Objeto cósmico 3I/ATLAS exibe fulgor esverdeado e intensifica atividade em sua passagem terrestre

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NASA - Foto: LaserLens/Shutterstock.com

O cometa interestelar 3I/ATLAS, o terceiro objeto confirmado com origem fora do nosso Sistema Solar, tem apresentado um aumento notável de brilho e uma distinção em sua tonalidade. Imagens recentes, capturadas em 26 de novembro de 2025 pelo Telescópio Gemini North, localizado no Havaí, revelaram que o corpo celeste exibe uma marcante coloração esverdeada em sua coma, o que denota uma fase de intensa atividade após sua passagem mais próxima do Sol, ocorrida em outubro. Essa mudança na emissão luminosa oferece aos cientistas dados cruciais sobre a composição e o comportamento de objetos provenientes de outras estrelas.

A coma do cometa, uma vasta nuvem de gases e poeira que se forma ao redor do núcleo quando ele é aquecido pela energia solar, agora irradia um brilho verde-claro. Este novo aspecto contrasta significativamente com a coloração avermelhada que havia sido registrada em meses anteriores, indicando a liberação de novas moléculas e compostos voláteis à medida que o núcleo gelado do cometa sublima sob a influência do calor solar. Tais observações são vitais para compreender os processos químicos que ocorrem em cometas interestelares.

3i atlas ciencia – x.com/AstronomyVibes/
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A aproximação máxima do 3I/ATLAS com a Terra está prevista para 19 de dezembro de 2025. O objeto passará a uma distância segura de aproximadamente 270 milhões de quilômetros de nosso planeta, oferecendo uma janela de oportunidade para observações aprofundadas sem qualquer risco de colisão ou impacto.

Manifestação da coloração esverdeada

A característica tonalidade verde que agora domina a coma do 3I/ATLAS é atribuída primariamente à presença de carbono diatômico. Esta molécula, composta por dois átomos de carbono, tem a capacidade de emitir luz na faixa verde do espectro eletromagnético quando é excitada pela intensa radiação emitida pelo Sol. É um fenômeno astrofísico bem conhecido e frequentemente observado em cometas que são ativados pelo calor solar, com exemplos notáveis em outros corpos celestes como o 12P/Pons-Brooks e o C/2025 F2 (SWAN).

A transição da cor de avermelhada para esverdeada na coma do cometa fornece uma pista importante sobre a estrutura interna do objeto. Essa alteração visual sugere que o calor solar está penetrando em camadas mais profundas do núcleo cometário, liberando diferentes tipos de compostos voláteis que não estavam ativos durante as observações iniciais. Em agosto e setembro de 2025, por exemplo, o Telescópio Gemini South não havia detectado a emissão dessa luz verde, o que reforça a natureza evolutiva da atividade do cometa.

Atividade intensificada após o periélio

A atividade do cometa 3I/ATLAS experimentou um notável aumento após seu periélio, a passagem mais próxima do Sol, ocorrida em 29 de outubro de 2025. Neste ponto, o cometa esteve a uma distância de 1,4 unidade astronômica do astro, o que intensificou o aquecimento de seu núcleo. O gelo presente no interior do cometa começou a sublimar diretamente para o estado gasoso, um processo que expulsa grandes quantidades de poeira e contribui para a formação de uma coma mais extensa e com maior brilho.

A resposta dos cometas ao calor solar nem sempre é imediata. Muitos deles demonstram reações tardias, com a possibilidade de ocorrerem surtos de material e explosões gasosas mesmo depois de terem iniciado sua trajetória de afastamento do Sol. No contexto do 3I/ATLAS, os astrônomos mantêm um monitoramento contínuo para verificar se novos eventos eruptivos, conhecidos como “outbursts”, poderão ocorrer durante sua fase de aproximação máxima da Terra, o que poderia alterar seu brilho e aparência.

Imagens compostas, obtidas utilizando filtros nas cores azul, verde, laranja e vermelho, têm sido essenciais para destacar a natureza nebulosa da coma e a formação incipiente da cauda do cometa. O sistema de acompanhamento do telescópio permite que o movimento do cometa seja isolado, fazendo com que as estrelas de fundo apareçam como traços coloridos. Essas variações na aparência fornecem informações cruciais sobre a composição e a dinâmica do 3I/ATLAS, um dos maiores e mais antigos visitantes interestelares já identificados.

