O Conselho de Prud’hommes de Paris decidiu, de forma unânime, condenar o Paris Saint-Germain a pagar cerca de 61 milhões de euros a Kylian Mbappé. A sentença abrange salários atrasados dos últimos três meses de contrato, bônus de assinatura e férias compensatórias não quitadas.
A decisão foi anunciada nesta terça-feira, 16 de dezembro de 2025, e inclui execução provisória, obrigando o clube a efetuar o pagamento imediatamente. Os quatro juízes envolvidos rejeitaram todas as contrademandas apresentadas pelo PSG.
Mbappé, atualmente no Real Madrid, reivindicava o cumprimento de obrigações contratuais referentes ao período final de sua passagem pelo clube francês. O valor principal de 55 milhões de euros foi acrescido de indenizações adicionais.
- Salários de abril, maio e junho de 2024;
- Terço final do bônus de assinatura;
- Bônus ético correspondente;
- Férias acumuladas não pagas.
🚨 Official: Kylian Mbappe has won the lawsuit against PSG, with judge ruling in the player’s favor. 🇫🇷
— Fabrizio Romano (@FabrizioRomano) December 16, 2025
As a result, the Court of Paris have sided with the footballer and order PSG to pay around €61 million, reports RMC. pic.twitter.com/9tPnsJiEBN
Origem da disputa
A controvérsia teve início após a saída de Mbappé do PSG em junho de 2024, quando o jogador se transferiu para o Real Madrid sem custo de transferência. O clube parisiense reteve pagamentos alegando um acordo verbal firmado em agosto de 2023.
Nesse acordo, Mbappé teria se comprometido a renunciar a certos bônus para facilitar sua reintegração ao elenco principal. O jogador foi afastado temporariamente no início da temporada 2023-2024 por não ativar a opção de extensão contratual.
Os representantes de Mbappé contestaram a validade desse compromisso, argumentando ausência de documento escrito. A justiça trabalhista acolheu essa posição e determinou o pagamento integral das verbas devidas.
Detalhes da sentença
A decisão do Conselho de Prud’hommes rejeitou integralmente as pretensões do PSG, que exigia compensação superior a 400 milhões de euros. O clube alegava prejuízos por suposta deslealdade do jogador ao ocultar intenções de saída.
Mbappé, por sua vez, havia solicitado valores mais elevados, incluindo requalificação de contrato e indenizações por outros motivos. Essas demandas adicionais foram negadas pelos juízes.
A execução provisória garante que o pagamento ocorra mesmo em caso de recurso. Além disso, o PSG deverá publicar o teor completo da sentença em sua página inicial na internet por um mês.
Os advogados de Mbappé destacaram que a ruling reforça a aplicação do direito do trabalho no futebol profissional. Eles afirmaram que o jogador cumpriu todas as obrigações durante sete anos no clube.
Posição das partes
Os representantes legais de Kylian Mbappé expressaram satisfação com o resultado. Eles enfatizaram que a decisão restabelece a obrigatoriedade de honrar compromissos contratuais.
O Paris Saint-Germain ainda não se manifestou oficialmente sobre possível recurso. O clube havia mantido a retenção dos valores à espera de pronunciamento judicial definitivo.
A disputa judicial se arrastava desde o término do vínculo em 2024. Anteriormente, instâncias esportivas francesas já haviam se posicionado favoravelmente ao jogador em partes do processo.
Contexto do contrato
Mbappé assinou sua última renovação com o PSG em maio de 2022, em cerimônia pública onde exibiu camisa com o ano 2025. O acordo previa opções de extensão e bônus significativos.
O jogador optou por não ativar a cláusula adicional, permitindo saída gratuita ao fim do período obrigatório. Essa escolha gerou tensões com a diretoria parisiense.
Durante o período no PSG, Mbappé conquistou múltiplos títulos nacionais e estabeleceu recordes de artilharia. Sua transferência para o Real Madrid marcou o fim de uma era no clube francês.
Evolução do caso
O litígio passou por várias fases, incluindo tentativas de mediação rejeitadas. Em abril de 2025, houve autorização para penhora preventiva de valores nas contas do PSG.
Posteriormente, decisões interlocutórias anularam algumas medidas cautelares. A audiência principal ocorreu em novembro de 2025, com argumentos intensos de ambas as partes.
A sentença atual representa o desfecho em primeira instância trabalhista. Recursos podem prolongar o processo em tribunais superiores.
O valor total de 61 milhões de euros corresponde a cerca de 390 milhões de reais na cotação atual. Esse montante refere-se exclusivamente às verbas salariais e acessórias não pagas.
Repercussões imediatas
A execução provisória impõe ao PSG o cumprimento rápido da obrigação. Caso contrário, medidas coercitivas podem ser aplicadas pelas autoridades judiciais.
O clube mantém atividades normais na temporada atual, incluindo participações em competições europeias. A decisão não afeta diretamente inscrições ou transferências no momento.
Mbappé segue atuando pelo Real Madrid, onde acumula performances regulares. O jogador evitou comentários públicos sobre o processo durante sua tramitação.
Aspectos financeiros
Os 55 milhões de euros principais dividem-se em salários finais e fração de bônus de fidelidade. A adição refere-se a direitos trabalhistas complementares.
O PSG argumentava que o acordo verbal de 2023 alterava essas obrigações. A justiça considerou insuficiente a prova de renúncia formal aos direitos.
Essa ruling estabelece precedente para aplicação estrita de normas trabalhistas em contratos de alto valor no futebol. Clubes e jogadores devem observar formalidades em ajustes salariais.
A disputa destacou diferenças entre acordos verbais e obrigações contratuais escritas. Especialistas apontam necessidade de documentação clara em negociações sensíveis.
O caso atraiu atenção internacional pelo montante envolvido e pelos protagonistas. Mbappé e o PSG representam figuras centrais do futebol mundial contemporâneo.
A sentença reforça proteções legais para atletas em relações empregatícias. Mesmo em contextos de grandes transferências, direitos básicos permanecem vigentes.
Publicação obrigatória
Além do pagamento, o PSG deve exibir o julgamento completo em seu site oficial. Essa medida visa transparência sobre o desfecho judicial.
A duração de um mês garante visibilidade aos torcedores e ao público. O clube cumprirá a determinação conforme orientação legal.
Essa exigência integra as sanções acessórias da condenação. Ela não altera o valor principal devido ao jogador.
O processo completo abrangeu análise detalhada de contratos e comunicações internas. Os juízes avaliaram provas documentais e testemunhais apresentadas.
A unanimidade entre os quatro conselheiros reforça a solidez da decisão. Recursos enfrentarão exame rigoroso em instâncias superiores.
Mbappé manteve foco em campo durante o litígio prolongado. Sua adaptação ao Real Madrid prossegue sem interrupções públicas relacionadas ao caso.
O PSG concentra esforços em competições atuais após o veredicto. A diretoria avalia próximas etapas processuais internamente.
Essa conclusão parcial encerra fase importante da controvérsia. Eventuais apelações determinarão o desfecho definitivo dos valores.
