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Morre aos 95 anos Haroldo Costa, pioneiro ator negro no Municipal e jurado histórico do carnaval

Haroldo Costa
Foto: Haroldo Costa - Divulgação

Haroldo Costa, renomado ator, diretor, produtor e especialista em carnaval, morre aos 95 anos no Rio de Janeiro após enfrentar problemas de saúde relacionados à idade avançada. O falecimento ocorreu neste sábado, 13 de dezembro de 2025, e foi confirmado pela família por meio de redes sociais. A nota divulgada informa que detalhes sobre velório e sepultamento serão anunciados em breve. Costa deixou um vasto legado nas artes cênicas, na televisão e na cultura do samba carioca.

Nascido em 13 de maio de 1930 no Rio de Janeiro, ele passou parte da infância em Maceió, onde entrou em contato com manifestações folclóricas que influenciaram sua trajetória. De volta à capital fluminense, iniciou a carreira no teatro e se tornou referência em diversas áreas culturais. Sua contribuição abrangeu desde o palco até a análise dos desfiles das escolas de samba.

  • Integrou o Teatro Experimental do Negro, fundado por Abdias do Nascimento.
  • Protagonizou peças históricas e dirigiu espetáculos musicais.
  • Atuou como jurado em premiações carnavalescas importantes.
  • Escreveu livros sobre a história do samba e do carnaval.

Inícios no teatro negro

Haroldo Costa começou a carreira profissional no Teatro Experimental do Negro, onde participou da montagem de “O Filho Pródigo”, de Lúcio Cardoso. Nesse grupo, atuou ao lado de nomes como Ruth de Souza, Grande Otelo e Milton Gonçalves, que mais tarde se destacaram na televisão brasileira. Essa experiência marcou o início de sua luta pela valorização da cultura negra nas artes cênicas.

Ele se tornou o primeiro ator negro a pisar no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ao protagonizar “Orfeu da Conceição”, peça de Vinicius de Moraes com música de Tom Jobim. A montagem, estreada em 1956, representou um marco cultural e contribuiu para o surgimento da bossa nova. Costa também viajou pelo mundo com a companhia Brasiliana, da qual foi fundador e diretor artístico.

Trajetória na televisão e direção

Costa ingressou na TV Globo em 1965, como diretor de musicais e programas de auditório. Ele dirigiu nomes consagrados como Dercy Gonçalves, Chacrinha e Moacyr Franco, além de participar da direção de espetáculos como “Forrobodó”. Sua passagem pela emissora incluiu recomendações para contratações que marcaram a programação, como juradas e assistentes de palco.

Como ator, participou de produções televisivas em diferentes emissoras. Em 1999, interpretou Raymundo da Conceição na minissérie “Chiquinha Gonzaga”. Em 2012, viveu o personagem Aloysio na minissérie “Suburbia”. Essas atuações reforçaram sua versatilidade em papéis que valorizavam a cultura brasileira.

Paixão pelo carnaval carioca

O carnaval representou a grande paixão de Haroldo Costa, influenciada pelo pai carnavalesco. Ele afirmou em entrevistas que a festa define a identidade brasileira e escreveu diversos livros sobre o tema. Costa integrou o corpo de jurados da Liga Independente das Escolas de Samba até 1963, quando se tornou torcedor declarado do Acadêmicos do Salgueiro.

Ele participou ativamente do Estandarte de Ouro, premiação promovida por jornal desde 1972. Sua expertise o levou a comentar desfiles na televisão, analisando enredos, fantasias e sambas-enredo. Costa produziu espetáculos musicais sobre samba e defendeu a preservação da tradição carnavalesca.

Obras literárias publicadas

Haroldo Costa autorou livros que documentam a história do carnaval e do samba carioca. Entre as principais publicações estão obras dedicadas ao Salgueiro e a figuras da música brasileira.

  • “Salgueiro: Academia de Samba” (1984), que detalha a trajetória da escola.
  • “100 Anos de Carnaval no Rio de Janeiro” (2001), compilação histórica da festa.
  • “Ernesto Nazareth – Pianeiro do Brasil” (2005), biografia do compositor.
  • Outros títulos como “Fala Crioulo” e “Na Cadência do Samba”.

Essas obras servem como referência para pesquisadores e apaixonados pelo tema.

Atividades recentes e curadorias

Nos últimos anos, Costa manteve atividade cultural mesmo com avançada idade. Em 2023, assinou a curadoria da exposição “Heitor dos Prazeres é meu nome”, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio, ao lado de Raquel Barreto e Pablo León de La Barra. A mostra destacou a obra do artista e sambista Heitor dos Prazeres.

Ele continuou a compartilhar conhecimentos sobre folclore e samba em entrevistas e eventos. Sua visão sobre o carnaval como expressão essencial da brasilidade permaneceu presente em declarações públicas. Costa também dirigiu montagens teatrais e participou de documentários sobre sua vida.

Legado nas artes e cultura

A trajetória de Haroldo Costa abrangeu décadas de contribuição para o teatro, a televisão e o carnaval. Ele ajudou a romper barreiras raciais no palco brasileiro ao protagonizar papéis históricos. Sua torcida pelo Salgueiro e análises dos desfiles influenciaram gerações de carnavalescos e jurados.

Costa valorizou manifestações populares como reisados e cheganças, trazidas da infância em Alagoas. Sua produção intelectual preservou a memória do samba e das escolas de samba. O falecimento deixa uma lacuna na cultura carioca, mas seu trabalho permanece como referência.

O ator e diretor participou de filmes e peças que exploraram temas brasileiros. Ele fundou grupos como o Teatro Folclórico Brasileiro, evoluído para Brasiliana. Essas iniciativas promoveram a dança e o canto nacionais em turnês internacionais.

Contribuições para o samba

Haroldo Costa defendeu o samba como elemento definidor da identidade nacional. Ele produziu shows em boates e teatros com foco em ritmos brasileiros. Sua amizade com compositores e sambistas enriqueceu sua visão sobre a evolução da festa.

O especialista abriu mão de funções como jurado para torcer pela escola preferida, demonstrando paixão genuína. Suas análises na TV destacavam inovações nos enredos e alas. Costa via no carnaval uma forma de fraternidade e expressão coletiva.

Ele documentou revoluções como os temas afro do Salgueiro nos anos 1960. Essas narrativas trouxeram figuras como Zumbi dos Palmares para os desfiles. Sua obra literária registra essas transformações com precisão histórica.