Composição incomum do cometa 3I/ATLAS com CO2 elevado desafia cientistas e NASA mantém sigilo

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NASA - Foto: LaserLens/Shutterstock.com

O cometa 3I/ATLAS, identificado em 1º de julho de 2025 pelo telescópio ATLAS no Chile, representa o terceiro objeto interestelar confirmado a cruzar o Sistema Solar, provocando um intenso debate na comunidade científica global. Sua órbita hiperbólica, que indica uma origem além dos limites de nosso sistema estelar, levanta questões fundamentais sobre a formação de cometas em ambientes cósmicos distintos. A composição singular do objeto, com uma proporção de dióxido de carbono oito vezes maior que a de água, contradiz as teorias tradicionais sobre a composição de cometas.

A descoberta ocorre em um período de desafios, pois a NASA tem limitado a divulgação de informações sobre o 3I/ATLAS devido a restrições orçamentárias impostas por uma paralisação governamental nos Estados Unidos. Essa contenção contrasta com a urgência científica em compreender um corpo celeste que se aproxima do periélio em 30 de outubro de 2025, a uma distância de 1,4 unidade astronômica do Sol.

Registro de Cometa 3I Atlas – Agencia Espacial Europeia (ESA) NYT
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Dados preliminares, capturados pelo Telescópio Espacial James Webb em agosto de 2025, já confirmaram níveis elevados de monóxido de carbono na coma do cometa, adicionando complexidade à sua análise. A comunidade astronômica internacional busca alternativas para aprofundar os estudos, apesar das dificuldades.

Detecção e trajetória inicial

Astrônomos do projeto ATLAS, operando em Río Hurtado, no Chile, foram os primeiros a identificar o objeto, inicialmente classificado como um possível asteroide. Observações subsequentes, realizadas em 2 de julho de 2025 por equipes do Deep Random Survey no Chile e do Lowell Discovery Telescope no Arizona, foram cruciais para revelar uma coma marginal e um alongamento que se assemelhava a uma cauda, confirmando assim sua natureza cometary.

O Centro de Planetas Menores rapidamente atribuiu a designação 3I em 2 de julho de 2025, um marco que oficialmente o categorizou como um objeto interestelar. Essa confirmação abriu caminho para uma série de investigações aprofundadas sobre sua origem e características.

Composição química surpreendente

Análises espectroscópicas detalhadas da coma do 3I/ATLAS indicam uma predominância notável de dióxido de carbono, um composto que é incomum em cometas originários do Sistema Solar. Essa concentração elevada sugere que o cometa pode ter se formado em um ambiente com temperaturas extremamente baixas e uma química molecular significativamente diferente daquela encontrada na nuvem de Oort ou no cinturão de Kuiper.

O Telescópio Espacial James Webb, em 6 de agosto de 2025, coletou dados adicionais que confirmaram a presença de compostos voláteis, incluindo monóxido de carbono, corroborando as primeiras observações. A cor avermelhada da coma, inicialmente observada em julho, evoluiu para tons ainda mais avermelhados, um fenômeno que os cientistas interpretam como um indicativo de uma maior quantidade de poeira e de mudanças na superfície do núcleo do cometa.

Esses elementos reforçam as hipóteses de que o cometa passa por sublimação de gelos além da água, uma teoria que já havia sido parcialmente detectada pelo satélite TESS da NASA em maio de 2025. A complexidade da composição do 3I/ATLAS desafia os modelos existentes de formação cometária.

Parcerias internacionais impulsionam pesquisa

Diante das restrições orçamentárias enfrentadas pela NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA) e diversos observatórios no Chile têm intensificado seus esforços de cooperação, compartilhando dados cruciais para compensar a lacuna na pesquisa. Essa colaboração internacional inclui o fornecimento de imagens de alta resolução pelo Vera C. Rubin Observatory desde junho de 2025, enriquecendo o conjunto de informações disponíveis.

Adicionalmente, a Missão Juice da ESA já anunciou planos para realizar observações detalhadas em novembro de 2025, utilizando suas avançadas câmeras e espectrômetros para capturar novos dados sobre o cometa. Essa rede de colaboração global é fundamental para garantir o avanço do conhecimento sobre o 3I/ATLAS.

Caminho do cometa e visibilidade futura

O cometa 3I/ATLAS prossegue em sua órbita hiperbólica a uma velocidade estimada de 245 mil quilômetros por hora, com a passagem pelo periélio prevista para 30 de outubro de 2025. Ele cruzará a conjunção solar em 21 de outubro de 2025, momento em que se tornará temporariamente invisível para as observações terrestres, permanecendo assim até o mês de dezembro.

As observações realizadas a partir da Terra foram possíveis até setembro de 2025, com a reativação da visibilidade esperada para o início de dezembro, quando o cometa estará posicionado na constelação de Virgem. A visibilidade é um fator crucial para a continuidade dos estudos.

A International Asteroid Warning Network (IAWN) iniciou uma campanha de astrometria em 27 de novembro de 2025, com o objetivo de refinar as posições e a trajetória exata do cometa. Essa iniciativa visa aprimorar a precisão das previsões e garantir que futuras observações sejam o mais eficazes possível.

Observações por telescópios espaciais

O Telescópio Espacial Hubble capturou imagens em 21 de julho de 2025, revelando um núcleo alongado e uma cauda de poeira tênue. Essas fotografias, obtidas a uma distância de 277 milhões de quilômetros da Terra, destacaram a forma de gota d’água do objeto, fornecendo informações visuais valiosas sobre sua estrutura.

O Telescópio Espacial James Webb, por sua vez, forneceu mapas de fluxo para CO2 e H2O, confirmando assinaturas moleculares específicas. Esses dados são essenciais para compreender os processos de sublimação que ocorrem na superfície do cometa.

A missão SPHEREx da NASA também contribuiu com observações em agosto de 2025, ajudando a refinar as estimativas das propriedades físicas do 3I/ATLAS. A combinação de dados de diferentes telescópios espaciais oferece uma visão abrangente do objeto.

Monitoramento global e dados inéditos

A rede de telescópios no Havaí e no Chile está coordenando esforços para corrigir desvios nas medições, frequentemente causados pela coma estendida do cometa. Treinamentos específicos estão sendo realizados para aprimorar a detecção precisa de centróides, especialmente para objetos difusos como o 3I/ATLAS.

Astrônomos independentes, a exemplo de Sam Deen, identificaram observações pré-descoberta que datam de 5 a 25 de junho de 2025, indicando que o cometa já estava ativo antes de sua detecção oficial. Essa iniciativa destaca a importância da colaboração e do compartilhamento de dados na astronomia moderna.

A passagem do cometa 3I/ATLAS oferece uma oportunidade inédita para coletar dados sobre a evolução de sistemas estelares distantes. Com uma massa estimada em níveis elevados e uma polarização negativa incomum, o objeto reforça a necessidade de investimentos contínuos em tecnologias de detecção de objetos interestelares, permitindo o estudo da química interestelar sem a necessidade de missões espaciais dedicadas.

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