Trajetória e natureza interestelar

Descoberto em 1º de julho de 2025 pelo sistema ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System) operando no Chile, o 3I/ATLAS foi rapidamente identificado por sua órbita hiperbólica. Esta característica orbital é a principal evidência que confirma sua origem externa ao Sistema Solar, diferenciando-o dos cometas que se formaram em nossa própria vizinhança cósmica. Sua velocidade de deslocamento, superior a 200 mil quilômetros por hora, garante que ele não retornará à nossa região do espaço após sua passagem.

Estimativas atuais sugerem que o núcleo do cometa pode variar em diâmetro, situando-se entre 440 metros e 5,6 quilômetros. A atividade cometária do 3I/ATLAS foi detectada pela primeira vez em maio de 2025, quando o objeto ainda estava a uma considerável distância de 6,4 unidades astronômicas do Sol. A análise de sua trajetória e composição indica a possibilidade de que ele tenha se formado no disco espesso da Via Láctea, uma região rica em material primordial.

O 3I/ATLAS distingue-se de outros objetos interestelares previamente observados, como ‘Oumuamua e Borisov. Ao contrário de seus antecessores, este cometa exibe uma coma ampla e bem definida, além de caudas de poeira e íons que se estendem por milhões de quilômetros. A presença de jatos de material orientados em direção ao Sol também é uma característica notável, oferecendo aos pesquisadores uma oportunidade única para estudar a evolução de um cometa interestelar ativo.

Amplo registro por observatórios globais

A observação do 3I/ATLAS mobilizou uma vasta rede de instrumentos astronômicos em todo o mundo, com o objetivo de coletar o máximo de dados possível sobre este visitante único. O Telescópio Espacial Hubble, por exemplo, registrou detalhes impressionantes da coma e das caudas do cometa em 30 de novembro de 2025, proporcionando imagens de alta resolução que complementam as observações terrestres. Além disso, a sonda JUICE da Agência Espacial Europeia (ESA) também contribuiu com seus próprios registros, ampliando o escopo da pesquisa.

As observações não se limitaram ao espectro visível; emissões em raios X foram detectadas, associadas à interação do cometa com o vento solar, fornecendo dados sobre os processos de ionização. Mesmo astrônomos amadores, utilizando equipamentos modestos, conseguiram capturar imagens que demonstram a vasta extensão da coma, que pode atingir milhões de quilômetros. Campanhas de observação coordenadas por agências como NASA e ESA, em colaboração com diversos observatórios terrestres, estão programadas para continuar até 2026, garantindo um monitoramento abrangente do cometa. O 3I/ATLAS permanece visível no céu matutino, com uma magnitude aparente em torno de 12, exigindo o uso de telescópios para sua localização precisa em constelações como Leão.

Identificação da composição química

As análises espectroscópicas realizadas no 3I/ATLAS revelaram uma composição química rica e complexa, fornecendo indícios sobre seu ambiente de formação. O dióxido de carbono se mostra como um componente dominante, mas outros compostos como metanol, cianeto de hidrogênio e níquel ionizado também foram detectados em níveis elevados. A presença desses elementos sugere que o cometa se originou em ambientes extremamente frios e distantes, possivelmente nas regiões mais externas de seu sistema estelar de origem.

Embora a detecção de água e outros voláteis reforce as semelhanças com cometas que se formaram em nosso próprio Sistema Solar, a identificação de traços químicos únicos aponta para diferenças significativas em sua origem estelar. Dados obtidos pelo Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) e pelo Very Large Telescope (VLT) complementam as imagens óticas, oferecendo uma visão mais completa da estrutura molecular do cometa. Essas informações são cruciais para entender como os elementos químicos se distribuem em diferentes sistemas planetários.

Aproximação segura da Terra

A passagem do 3I/ATLAS em 19 de dezembro de 2025, quando estará a 270 milhões de quilômetros da Terra, representa uma distância considerável, equivalente a quase duas vezes a separação média entre a Terra e o Sol. Essa margem de segurança assegura que não há qualquer risco de colisão ou impacto com nosso planeta. A aproximação oferece uma oportunidade valiosa para a comunidade científica realizar observações detalhadas antes que o cometa siga sua trajetória e se afaste permanentemente de nossa vizinhança estelar.

O brilho do cometa pode sofrer variações, especialmente se ocorrerem surtos tardios de material, o que é um fenômeno comum em cometas. Após o mês de dezembro, o 3I/ATLAS continuará sua jornada em direção às regiões mais externas do Sistema Solar, tornando-se gradualmente invisível para os telescópios terrestres. O estudo aprofundado do 3I/ATLAS é fundamental para expandir nossa compreensão sobre os processos de formação planetária em sistemas estelares antigos e distantes, contribuindo para a astrofísica e a cosmologia.