Pular para o conteúdo
Menu
Mix Vale

O cenário musical perdeu uma figura versátil e influente com o falecimento de Perry Bamonte, ex-guitarrista e tecladista da icônica banda britânica The Cure. Aos 65 anos, o artista morreu em sua residência durante o período do Natal, após uma breve doença cujos detalhes não foram divulgados, deixando um legado que marcou profundamente a sonoridade do grupo em fases cruciais de sua carreira.

Nascido em Londres, Bamonte teve uma trajetória notável, evoluindo de um membro da equipe técnica nos bastidores para uma peça-chave no palco. Sua jornada com o The Cure começou na década de 1980 e o levou a participar de mais de 500 apresentações ao vivo, consolidando seu nome na história de uma das bandas mais importantes do pós-punk e do rock alternativo.

Sua contribuição se estendeu por álbuns que definiram o som do grupo nos anos 90 e início dos 2000. A habilidade de transitar entre diferentes instrumentos e sua profunda compreensão da estética musical liderada por Robert Smith o tornaram indispensável, especialmente durante as extensas turnês mundiais e as constantes mudanças na formação da banda.

Uma jornada dos bastidores ao palco principal

A entrada de Perry Bamonte no universo do The Cure ocorreu de forma gradual e orgânica, muito antes de ele empunhar um instrumento no palco. Sua primeira conexão com a banda se deu em meados da década de 1980, através de seu irmão mais novo, que atuava como gerente de turnês do grupo, uma posição de extrema confiança. Essa ligação familiar abriu as portas para que Perry se juntasse à equipe técnica, iniciando sua carreira como roadie, uma função essencial para a logística e o funcionamento dos shows.

[[MVG_PROTECTED_BLOCK_0]

Com o tempo, sua competência e dedicação o aproximaram ainda mais do núcleo criativo. Bamonte assumiu a responsabilidade de ser o técnico de guitarra pessoal de Robert Smith, o que lhe proporcionou uma imersão completa no som e nas complexidades técnicas que formavam a identidade musical do The Cure. Essa proximidade e o conhecimento adquirido nos bastidores foram determinantes para sua futura transição para membro oficial, pavimentando o caminho para uma das mais notáveis promoções da equipe técnica para a formação principal na história do rock.

A marca em álbuns que definiram uma era

A ascensão de Perry Bamonte à formação oficial do The Cure em 1990 coincidiu com um período de grande sucesso comercial e aclamação crítica para a banda. Sua primeira grande contribuição registrada foi no álbum “Wish” de 1992, um dos discos mais bem-sucedidos do grupo, que alcançou o topo das paradas no Reino Unido e gerou o hit atemporal “Friday I’m in Love”. A presença de Bamonte nos teclados e na guitarra foi vital para construir as camadas sonoras que caracterizam o álbum, equilibrando a melancolia da banda com um otimismo pop contagiante. Sua participação se estendeu aos álbuns seguintes, como o experimental “Wild Mood Swings” de 1996 e “Bloodflowers” de 2000, visto como um retorno às raízes góticas e introspectivas. Sua última gravação em estúdio com a banda antes de sua primeira saída foi no álbum autointitulado “The Cure” de 2004, um trabalho que buscou um som mais direto. Em todos esses projetos, sua versatilidade foi um trunfo, preenchendo os espaços sonoros e adaptando-se às constantes evoluções criativas de Robert Smith.

[[MVG_PROTECTED_BLOCK_0]

Versatilidade e adaptação como pilares

Quando o tecladista Roger O’Donnell deixou a banda em 1990, a solução encontrada foi promover Bamonte. A transição exigiu uma adaptação rápida, e ele mergulhou nos estudos de piano e teclado para dominar os novos instrumentos em tempo recorde para a turnê seguinte.

Inicialmente focado nos teclados para preencher a lacuna deixada na formação, sua multifuncionalidade logo se tornou evidente. Com a dinâmica da banda em constante mudança, ele passou a alternar entre os teclados, a guitarra rítmica e até mesmo o baixo de seis cordas.

