Marcos Lamacchia, da Crefisa, busca adquirir SAF do Vasco em tratativas avançadas para 2026
O Vasco da Gama prossegue em negociações para a venda de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ao empresário Marcos Faria Lamacchia, de 47 anos. Ele é filho de José Roberto Lamacchia, proprietário da Crefisa, e conduz seus negócios de forma independente. As tratativas ocorrem com a diretoria do clube, liderada pelo presidente Pedrinho, em um momento crucial que exige a definição de um novo investidor para a gestão da equipe.
As conversas ganharam destaque após a homologação do plano de recuperação judicial da SAF, um passo importante para a reestruturação financeira do clube. A boa relação entre Pedrinho e José Lamacchia tem facilitado o avanço dos diálogos. Marcos Lamacchia, por sua vez, acompanha de perto todos os desdobramentos judiciais que envolvem o Vasco, especialmente desde a saída da 777 Partners do controle operacional.
O clube de São Januário enfrenta restrições financeiras e recentemente obteve um empréstimo DIP (Debtor in Possession) de R$ 80 milhões junto à Crefisa. A previsão é que esses recursos se esgotem em janeiro de 2026, o que torna a decisão sobre a revenda da SAF uma prioridade para garantir a estabilidade e o planejamento futuro da instituição.
Cenário atual da Sociedade Anônima do Futebol
A Sociedade Anônima do Futebol do Vasco da Gama passa por um período de redefinição após a retirada do controle operacional da 777 Partners em 2024. A homologação do plano de recuperação judicial representa um marco, buscando organizar as dívidas e atrair novos investidores para a sustentabilidade do projeto.
Mais sobre o assunto: Como empréstimo da Crefisa e preferência de Lamacchia definem o futuro da SAF do Vasco
A necessidade de um novo aporte financeiro é premente, com o empréstimo de R$ 80 milhões da Crefisa servindo como fôlego temporário. Essa situação reforça a urgência em encontrar um parceiro que possa injetar capital e garantir a continuidade das operações e o desenvolvimento do futebol.
Marcos Lamacchia: o perfil do interessado
Marcos Faria Lamacchia mantém um perfil discreto, com poucas aparições públicas, e é conhecido por sua atuação independente nos negócios. Ele é filho de José Lamacchia e herdeiro do banqueiro Aloysio de Andrade Faria, fundador do Banco Real, falecido em 2020, o que lhe confere um histórico familiar no setor financeiro. Sua trajetória profissional inclui passagens por empresas como a Crefisa e o Banco Alfa.
Em 2011, o empresário fundou a Blue Star, uma gestora independente de fundos de investimento. Essa iniciativa sublinha sua autonomia e diferencia suas atividades das empresas de seu pai e de Leila Pereira, atual esposa de José Lamacchia e presidente do Palmeiras, indicando uma abordagem estratégica própria.
Entraves na estrutura acionária
A composição societária da SAF do Vasco permanece fragmentada, resultado do litígio com a 777 Partners. Atualmente, 30% das ações pertencem ao clube associativo, enquanto a empresa americana ainda detém 31% referentes aos aportes realizados desde 2022. Os 39% restantes estão em disputa judicial, aguardando resolução em processo de arbitragem.
Para que a venda de uma fatia majoritária da SAF a um novo investidor seja concretizada, será indispensável um acordo entre as partes ou uma decisão favorável ao Vasco na arbitragem. A expectativa é que o futuro investidor adquira uma participação entre 70% e 90% do controle, com o percentual remanescente permanecendo com o clube associativo.
Urgência financeira e próximos passos
O Vasco da Gama busca um reforço substancial em seu caixa para iniciar o ano de 2026 com a estabilidade necessária para seus compromissos. O empréstimo DIP de R$ 80 milhões, que teve como garantia 10% das ações da SAF, foi crucial para o fluxo de capital recente, mas seus recursos estão programados para se esgotar. Diante desse cenário, a Crefisa surge novamente como uma possível credora para uma nova operação financeira no início do próximo ano, enquanto a diretoria avalia continuamente diversas opções para manter as operações do clube. A revenda da SAF é vista como a principal via para equacionar as obrigações financeiras e permitir um planejamento robusto de investimentos no futebol e na infraestrutura do clube.
Histórico da SAF vascaína
O Vasco constituiu a SAF em 2022, quando 70% de suas ações foram vendidas à 777 Partners, com a promessa de grandes investimentos. No entanto, a parceria enfrentou uma série de problemas de gestão e financeiros.
Esses impasses culminaram na retirada do controle operacional da empresa americana por decisão judicial em maio de 2024, após o clube alegar descumprimento de contrato. Desde então, o Vasco opera sem um investidor fixo majoritário, dependendo de medidas emergenciais e da própria gestão do associativo.
Expectativas para o futuro do clube
As tratativas com Marcos Lamacchia representam uma tentativa de profissionalizar a gestão do Vasco com capital nacional, buscando uma solução de longo prazo. O empresário reconhece o potencial na grandeza histórica do clube e, em caso de concretização do negócio, planeja realizar aportes significativos para o desenvolvimento. A diretoria atual prioriza uma solução que garanta a sustentabilidade financeira e esportiva.
Bastidores das negociações
Até o momento, o Vasco da Gama não emitiu nenhum comunicado oficial sobre as negociações em curso, e a família Lamacchia também tem mantido discrição. Embora Marcos Lamacchia esteja atualmente em viagem de férias fora do Brasil, os contatos preliminares para as tratativas não foram interrompidos.
A proximidade entre o presidente Pedrinho e José Roberto Lamacchia, proprietário da Crefisa, tem sido um fator facilitador para o diálogo. A Crefisa já havia manifestado interesse em auxiliar o Vasco em momentos anteriores de dificuldade financeira. Agora, o filho assume a frente das conversas, mas mantém uma independência operacional em relação aos negócios familiares. A definição sobre a venda da SAF terá uma influência direta e decisiva no planejamento esportivo e estrutural do clube para a temporada de 2026.
















