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O Corinthians confirmou o desligamento de Fabinho Soldado do cargo de executivo de futebol, encerrando uma passagem de dois anos iniciada em janeiro de 2024. Sua gestão foi amplamente definida pela necessidade constante de blindar o elenco das intensas pressões externas e das contínuas turbulências políticas que permearam o clube do Parque São Jorge. Durante seu período, Fabinho Soldado enfrentou o desafio de profissionalizar um departamento de futebol em reformulação, lidando com um cenário financeiro limitado, questionamentos de torcida e imprensa, e a instabilidade de sucessivas trocas no comando técnico. A complexidade do ambiente exigiu do executivo uma postura metódica e focada em processos para manter o grupo coeso e competitivo, resultando em desempenho em campo que incluiu a garantia de vaga na Libertadores de 2025.

No começo de sua atuação, Fabinho dividiu a gestão do futebol com o então diretor estatutário Rubens Gomes, conhecido como Rubão, até sua saída em maio de 2024. A prioridade naqueles primeiros meses foi acelerar a chegada de reforços, visto que o clube passava por uma profunda reestruturação de elenco sob a nova administração do presidente Augusto Melo.

Fabinho Corinthians
Fabinho Corinthians – Rodrigo Coca – Agencia Corinthians

A trajetória de Fabinho Soldado foi marcada por aspectos notáveis que moldaram o departamento de futebol, entre eles:

  • A necessidade de reformular o elenco em um ambiente político interno extremamente instável.
  • A gestão de múltiplas e sucessivas trocas de treinadores.
  • A busca por criatividade e soluções nas complexas janelas de transferência, em face de limitações financeiras.

O começo da gestão e a organização do futebol

Ao chegar ao Corinthians em janeiro de 2024, Fabinho Soldado encontrou um cenário de ebulição no Parque São Jorge. A gestão de Augusto Melo buscava implementar mudanças estruturais ambiciosas, enquanto o elenco era amplamente reformulado. Esse período foi acentuado por um cenário político interno que se mostrava constantemente instável.

Sua principal missão foi profissionalizar o departamento de futebol e montar uma equipe competitiva, mesmo diante das limitações financeiras inerentes ao clube. Fabinho enfrentou questionamentos de parte da torcida e da imprensa sobre sua experiência para o cargo, mas se destacou por uma postura metódica, focando em processos, no uso de dados e na modernização de áreas como fisiologia e scouting. Essa abordagem profissional foi determinante para absorver a pressão externa e manter o grupo focado.

Mudanças estratégicas na comissão técnica

Fabinho Soldado esteve diretamente envolvido em três mudanças de comando técnico ao longo de sua passagem pelo Corinthians, evidenciando a instabilidade que permeou o clube. Poucos dias após sua chegada, a diretoria optou pela demissão de Mano Menezes, em razão de um início de temporada considerado abaixo das expectativas, e apostou na contratação do português António Oliveira, para iniciar um novo ciclo.

A experiência com o treinador lusitano, no entanto, não trouxe os resultados esperados pela diretoria e pela torcida. Em 27 partidas à frente da equipe, António somou 12 vitórias, oito empates e sete derrotas, alcançando um aproveitamento de 54%. Além da eliminação precoce no Campeonato Paulista, o Corinthians figurava na zona de rebaixamento do Brasileirão, culminando em sua saída após a derrota por 2 a 0 para o Palmeiras, no Allianz Parque.

Em julho de 2024, Fabinho participou ativamente da chegada de Ramón Díaz e sua comissão técnica. O argentino assumiu com a missão clara de evitar o rebaixamento e cumpriu o objetivo, conduzindo o Timão a uma impressionante sequência de nove vitórias nas rodadas finais do Brasileirão, garantindo a vaga na fase preliminar da Libertadores de 2025. Antes disso, a comissão ainda conquistou o título estadual diante do maior rival, em março de 2025. Apesar dos feitos, Ramón acabou desligado após uma série de resultados negativos na temporada seguinte.

A última comissão técnica contratada durante a gestão de Fabinho Soldado foi liderada por Dorival Júnior, anunciada em abril de 2025. Mesmo com a eliminação na fase de grupos da Copa Sul-Americana e uma campanha irregular no Brasileirão, o executivo manteve respaldo ao treinador até o fim do ano. A confiança se mostrou decisiva nos momentos-chave da temporada: apesar do 13º lugar no campeonato nacional, Dorival conseguiu estabilizar o elenco nas partidas decisivas e conduziu o Corinthians à conquista da Copa do Brasil, com o título assegurado diante do Vasco.

O mercado de transferências sob sua tutela

A montagem do elenco representou uma das mais visíveis e complexas responsabilidades de um diretor executivo de futebol, e Fabinho Soldado lidou intensamente com o mercado da bola ao longo de seus dois anos no Corinthians. Nesse período, ele participou da contratação de 16 jogadores para o elenco alvinegro, buscando sempre um equilíbrio entre as necessidades técnicas e as possibilidades financeiras do clube.

Sua atuação nas quatro janelas de transferências apresentou dinâmicas bastante distintas e marcadas por diferentes níveis de autonomia. Na primeira delas, o executivo teve autonomia limitada, atuando em grande parte seguindo as diretrizes estabelecidas pelo então diretor estatutário Rubão, que tinha forte influência nas decisões.

