Ciência

Primeiro mapa bidimensional da borda magnética do Sol revela variações no ciclo solar

Sol, Sistema solar
Foto: Sol, Sistema solar - Lukasz Pawel Szczepanski/shutterstock.com

Cientistas anunciaram a criação do primeiro mapa contínuo bidimensional da superfície de Alfvén, o limite externo da atmosfera solar onde o material escapa para formar o vento solar. Essa fronteira, conhecida como o ponto onde a velocidade do plasma supera as ondas magnéticas, foi mapeada graças a dados coletados pela sonda Parker Solar Probe da NASA ao longo de vários anos.

A pesquisa combinou observações diretas da Parker com medições de outras missões, como a Solar Orbiter e espaçonaves no ponto Lagrange L1. Os resultados, publicados recentemente, mostram que essa superfície não é uniforme e varia significativamente com o ciclo solar de 11 anos.

Durante seis anos de observações, a altura média da superfície de Alfvén aumentou cerca de 30% à medida que a atividade solar se intensificou. A sonda Parker, lançada em 2018, realizou múltiplas passagens próximas ao Sol, cruzando essa fronteira em várias ocasiões e fornecendo validação direta às estimativas remotas.

  • A Parker registrou travessias da superfície em periélios recentes.
  • Em períodos de máxima atividade solar, a sonda mergulhou mais profundamente abaixo dessa camada.
  • Os mapas revelam uma estrutura irregular, com protuberâncias e formas pontiagudas.

Missão da Parker Solar Probe

A Parker Solar Probe representa um marco na exploração heliófisica ao se aproximar mais do Sol do que qualquer outra espaçonave. Equipada com instrumentos como o SWEAP, que mede partículas do vento solar, a sonda coletou dados essenciais dentro da coroa solar.

Essas aproximações permitiram observações in situ da região sub-Alfvénica, onde o campo magnético solar ainda domina. A missão continua ativa, com passagens recordes em 2024 e 2025, contribuindo para refinar os modelos da atmosfera solar.

Construção do mapa inédito

Os pesquisadores utilizaram uma técnica de escalonamento de dados remotos para estimar a forma da superfície de Alfvén. Medições de vento solar em distâncias maiores foram projetadas para perto do Sol, e validadas pelas travessias diretas da Parker.

Em representações bidimensionais no plano equatorial, linhas coloridas indicam estimativas de diferentes fontes: preto para dados de L1, azul para Solar Orbiter e vermelho para Parker. A coincidência entre essas curvas confirma a precisão do método.

As variações observadas incluem uma expansão geral e maior irregularidade durante o máximo solar. Essas mudanças afetam diretamente a liberação de partículas que compõem o vento solar.

Sol
Sol – Nazarii_Neshcherenskyi/Shutterstock.com

Variações no ciclo solar

A superfície de Alfvén se expande e se torna mais pontiaguda com o aumento da atividade solar. Em períodos de mínima, ela apresenta forma mais suave; já no máximo, ganha protuberâncias que a Parker frequentemente roçou em suas passagens iniciais.

Apenas em duas aproximações durante o pico de atividade a sonda penetrou profundamente abaixo dessa camada. Essas observações cobrem a ascensão do ciclo solar 25, iniciado recentemente.

A dinâmica revelada ajuda a explicar processos como reconexão magnética e turbulência na coroa. Dados futuros da Parker prometem mapas ainda mais detalhados, incluindo variações em latitude.

Implicações científicas

Compreender a superfície de Alfvén esclarece questões fundamentais sobre o aquecimento da coroa solar, que atinge temperaturas milhões de graus mais altas que a superfície visível. Essa fronteira define onde o vento solar ganha autonomia em relação ao campo magnético solar.

Os mapas contribuem para previsões de clima espacial, que impactam satélites, redes elétricas e comunicações na Terra. Partículas energéticas do vento solar podem causar interferências em sistemas tecnológicos.

A pesquisa valida modelos teóricos anteriores sobre a expansão da heliosfera. Observações diretas da Parker fornecem dados únicos para estudar aceleração de partículas e ondas na coroa.

Instrumentos e colaborações

O instrumento SWEAP da Parker mediu elétrons, prótons e partículas alfa diretamente na região crítica. Colaborações internacionais integraram dados da Solar Orbiter, que observa o Sol de distâncias intermediárias.

Espaçonaves no ponto L1 monitoram o vento solar chegando à Terra, permitindo correlações temporais. Essa combinação de perspectivas criou o retrato mais completo da fronteira solar até o momento.

Pesquisadores destacam que a Parker continua mergulhando na coroa, prometendo avanços em heliísica.

Forma irregular da fronteira

A superfície de Alfvén apresenta aparência espinhosa e espumosa, distante de uma esfera lisa. Protuberâncias variam com a atividade, criando uma estrutura dinâmica que evolui ao longo do ciclo solar.

Em visualizações, a fronteira aparece irregular, com saliências que a Parker atravessou em múltiplas órbitas. Essas irregularidades refletem turbulência e instabilidades no plasma coronal.

A forma mais pontiaguda no máximo solar confirma previsões teóricas antigas, agora observadas diretamente. Essa complexidade influencia a origem de estruturas como switchbacks no vento solar.

Aplicações em clima espacial

Mapas precisos da superfície de Alfvén melhoram modelos de propagação do vento solar pelo sistema solar. Previsões mais acuradas de tempestades solares protegem infraestrutura terrestre e missões espaciais.

Entender variações cíclicas ajuda a antecipar impactos em satélites e astronautas. O vento solar constante carrega partículas que interagem com campos magnéticos planetários.

Avanços nessa área beneficiam tecnologias dependentes de comunicações e navegação GPS.