na capital e região
Embu-Guaçu registra o maior índice proporcional de interrupções, com 62% dos 22.874 pontos de fornecimento sem energia às 7h desta quinta.
Na capital, bairros como Santo Amaro e Capão Redondo enfrentam apagão generalizado desde o meio-dia de quarta, afetando 20% dos 5,8 milhões de clientes da Enel. Cotia lidera com 75% de imóveis no escuro, totalizando 107 mil unidades, seguido por Juquitiba (48%) e Itapecerica da Serra (31%).
Outras cidades do ABC, como São Bernardo do Campo, reportam 58 mil imóveis sem luz, ou 16% da rede local. Os dados da distribuidora indicam redução de 2,2 milhões para 1,5 milhão de afetados overnight, mas o progresso é lento devido a acessos difíceis em ruas bloqueadas.
- Impacto em Osasco: 38 mil clientes sem fornecimento.
- Diadema: 26 mil unidades interrompidas.
- Taboão da Serra: 23% da rede afetada.
A companhia prioriza linhas de transmissão principais, mas bairros periféricos aguardam por intervenções manuais em postes danificados.
Esforços de restabelecimento e críticas à Enel
A Enel mobilizou 1.300 equipes ao longo de quarta para podas emergenciais e substituição de cabos rompidos, com foco em subestações críticas.
Imagens aéreas mostram veículos da distribuidora parados em pátios durante a noite, o que gerou questionamentos da Prefeitura de São Paulo à Aneel sobre a alocação de recursos. O diretor de Operações da empresa, Márcio Jardim, afirmou que os reparos em falhas complexas demandam mais tempo, sem estimar normalização para esta quinta.
A agência reguladora enviou ofício na tarde de quarta, destacando alertas prévios da Defesa Civil e episódios semelhantes em 2023 e 2024, que deixaram 2,1 e 2,4 milhões sem luz. Falhas recorrentes podem configurar descumprimento contratual, com risco de revogação da concessão até 2028.
Prefeito Ricardo Nunes acionou a Aneel para explicações sobre a frota inativa e demora nos atendimentos. A distribuidora orienta denúncias via app ou site, mas relatos de sobrecarga nos canais digitais persistem.
Consequências no trânsito e serviços essenciais
O apagão derrubou 235 semáforos na capital às 7h, elevando a lentidão viária para 203 km, um dos piores índices do ano segundo a CET.
Água potável foi interrompida em reservatórios dependentes de bombeamento elétrico, afetando bairros na zona sul. O metrô opera em velocidade reduzida em linhas expostas, e 20 voos foram cancelados no Aeroporto de Congonhas por falta de energia em sistemas de solo.
Comércios acumulam perdas com freezers desligados, e hospitais ativam geradores de emergência para manter UTIs funcionais. A Sabesp monitora o abastecimento, mas recomenda uso racional em áreas baixas.
- Semáforos inoperantes: 20 por falha técnica, além dos apagados.
- Voos impactados: atrasos em 50% das decolagens matinais.
- Parques fechados: Vila Guilherme e Ibirapuera entre os interditados.
O trânsito caótico agravou o deslocamento de trabalhadores, com relatos de engarrafamentos em avenidas principais como a Marginal Tietê.
Danos materiais e relatos de moradores
Árvores caídas obstruíram 150 vias na capital até o amanhecer desta quinta, exigindo intervenção do Corpo de Bombeiros em 514 casos registrados na quarta.
Moradores da zona norte, como no Jardim Antártica, passaram 19 horas sem luz, com previsões de retorno alteradas repetidamente de 16h para 1h. Prejuízos incluem medicamentos refrigerados perdidos e refeições interrompidas em restaurantes.
No ABC, Santo André viu 19% de imóveis afetados, com galhos sobre telhados danificando estruturas residenciais. A Defesa Civil atendeu 40 chamadas em Cotia só na manhã de quarta, priorizando desobstruções em estradas regionais.
A rede social X registra queixas sobre a demora, com usuários pedindo fiação subterrânea para evitar recorrências em temporais. Especialistas em meteorologia preveem ventos moderados hoje, mas alertam para instabilidades residuais até sexta.
Investimentos recentes e histórico de falhas
A Enel destinou R$ 10,4 bilhões para 2025-2027 em modernização, incluindo 1.200 contratações e podas preventivas de vegetação, principal causa de interrupções na capital.
Ainda assim, o evento de quarta repete padrões de 2023, quando ventanias semelhantes deixaram milhões no escuro por dias. A companhia contratou tecnologia para monitoramento em tempo real, mas o ciclone superou projeções de intensidade.
A renovação antecipada da concessão, solicitada para além de 2028, depende de cumprimento regulatório, segundo a Aneel. Investimentos em linhas subterrâneas, cobrados por vereadores, poderiam mitigar 70% dos danos por vento, conforme estudos setoriais.
O balanço preliminar indica que 30% da rede metropolitana foi inspecionada até agora, com prioridade para áreas de alta densidade populacional.