Quando Fabinho chegou ao Parque São Jorge, em meio a uma profunda reformulação do elenco, o Corinthians já havia oficializado as contratações de diversos atletas para compor a nova equipe:

  • Laterais Hugo Farias e Diego Palacios
  • Zagueiros Gustavo Henrique e Félix Torres
  • Volante Raniele
  • Meia Rodrigo Garro

Pouco depois, já com Fabinho plenamente integrado ao dia a dia do clube, o Timão acertou as chegadas do meia Igor Coronado e do atacante Pedro Raul. Ainda assim, sua participação nessas negociações foi reduzida, uma vez que ambas já estavam bem encaminhadas antes de sua apresentação oficial, refletindo a continuidade de processos anteriores.

Ainda nos primeiros meses de sua passagem, com maior influência nas decisões após a saída de Rubão, Fabinho passou a ter papel mais ativo no mercado. Nesse contexto, o clube acertou as contratações do lateral-direito Matheuzinho, do zagueiro Cacá e do atacante Pedro Henrique, já sob uma condução mais direta do executivo, que começou a imprimir sua marca no departamento.

O cenário mudou de forma significativa no segundo semestre de 2024. Após a saída de Rubão em maio, Fabinho Soldado ganhou autonomia plena para reestruturar o departamento de futebol e criou uma área específica de análise de mercado. Para comandá-la, ele trouxe Renan Bloise, um profissional com quem já havia trabalhado no Flamengo, demonstrando seu foco em modernização e eficiência.

Reforços de impacto e conquistas

Essa janela foi decisiva para responder à má montagem do elenco no primeiro semestre de 2024, quando o time se encontrava na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, enfrentando uma crise de resultados. O dirigente protagonizou a chegada de nomes de peso, como o goleiro Hugo Souza, uma aposta que rapidamente se mostrou acertada, e Memphis Depay, em uma negociação de enorme repercussão no cenário nacional e internacional, que trouxe visibilidade e esperança aos torcedores. Além deles, o Corinthians também anunciou André Ramalho, André Carrillo, Alex Santana, Charles, José Martínez, Talles Magno e Héctor Hernández. Esse “caminhão de reforços” se mostrou muito positivo no âmbito esportivo, já que montou o elenco-base para as futuras conquistas do Paulistão e da Copa do Brasil, ambas em 2025, transformando completamente a perspectiva do clube na temporada seguinte.

Pressões políticas e o desligamento

O ambiente político do Corinthians passou a ocupar espaço recorrente no noticiário nos últimos anos, marcado por instabilidade e disputas internas no Parque São Jorge. Desde a chegada de Augusto Melo ao poder, encerrando os 16 anos da chapa Renovação & Transparência, o clube viveu um cenário dividido e combativo entre seus principais grupos, e nesse contexto Fabinho Soldado precisou, em diversas ocasiões, atuar nos bastidores para blindar o elenco e o departamento de futebol dos ruídos externos e de interferências indesejadas.

Em 2024, o clube foi diretamente afetado pelo chamado “Caso VaideBet”, envolvendo suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro no contrato de patrocínio máster. A rescisão unilateral do acordo e as investigações sobre ex-dirigentes criaram um ambiente de forte turbulência, justamente quando o time enfrentava dificuldades no Brasileirão. Internamente, Fabinho conseguiu minimizar os impactos ao proteger o elenco, especialmente após a chegada de Ramón Díaz, quando o desempenho em campo ajudou a afastar o grupo das polêmicas e conduzir o time à recuperação e à vaga na fase preliminar da Libertadores.

A fase final e o desfecho da passagem

Já em 2025, o cenário político voltou a se agravar significativamente. Com a saída de Augusto Melo do poder corinthiano após impeachment votado entre os associados, Osmar Stabile assumiu o comando do clube em um mandato-tampão que se estenderá até o fim de 2026. Essa mudança na presidência reacendeu pressões internas, e parte dos conselheiros passou a defender abertamente a saída de Fabinho Soldado, criticando o valor de seu salário e apontando o executivo como um remanescente da gestão anterior, o que gerou um clima de incerteza em torno de sua permanência.

Em novembro de 2025, a permanência de Fabinho ainda era indefinida, alimentando especulações na imprensa e entre os torcedores. O Conselho de Orientação (Cori) se reuniu com a diretoria para discutir temas sensíveis, como a situação financeira do clube, a imposição de transfer bans e as dívidas relacionadas ao elenco. Entre os pontos levantados pelos conselheiros estava a contratação de Memphis Depay, que representava uma pendência financeira significativa para o Corinthians, adicionando mais um elemento de complexidade à sua gestão.

Os conselheiros pretendiam ouvir Fabinho sobre essa operação em uma reunião realizada no dia 29 de outubro. No entanto, o executivo não participou da chamada “ouvidoria”, por decisão expressa do presidente Osmar Stabile, o que aumentou as especulações sobre seu futuro no clube. Apesar das manifestações públicas de apoio de jogadores como André Ramalho, Gustavo Henrique e Memphis Depay, a decisão final foi tomada na última terça-feira. A diretoria optou pela descontinuidade do trabalho do executivo, com Osmar Stabile afirmando que a saída ocorreu em comum acordo e agradecendo a Fabinho pelos serviços prestados, destacando sua tentativa de implementar uma gestão mais técnica e menos suscetível a interferências políticas.

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