Essa capacidade de adaptação provou ser crucial para a estabilidade sonora do The Cure ao vivo. Em shows que frequentemente ultrapassavam três horas, a habilidade de Bamonte para trocar de função permitia que a banda recriasse arranjos complexos de estúdio com fidelidade e energia.

A saída em 2005 e o celebrado retorno

Em 2005, Robert Smith decidiu reestruturar o The Cure, optando por uma formação mais enxuta, o que resultou na saída de Perry Bamonte e do tecladista Roger O’Donnell. Durante os anos seguintes, Bamonte manteve um perfil mais discreto, afastando-se dos holofotes da indústria musical.

Ele se dedicou a outras paixões, como a ilustração, mas continuou ativo na música, colaborando como baixista na banda Love Amongst Ruin.

O reconhecimento de sua importância histórica veio em 2019, quando ele se juntou aos seus ex-colegas de banda para a cerimônia de indução do The Cure ao Rock and Roll Hall of Fame.

A maior surpresa para os fãs, no entanto, veio em 2022, com o anúncio de seu retorno à formação para a aguardada turnê “Shows of a Lost World”, sendo recebido com enorme entusiasmo.

O tributo oficial do The Cure

Em um comunicado oficial, a banda prestou uma homenagem emocionada ao ex-companheiro. O texto descreveu Bamonte como uma pessoa de natureza quieta e gentil, mas também como um músico intenso, intuitivo e profundamente criativo.

Apelidado carinhosamente de “Teddy” pelos mais próximos, ele era considerado uma parte vital e amada da família The Cure. A nota destacou seu senso de humor e sua presença calma, encerrando com uma mensagem de condolências à sua família.

Repercussão no cenário musical

A notícia de seu falecimento gerou uma onda de homenagens nas redes sociais e em portais de música. Ex-integrantes, como o fundador Lol Tolhurst, expressaram publicamente sua tristeza, relembrando os momentos compartilhados. Fãs de diversas gerações também lamentaram a perda, destacando sua contribuição em uma fase de ouro da banda, o que reforça o impacto duradouro de seu trabalho.

A última turnê e o adeus aos palcos

A turnê “Shows of a Lost World” marcou não apenas o reencontro de Perry Bamonte com os palcos ao lado do The Cure, mas também representou seu último capítulo como músico em atividade, reafirmando sua conexão especial com a música da banda e seus admiradores até o fim.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

Notícias relacionadas

Mais lidas

  1. Brasil

    Fibras de pitanga e cambuci reduzem a viabilidade de células de câncer colorretal em laboratório, diz USP

  2. Destaques

    Bob Dylan se encontra com o Papa Leão XIV no Vaticano após mediação cultural

  3. Destaques

    Tornado no Aeroporto de Chapecó atinge 126 km/h, arranca teto de terminal e cancela voos em Santa Catarina

  4. Destaques

    Janaína Barbosa, ex-apresentadora do TV Fama, morre aos 48 anos em São Paulo

  5. Serasa

    Feirão Limpa Nome da Serasa oferece descontos de até 99% para quitar dívidas no Brasil até 6 de dezembro

  6. Benefícios

    13º salário 2026: empresas devem pagar 1ª parcela até 30 de novembro no Brasil com metade do rendimento sem desconto

  7. EUA

    Eleição para governador nos EUA: Keisha Lance Bottoms vence na Geórgia e Byron Donalds fatura a Flórida

  8. EUA

    Donald Trump vai deixar a presidência dos EUA? derrota republicana no Congresso não cassa o mandato do presidente

  9. EUA

    Eleição nos EUA: Trump esvazia agenda pública após democratas confirmarem série de vitórias no Congresso

  10. EUA

    Eleição para o Senado na Carolina do Sul: Annie Andrews lidera apuração sobre Darline Graham e ameaça hegemonia republicana nos EUA

Sua privacidade

O Mix Vale usa cookies para medir audiência e exibir anúncios que sustentam a redação. Você escolhe. Política de privacidade.